Norte-americanos e japoneses dominam sexta etapa da Copa do Mundo de Escalada nos EUA

A sexta etapa da Copa do Mundo de Escalada, realizada na cidade de Vail, localizada no estado norte-americano do Colorado, teve boa presença dos escaladores do país sede, que mostraram força e técnica para ameaçar o “domínio japonês”. Ao todo, participaram desta etapa 149 atletas (91 homens e 58 mulheres). Destes, tanto na categoria feminina quanto masculina, classificam para as semifinais 20 atletas. Dos semifinalistas apenas seis se classificaram para as finais.

Os EUA marcaram presença no pódio com Alex Puccio, que venceu na categoria feminina, e Sean Bailey, que ficou em segundo na masculina. Mesmo assim os japoneses mostraram estar em grande forma e completaram o pódio com atletas nas duas categorias.

Ao final da sexta etapa da Copa do Mundo de Escalada, o pódio na categoria feminina ficou com a norte-americana Alex Puccio em primeiro e as japonesas Miho Nonaka e Akiyo Noguchi em segundo e terceiro lugar respectivamente.

Na categoria masculina o japonês Rei Sugimoto foi o vencedor, seguido pelo norte-americano Sean Bailey em segundo e o também japonês Tomoa Narasaki em terceiro.

Nesta etapa, ao contrário do que aconteceu nas realizadas na Ásia, teve a presença de atletas sul-americanos. Com um total de oito atletas, havia somente representantes de Brasil e Equador. Argentina e Chile, os quais possuem atletas que se destacaram em torneios internacionais em 2018, não enviaram representantes. Apesar de marcar presença, nenhum atleta sul-americano conseguiu obter pontuação suficiente, para chegar às semifinais.

O alto nível da etapa também impactou várias seleções da Europa. Seleções de países com tradição no esporte não se destacaram. A sexta etapa serviu também como bom parâmetro de medida, para o que se deve esperar na distribuição de atletas para as olimpíadas de Tóquio. Pelos resultados apresentados na competição, além da configuração atual do ranking do IFSC, a disputa de vagas será apertada. Para os sul-americanos, muito provavelmente, haverá apenas a vaga do campeonato continental, o qual ainda não tem data marcada.

Os Jogos Olímpicos da Juventude, que acontecerão em outubro na cidade de Buenos Aires, e contará com presença de grande número de atletas sul-americanos, servirá de parâmetro para quem realmente possui chances reais de ir à olimpíada de Tóquio. No evento será utilizado pela primeira vez o “formato olímpico” (atletas disputando lead/speed/boulder). Nenhum atleta brasileiro anunciou, até o momento, a participação no evento.

Análise da etapa

A etapa de Vail mostrou-se a mais exigente, servindo de parâmetro para várias seleções reavaliarem suas estratégias de treinamento e organização de campeonatos. Muitos atletas, os quais obtiveram resultados positivos em seus países, não mostraram o mesmo desempenho nos EUA. Analisando os resultados da 6º etapa da Copa do Mundo de Escalada, ficou explícito que os route setters implementaram um alto nível nas linhas de boulder. A consequência disso foi que vários atletas viram suas marcas na temporada serem relativizadas. Especialmente os que ficaram nas últimas colocações.

A cidade de Vail, que possui pouco menos de 5.000 habitantes, fica a 2.445 metros acima do nível do mar. Alguns atletas, por meio de postagens em suas redes sociais, atribuíram à altitude uma sensação de desconforto físico. Após terminada a etapa, este desconforto os japoneses, que vivem em um país com baixa altitude e a mais de 15 horas de diferença de fuso horário, aparentemente não sentiram.

A campeã da 6ª etapa da Copa do Mundo de Escalada, Alex Puccio, treina na cidade de Bouler, com 1.655 metros acima do nível do mar. O americano Sean Bailey, que mora em Seattle, uma cidade ao nível do mar, também não publicou nenhum comentário a respeito. De acordo com estudos científicos, publicados nos livros “Manual de Medicina Esportiva” e “Bioquímica do Exercício e do Treinamento“, os sintomas conhecidos como “mal de altitude” começam a partir de 3.000 metros acima do nível do mar. Ainda de acordo com estes estudos, a partir de 1.500 estima-se que o atleta apresente indícios de alteração de rendimento.

Foto: IFSC/Eddie Fowke

Os atletas japoneses, mais uma vez, mostraram a sua força. Entre os seis finalistas da categoria masculina, quatro eram japoneses (aproveitamento de 66,66%). Observando a semifinal, o domínio é mais impressionante: 45% (9 de 20 classificados). No feminino apenas duas atletas japonesas se classificaram para a final, mas ambas foram ao pódio. Na semifinal as japonesas eram 20% do total (4 de 20 classificadas). A seleção japonesa de escalada possuía uma delegação com 16 atletas (5 mulheres e 11 homens) e as colocações mínimas atingida por eles foram 27º (categoria masculina) e 49º (categoria feminina).

A delegação norte-americana possuía 48 atletas (20 homens e 18 mulheres) e era a mais numerosa da etapa. Chamou a atenção de que a escaladora Margo Hayes, que foi a primeira mulher a encadenar uma via de grau 12a brasileiro (9a+ francês), ficou apenas em 33º lugar. Mas a estratégia de treinamento e organização adotada pela associação americana de escalada (US Climbing), de realizar campeonatos regionais classificatórios, parece estar dando certo. Na categoria feminina, das 20 atletas das semifinais, cinco eram norte-americanas, apresentando aproveitamento de 25%. Na categoria masculina, os americanos apenas classificaram dois atletas para as semifinais, apresentando um aproveitamento de 10%.

Foto: IFSC/Eddie Fowke

O alto nível imposto pelos route setters, também impactou seleções que apresentavam resultados consistentes.

A Eslovênia, outra seleção que vem se destacando nesta temporada, teve Jernej Kruder em 4º, classificando apenas dois atletas para as semifinais no masculino. No feminino, nenhuma atleta se classificou para as finais e somente uma conseguiu ir para as semifinais.

Foto: IFSC/Eddie Fowke


Ranking após seis etapas

Com uma diferença mínima entre a primeira e segunda colocadas, a disputa segue imprevisível de qualquer prognóstico. O que é certeza até o momento é que o título da temporada ficará entre Akiyo Noguchi e Miho Nonaka.

A francesa Fanny Gibert demonstrou força para ficar como destaque nesta temporada, ficando com o terceiro lugar mas com uma pontuação muito abaixo das duas primeiras colocadas.

Foto: IFSC/Eddie Fowke

Colocação Nome País
¹º Miho Nonaka Japão
Akiyo Noguchi Japão
Fanny Gibert França
Stasa Gejo Sérvia
Katja Kadic Eslovênia
Janja Garnbret Eslovênia
Shauna Coxsey Inglaterra
Ekaterina Kipriianova Rússia

Aprestando equilíbrio e regularidade, o esloveno Jernej Kruder demonstra ser esta a melhor estratégia para ser o campeão da temporada. Mesmo não obtendo pódio em todos as etapas da Copa do Mundo de Escalada, mas ficando sempre ente os quatro melhores, segue em primeiro lugar no ranking.

A irregularidade de Tomoa Narasaki tem custado caro ao atleta japonês. Narasaki está muito próximo do esloveno, mas ainda não consegue superá-lo na pontuação. O detalhe mais impressionante no ranking masculino é a predominância de atletas asiáticos entre os oito primeiros.

Foto: IFSC/Eddie Fowke

Colocação Nome País
¹º Jernej Kruder Eslovênia
Tomoa Narasaki Japão
Rei Sujimoto Japão
Aleksei Rubtsov Rússia
Jongwon Chon Coreia
Kokoro Fuji Japão
Alex Khazanov Israel
Gabriele Moroni Itália

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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