Analisando movimentos da copa do mundo de escalada em câmera lenta

A cada etapa da Copa do Mundo de Escalada, algumas coisas são tradicionais da mesma maneira que a entrega das medalhas aos vencedores: análise das polêmicas por Angel Palacio, em seu site mais que tradicional, minúcias de técnicas e apontamento de tendências por Udo Newmann e a câmera lenta com os melhores movimentos.

O vídeo, que pode ser visto acima, mostra em pouco menos de quatro minutos, como é a coordenação motora dos escaladores, assim como devem ser moldados os treinamentos de técnica e tática na escalada. De acordo com a análise do técnico de escalada da seleção alemã, os desafios, até certo ponto, na Copa do Mundo de Escalada são sempre familiares: na fase de qualificação as linhas são relativamente fáceis, mas que não permitem nenhum erro, Qualquer mínimo deslize, custa a classificação para o atleta.

Foto: IFSC/Eddie Fowke

Já nas semifinais as linhas de boulder são mais duras e os escaladores devem procurar chegar ao máximo de topos possível. Mas nas finais, segundo o técnico afirma, é quando “começa o circo”. Isso porque truques e mágicas de todos os tipos acontece. Ou seja, a dificuldade dos boulders evolui de “zero erro ou deslizes”, para “não tenha medo de arriscar”. Portanto, somente aquele que se adapta a esta mudança está apto a competir nos campeonatos do IFSC.

Análise da Copa do Mundo

Após assistir às semifinais e finais da Copa do Mundo de Escalada, é fácil perceber que há uma tendência natural na linha de pensamento dos route setters. Embora em uma análise simplista, bastante equivocada, dos estilos que os criadores das vias fazem é decretar que investem em um determinado movimento.

Na verdade o que existe na Copa do Mundo de Escalada é uma equipe, formada por três pessoas, que chegam a um consenso e analisam o que é proposto. Não há uma única pessoa, nem mesmo uma cartilha, que decide tudo. O que existe é o conhecimento geral e o objetivo de tirar os atletas da zona de conforto e premiar o que está mais preparado.

Foto: IFSC/Eddie Fowke

Sem dúvida nenhuma as habilidades técnicas e físicas necessárias estão sendo desafiadas e mudadas a cada ano por eles. O motivo disso? Premiar o atleta mais bem preparado, pois quem treina corretamente, procura melhorar os pontos fracos e percepcionar os pontos fortes. Atletas que treinam somente um tipo de habilidade, além de técnicos que ficaram parados no tempo sem sequer evoluir, são punidos com estas mudanças. Estes tipos de mudança, além dos movimentos mágicos, podem ser acompanhados pelo vídeo (assista no topo do artigo). Pode parecer clichê afirmar, mas o atleta disposto a sair da zona de conforto (além de estar acostumado a isso) é que estará apto a sonhar em ir à Olimpíada.

Como destaque do vídeo em câmera lenta está Sandra Lettner, que mesmo dando um dinâmico em uma agarra, mesmo assim teve tempo de trabalhar seu pé em um foot-hook (gancho com os pés), não perdendo o contato com a parede (veja detalhe do movimento aqui).

Foto: IFSC/Eddie Fowke

Para o público que balanceia escaladas na rocha e em ginásio, o aprendizado de movimentos novos e de desafios é considerável. Por isso que a escola francesa de escalada é considerada a mais elegante do mundo da escalada. Os próprios francesas tem o melhor local de prática de boulder do mundo: Fontainebleau. Não é para menos que o país teve dois finalistas nesta primeira etapa: Fanny Gibert e Manuel Cornu. A própria francesa Fanny Gibert mostra isso em uma técnica impressionante (veja detalhe do movimento aqui).

Fosse possível arriscar uma previsão do estilo atual é a “morte” do estilo americano (muito copiado por brasileiros que devoram vídeos do estilo). O “estilo americano” é uma espécie de escalada mais para “dar espetáculo”, com vários dinâmicos, pêndulos, perda de pés e outras manobras que lembra como um videogame. Este tipo de estilo de escalada, pouco apreciado pelos americanos refletiu no resultado. O americano Nathaniel Coleman, que ganhou facilmente o campeonato americano de boulder (US Bouldering Nationals), fazendo topo em todas as linhas da final, ficou apenas em 17º, sequer e classificando para a final.

O preparo psicológico dos escaladores, nos quais valoriza a paciência durante a escalada em encontrar a posição ideal. A atleta Tomoa Narasaki demonstrou muito como é o uso da paciência e adaptabilidade.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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