Conheça os tipos de camping extremos que existem : Glamping e Cramping

Saber identificar uma pessoa que não gosta de acampar é relativamente fácil. Toda pessoa avessa ao camping profetiza : “Acampar é coisa de índio”. Para estas pessoas um hotel, de no mínimo três estrelas, preferencialmente com luxos de piscina e/ou lareira, com café da manhã incluído e TV, são indispensáveis. O contato com a natureza fica por conta de pisar na grama ou mesmo de maneira contemplativa

Na contramão destas escolhas estão os radicais campistas que, às vezes, sequer barraca utilizam e dormem em qualquer lugar. O estilo é muito parecido com o que os mendigos utilizam nas grandes cidades. Isso porque qualquer desconforto é compensado pela sua presença física, onde quer que esteja.

Há ainda aqueles que praticam camping porque gostam. Isso porque, obviamente, há todo um charme em um acampamento bem planejado e praticado. Com barracas apropriadas, equipamentos próprios e comida adequada. Tudo com o minimalismo levado a sério.

Este tipo de pessoa, que opta pelo “caminho do meio”, que não radicaliza a prática do camping, e pode ser visto como um campista “comum”, que reconhece a importância de conhecimentos técnicos, admite que “roubadas” acontecem com quem não se planeja adequadamente e, como não poderia ser diferente, utiliza equipamentos adequados. Este sabe que “menos é mais”, além de ter consciência que “menos ás vezes é menos”

Porém os dois primeiros tipos descritos no início deste artigo, para o bem ou para o mal, são em maior número. Sobretudo no Brasil, um país já acostumado a perverter filosofias de vida e práticas outdoor. Não é nenhum exagero afirmar que no Brasil pratica-se largamente o “glamping” e “cramping”. Os motivos são vários, desde o apreço exagerado ao conforto, até a completa ignorância sobre as boas práticas de acampamento.

Mas o que é “glamping” e “cramping” ?  É exatamente o que está explicado abaixo para que, pelo menos, as pessoas identifiquem-se no tipo de filosofia de camping praticado.

Glamping

A palavra  “glamping” é uma mistura entre glamour e camping. Em termos práticos é a elevação do luxo em acampamentos em níveis de quase torná-lo um hotel. A palavra apareceu primeiramente na Inglaterra em 2005 para designar barracas de alto luxos dentro.

Entretanto esta visão “adaptadora” de camping tem relatos históricos desde o século XVI, quando escoceses criavam acampamentos para simular os luxos dos castelos da nobreza para receber o rei Jaime V da Escócia.

Na recepção ao rei o conde John Stewart, responsável por esta organização, fazia questão de erguer barracas e tendas com todas as provisões de seu próprio palácio.

Como a prática parece ter caído no gosto de pessoas endinheiradas que possuem curiosidade de praticar o turismo de natureza, mas com todos os luxos que tem na sua casa. Assim o “glamping” se alastrou pelo mundo como uma prática que eles mesmos chamam de “evolução do modelo de sociedade”.

Com esta filosofia erguem-se modelos de barracas e tendas enormes, com acesso à energia elétrica, cozinha estruturada, TV e, dependendo do caso, até mesmo ar condicionado. No Brasil a cultura do motorhome aderiu a esta filosofia e largamente são vendidos modelos com luxos semelhantes a apartamento de classe média alta brasileira.

A filosofia de visar somente o luxo acabou gerando uma falsa interpretação da prática no Brasil, tendo somente uma empresa especializada em aluguel de motorhomes.

Foto : Melanie Riccardi

Com uma rápida pesquisa na internet é possível ver locais vendendo este tipo de serviço, tanto de tendas estruturadas extra-luxuosas com preços semelhantes a quartos de hotel de resorts.

Mesmo com a adoção do luxo a níveis elevados, segundo os organizadores deste tipo de prática, garantem respeitar a natureza e prezar pelo convívio e imersão saudável.

Cramping

A palavra “cramping” é uma mistura entre “crap” (porcaria) e camping. Em termos práticos é a prática do pernoite de qualquer maneira sem se importar com conforto ou segurança. Qualquer lugar e de qualquer jeito serve.

Este tipo de especialidade de camping pode ser visto em festivais de música eletrônica e campus party. Neste tipo de filosofia o conforto sequer faz parte do objetivo de quem o pratica, pois a meta aqui é estar em um determinado lugar e dormir é um mero detalhe.

Dentro desta prática há quem “adapta” veículos para que seja possível dormir no interior deles. A mais comum é tirar os bancos de trás e acomodar-se da maneira que der e puder.

Há exemplos de quem compra barracas inapropriadas para conseguirem acampar em locais nos quais há uma data comemorativa como carnaval, réveillon, páscoa, etc.

Embora pareça um pouco radical este tipo de prática pareça muito extremada, pode ser observada em alguns locais de prática de atividades de montanha como Pico dos Marins.

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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