Conheça os principais erros que acontecem em um trekking (Para não repetir)

Você é daqueles que aprecia bastante praticar a sua atividade outdoor e acredita que nada, nem nunca, acontecerá um imprevisto? Propaga a todos os seus amigos e familiares que passar “perrengue” faz parte de toda a atividade de montanha? Este artigo foi feito especialmente para você.

Evidentemente todo praticante, não importando o nível de experiência, está sujeito a erros e equívocos ao longo de qualquer atividade outdoor. Um dos grandes atrativos de qualquer atividade de natureza é a imprevisibilidade. Mas existem certos imprevistos que acontecem que caracterizam, e muito, o nível de inexperiência que a pessoa possui. Pegar informações em lugares que não são fontes fidedignas é um deles e isso é um erro recorrente. Armar uma fogueira em algum local e causar um incêndio nem chega a ser erro e sim uma estupidez crônica mesmo.

Os ensinamentos que a natureza nos traz devem vir de acontecimento imprevistos e aleatórios e nunca, sob qualquer hipótese, por imprudência do praticante. Com a internet disponível em vários locas isolados apontar a desinformação é apostar na ingenuidade do interlocutor, por isso abaixo estão listados os erros mais comuns de praticantes de trekking.

Ignorar a previsão do tempo

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Foto: http://www.kafadventures.com/

O tempo é algo que é considerado imprevisível o que, em certo ponto de vista, é uma verdade incontestável. Mas não levar em conta no planejamento da atividade uma consulta à previsão do tempo caracteriza despreparo crônico do praticante. Consultar a previsão do tempo em mais de uma fonte é uma obrigação de todo praticante de esportes outdoor. Algumas verificações básicas são :

  • Probabilidade de chuvas
  • Volume da precipitação (geralmente apontada em milímetros)
  • Velocidade dos ventos
  • Temperaturas máxima e mínima

Claro que independente da condição climática sempre é bom andar com uma jaqueta impermeável, e respirável, mochilas com capa de chuva e equipamento devidamente guardado dentro das mochilas.

Levar equipamentos não testados

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Foto: http://www.blisterprevention.com.au/

No planejamento de uma viagem é importante não somente contar com um equipamento já adquirido mas também ter a certeza absoluta de que ele irá funcionar no momento adequado. Portanto um dia antes da viagem é imprescindível testar todo o equipamento que irá ser utilizado. No checklist de qualquer praticante deve ter pelo menos os seguintes itens:

  • Estado físico de barraca (varetas + specs + capas)
  • Casacos e meias
  • Botas de caminhada
  • Fogareiro
  • Mochila e zipers
  • Saco de dormir e zipers
  • Headlamp (bateria + LED)

Testando adequadamente cada um destes itens, que não deve demorar mais que 1 hora previne qualquer dor de cabeça e desconforto no momento de realizar a sua atividade. Testando cada um destes equipamentos também permite à pessoa meditar sobre a real utilidade de cada um deles e, também, da necessidade de aquisição de algum equipamento que descubra estar com defeito ou danificado.

Colocar excesso de equipamento dentro da mochila

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Ilustração: Maria José de Oliveira

Nada mais desagradavel do que carregar montanha acima um monte de coisas que são completamente inúteis na sua prática. Quanto mais pesada a mochila, maior será o desgaste do praticante. Por mais óbvio que possa parecer é seguramente o erro mais comum e recorrente em qualquer atividade outdoor. Se você irá apenas acampar que tem de caminhar por mais de 30 min no plano é completamente desnecessário levar, por exemplo, um martelo de pedreiro para fincar seus specs no chão.

O mesmo pode-se dizer de alguém que leva uma machadinha para uma travessia caso necessite cortar uma madeira. Colchões infláveis, sofás infláveis, garrafas de bebidas,etc. Todos estes utensílios de conforto urbano são comuns de ver em pessoas que não possuem muita experiência e, seguramente, gostam de sofrer em demasia com a mochila excessivamente pesada.

Levar uma quantidade de roupas que não corresponde com a realidade é outro erro muito comum. O espírito de mochileiro, por exemplo, ficou tão deturpado por algumas pessoas planejam usar uma roupa por dia durante a sua atividade. Para roupas o melhor critério é o seguinte:

  1. Escolher todas as roupas que quer usar e separe em cima da cama
  2. Avaliar destas quais são imprescindíveis e retirar o que é supérfluo
  3. Colocar na mochila apenas metade do que existe na cama

Para qualquer atividade fundamental é importante que seja a barraca, saco de dormir, isolante e comida. A roupa pode perfeitamente ser a que esteja vestindo. Sem mais ou menos. Apostar em peças sobressalentes é abrir uma exceção muito grande que pode não ter mais volta.

Inundar o interior da barraca

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Foto: David M Hogan | https://www.flickr.com

Quando for praticar qualquer modalidade na montanha é importante que utilize equipamentos outdoor de qualidade. Mas mesmo que compre o melhor equipamento das galáxias, é importante também que o utilize corretamente. A barraca é um destes equipamentos outdoor que depende muito da maneira que o usuário irá montá-la.

Montar barras em poças d’água, mangues, enxurradas, próximo de córregos, fundo de vales, etc. O resultado disso é a barraca, de repente, tornar-se uma piscina. O que pode ser um pesadelo tão grande que é capaz de ninguém consiga dormir. Isso porque TUDO dentro da barraca pode ser perdido com este alagamento.

Levar comidas inadequadas pra alimentar-se

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É consenso com todos os praticantes outdoor que quando estamos com excelente auto-estima rende-se muito mais que o normal. Para isso nada melhor do que alimentar-se corretamente. Quando se come algo saboroso e nutritivo não há travessia que não possa ser feita, nem desafio que não possa ser vencido.

Porém o praticante leigo aposta em levar comidas de qualidade inferior apenas preocupado com o peso. Comidas com excesso de sal como salames e queijo provolone são um ótimo exemplo de algo saboroso que irá cobrar uma conta cara no dia seguinte caso não sejam consumidos com algum outro alimento. O mesmo pode-se dizer do macarrão instantâneo que possui excesso de sódio na sua elaboração e desidrata imensamente a pessoa que o consome.

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

There are 6 comments

  1. Guilherme

    Parabéns pela matéria Luciano. Faria uma pequena ressalva quanto as meias… deve-se pensar bem antes de economiza-las na mochila ;).
    Acrescento a estes erros bem lembrados na matéria, a falta de “boas maneiras” nas atividades na natureza, o chamado “leave no trace”!
    Abs.

    1. Natalia De Marco

      Oi Guilherme

      Obrigado pelo comentário e expandir o conteúdo. Na verdade está sendo elaborado uma matéria para discutir a questão da ética e comportamento na montanha, Já foi feito um sobre como se comportar em uma academia de escalada. Aguarde que estão sendo consultados muitos montanhistas de renome.

      Abs

  2. Thiago Ferreira

    Ótima matéria, fiquei só com uma dúvida, o miojos, queijo e salame é quase que preferência entre o pessoal que conheco pela facilidade e leveza. Quais seriam dicas de outros alimentos que não são carregados em sódio mas fáceis de levar e preparar?

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