Conheça os 5 motivos que justificam a importância de ter dedos fortes

Todo praticante de escalada, seja ela qual for a modalidade (boulder, esportiva, tradicional, móvel, alpina, etc.), concorda em um aspecto: tanto determinação mental quanto técnica devem ser treinadas e aprimoradas ao longo do tempo. Estar em boa forma, e de preferência com a musculatura fortalecida, faz a diferença no momento de escalar qualquer via. Porém o aspecto força divide grande parte dos treinadores, pois há de equilibrar muitos fatores em um atleta antes de somente priorizar a sua potência muscular.

Numerosos estudos já confirmaram que atletas considerados da elite comparados com atletas “não-elite” possuem uma força de pegada muito maior que a sua resistência muscular no antebraço. Isso é decorrente da potência muscular desenvolvida nos músculos flexores dos dedos. Portanto assumindo que uma pessoa tenha sólidas determinação mental e habilidade técnica, treinar a força da pegada é fundamental para levar a escalada a um nível superior.

Portanto é fundamental também que para isso busque a orientação de um profissional de educação física para seus treinamento. Evite tomar aulas de personal de escalada com quem não seja devidamente formado, pois esta pessoa seguramente irá levar você a uma lesão que o afastará do esporte por tempo indeterminado.

Sabendo que estas pesquisas confirmaram que a força da pegada faz a diferença, a Revista Blog de Escalada procurou listar cinco razões que justificam os motivos de aumentar a força de pegada.

Dedos fortes podem apertar agarras menores

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Foto: Sender Films | http://www.zoomdout.com/

Parece meio óbvio, mas um treinamento de longo prazo na pegada pode fazer com que continuamente o escalador melhore no momento de apertar agarras menores do que as que está habituado.

Em outras palavras quem treina constantemente a força dos dedos consegue dar-se bem em pequenos regletes.

Para isso o treinamento em fingerboard é sem sombra de dúvida o melhor treinamento para a força da sua pegada, em comparação com a de campus board que privilegia a explosão muscular.

Dedos fortes podem resistir mais quando a via possui agarras no seu limite

Foto: Kris Holbrook | http://www.krisholbrookphotography.com/

Foto: Kris Holbrook | http://www.krisholbrookphotography.com/

Quando seus dedos estão em uma agarra boa usufruindo 20% de seu limite, o seu fluxo de sangue para o antebraço começa a diminuir. Já para 50% o fluxo quase para.

O que isso quer dizer? Quando o fluxo de sangue diminui (ou para) sua potência muscular tende a decair para mais ou menos 10 segundos após isso. Dependendo da dificuldade que sua pegada suporta, dedos mais fortes conseguem suportar mais tempo nesta condição, e assim permitir que este decaimento de força seja de até um minuto.

Em resumo: aumentando a força de sua pegada, especialmente a força que aplica com os dedos,  melhora o fluxo sanguíneo no antebraço, permitindo maior resistência no antebraço.

Pegada mais forte conseguem descansar e “zerar” em agarras menores

Foto: https://sendjournal.wordpress.com

Foto: https://sendjournal.wordpress.com

Qualquer escalador que já assistiu a um vídeo de Adam Ondra ou Dani Andrada. A cena na qual o escalador para no meio de um esticão, e bem negativo, que parece que não estão segurando nada. Às vezes em apenas um monodedo ou algo do gênero.

De alguma maneira estes atletas conseguem parar e recuperar o fôlego, para recuperar as forças para continuar a escalar e encadenar a via. O “segredo” (um deles na verdade) destes escaladores é conseguir descansar em agarras pequenas (algumas podemos chamar de micro-agarras) que um escalador normal ficaria bombado, por conta dos dedos fortes que possuem.

Escaladores fortes possuem mais estamina

Estamina significa, em termos gerais, resistência (física ou mental, e até mesmo as duas coisas juntas) do ser humano ou qualquer outro animal.

Em linhas gerais é a capacidade para realizar atividades através do exercício aeróbico, ou anaeróbico, por períodos de tempo relativamente longos.

Foto: Brent Winebrenner | http://climbing.about.com/

Foto: Brent Winebrenner | http://climbing.about.com/

Treinamento de resistência pode ter um impacto negativo na capacidade de exercer força física, a menos que um indivíduo comprometa o treinamento de resistência para neutralizar esse efeito. Este conceito científico pode ser percebido quando geralmente há uma notícia de um escalador realizando uma cadena de uma via de  alto grau, especialmente à vista.

Aumentando o limite da força dos dedos, e chegando a um nível superior de escalada, e habilidade técnica (lembre-se, potência não é nada sem controle), é possível evoluir continuamente e aumentar os níveis de estamina.

Fazendo treinamento de potência de pegada e aprimoramento de força dos dedos a médio prazo você pode aumentar significativamente seu nível de escalada (além de melhorar sua força mental). Com dedos mais fortes é possível também dedicar-se a aprimorar sua técnica com maior detalhamento.

Dedos fortes fazem a escalada ser mais divertida

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Não existe escalador que não se divirta escalando uma via com facilidade. Durante o aquecimento, para que os tendões fiquem prontos para um desafio maior. Faz muito bem à auto-estima de qualquer pessoa.

Portanto quanto mais “fácil” ficar escalar flutuando em agarras e regletes pequenos, mais divertido será. Obviamente subir de grau, especialmente após encadenar um projeto de longa data, é da uma grande satisfação a qualquer um.

Mas lembre-se:  melhor do que escalar uma via de graduação X, é saber que está escalando melhor (e não especificamente que algum amigo ou nêmeses).

Para saber mais sobre treinamento de pegada: http://blogdescalada.com

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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