Conheça 10 histórias reais de sobrevivência

Todo ser humano possui naturalmente um instinto de sobrevivência. Por mais civilizado que se proclame a pessoa, em situações extremas, nas quais sua vida corre perigo, este mesmo indivíduo irá transformar-se por completo. Muitos superam a si mesmos, realizando coisas que sequer pensavam serem capazes de fazer. Situações como catástrofes naturais, catástrofes provocadas pela humanidade, ruptura na ordem social e política, colapso geral da sociedade, colapso da economia e emergências sanitárias, são alguns exemplos.

Mas uma pergunta sempre é levantada por muitos: Quão longe, ou extremo, pode ir o ser humano para se preservar? A resposta a isso é relativamente simples, mas mesmo assim fascina a todos: Não há limites, nem ética, para preservar-se. Para provar isso, estão listadas abaixo algumas histórias reais de sobrevivência.

Família Robertson

O patriarca Dougal Robertson, um fazendeiro escocês, queria apenas levar sua família em uma viagem em um veleiro para manter a união da família e preparar a sua prole para a “universidade da vida”. Em 27 de janeiro de 1971, Robertson, junto de sua esposa e quatro filhos partiram de viagem em uma escuna (tipo de veleiro caracterizado por usar velas de popa a proa em dois ou mais mastros) de madeira chamada Lucette.

Durante 17 meses no mar, a família até que se deu bem. Na ocasião navegava de porto a porto. No período tiveram a oportunidade de conhecer vários lugares do mundo. Mas em 15 de junho de 1972, a família encontrou um grupo de baleias Orcas na costa das Ilhas Galápagos. As baleias atacaram o barco causando sérios danos à embarcação. Além disso, tudo o que tinham era um bote salva-vidas e uma canoa e comida para apenas seis dias.

No período que ficou à deriva, que somou 38 dias, sobreviveram bebendo na água da chuva e caçaram tartarugas para comer. A maior esperança de sair desta situação era a esperança de agarrar alguma corrente marítima do Oceano Pacífico o que os levasse para o continente americano. Depois de 16 dias, a canoa já não era mais utilizável, então decidiram migrar para o bote, que tinha apenas três metros de comprimento. A família foi descoberta por pescadores japoneses em 23 de julho de 1972.

A história foi contada nos livros “Survive the Savage Sea” de Dougal Robertson e “The Last Voyage of the Lucette” de seu filho Douglas Robertson.

Juliane Koepcke

A peruana Juliane Koepcke foi a única sobrevivente dos 93 passageiros e tripulantes em 24 de dezembro de 1971, quando o voo 508 da LANSA (companhia aérea peruana extinta em 1972) na floresta tropical peruana. O avião foi atingido por um raio durante uma tempestade e explodiu no ar.

Na época Koepcke, que tinha 17 anos, caiu ainda amarrada em seu assento pelo cinto de segurança. A selva selva densa da região amorteceu a queda. Como resultado de sua queda, teve apenas uma clavícula quebrada, corte no braço direito e o olho direito inchado. Juliane Koepcke não tinha nenhum treinamento em sobrevivência ou mesmo equipamento outdoor. Entretanto, seus pais lhe haviam dito uma vez que a melhor maneira de encontrar pessoas em uma floresta era seguir o fluxo de um rio.

Uma tática de sobrevivência básica, já que as pessoas costumam construir acampamentos, aldeias e cidades ao longo dos rios desde o início da civilização. Andando sem um rumo definido, conseguiu encontrar um pequeno riacho, que ela seguiu por 9 dias, quando encontrou uma canoa e um abrigo. No rio, optou por estar boa parte do tempo dentro da água, para escapar dos insetos e para limpar suas feridas. Quando encontrou ela esperou que alguém aparecesse. Poucas horas depois, trabalhadores madeireiros a encontraram, e lhe deram os primeiros socorros e foi levada para um hospital.

Sua história acabou sendo contada no documentário “Wings of Hope” (2000) do diretor Werner Herzog.

Hugh Glass

A história de sobrevivência de Hugh Glass foi imortalizada em “O Regresso”(The Revenant, 2015). Mas muito da história, que garantiu ao Leonardo di Caprio seu primeiro Oscar de melhor ator, foi romantizada. Para se ter uma idéia, não houve tiroteio no final da história e Glass não teve motivação de vingança de seu filho. A história real é incrível o suficiente.

Hugh Glass foi um explorador das Américas, em uma época marcada por conquistas de continentes e exploração de peles no início do século XIX. Durante a expedição, Hugh Glass surpreendeu um Urso com seus dois filhotes. O explorador foi atacado brutalmente e ficou com ferimentos graves. Surpreendentemente conseguiu matar o urso com a ajuda de seus parceiros de armadilha, mas ficou ferido e inconsciente. O líder da expedição, Andrew Henry, estava convencido de que Glass não sobreviveria aos ferimentos.

Henry pediu que dois voluntários ficassem com Glass até ele morrer, para depois enterrá-lo. Ambos os encarregados se adiantaram e começaram a cavar a cova. Quando retornaram, relataram, incorretamente, que Glass havia morrido. Hugh Glass recuperou a consciência e viu-se abandonado abandonado, sem armas ou equipamentos, com uma perna quebrada, cortes nas costas costelas expostas e todas as suas feridas já com pus.

Hugh Glass caminhou cerca de 320 quilômetros até o assentamento mais próximo em Fort Kiowa. Na caminhada colocou uma tala sua própria perna quebrada, envolveu-se na mortalha e começou a engatinhar. Glass sobreviveu principalmente comendo frutos silvestres e raízes. Quando alcançou o rio Cheyenne, depois de 6 semanas de viagem, fez uma jangada rudimentar e flutuou rio abaixo. No caminho, Hugh Glass foi ajudado por nativos e finalmente alcançou Fort Kiowa.

Depois de uma longa recuperação, Glass começou a perseguir e vingar-se dos companheiros que o abandonou. Entretanto, não matou nenhum dos dois. Um por ser muito jovem, e o outro por já ser soldado do exército norte-americano. A história de Hugh Glass foi imortalizada no livro que leva o nome do explorador escrito por Bruce Bradley.

Aron Ralston

Aron Ralston era um praticante de esportes de natureza dos mais dedicados. Sempre que possível estava viajando por vários dias para ir aos locais que mais gostava. Entretanto, Ralston cometeu um erro muito comum em praticantes de esportes outdoor, que é sentir uma superioridade ilusória e ignorar todas as regras básicas de segurança. Aron era um destes que bradavam “nunca vai acontecer comigo”, ou mesmo “sempre fiz assim, mas nada aconteceu”.

Aron Ralston ficou conhecido em maio de 2003, quando foi forçado a amputar com um canivete praticamente cego seu braço direito para se libertar de uma pedra que esmagou seu braço contra uma parede de pedra. Na ocasião, o norte-americano estava passeando em um cânion em Utah, quando o grande pedaço de rocha se deslocou, prendendo o braço na parede. Ralston ficou aproximadamente 127 horas sem comida, água e qualquer tipo de ajuda para livrar-se desta situação. Ele estava sozinho e ninguém sabia onde procurá-lo, pois não tinha avisado a ninguém onde iria. Ele finalmente saiu de viagem.

Todo o incidente está documentado na autobiografia de Ralston “127 horas” e virou um filme estrelado por James Franco, com o mesmo nome, em 2010.

Tripulantes vôo 227

Pergunte a qualquer pessoa que viveu o ano de 1972 qual fato marcante que aconteceu naquele ano. Muitas serão os fatos recordados, mas seguramente um em especial chamou a atenção de toda a América do Sul: O acidente com o time de Rugby uruguaio. Um avião que levava um time uruguaio de rugby, acompanhado de familiares e amigos, para um amistoso no Chile, caiu em algum lugar na Cordilheira dos Andes. Dos 45 cinco passageiros a bordo, 29 sobreviveram à queda e apenas 16 são resgatados com vida.

O acidente ficou conhecido como Tragédia dos Andes. Com pouca comida, nenhuma fonte de calor e a mais de 3.600 metros acima do nível do mar, conseguiram sobreviver alimentando-se de carne humana. Nando Parrado e Roberto Canessa decidiram então caminhar a uma direção desconhecida para buscar ajuda. Após 10 dias de caminhada ininterrupta encontraram um chileno que os alimentou e chamou as autoridades para o resgate.

O livro “Milagre nos Andes”, conta a história completa do desastre aéreo ocorrido nos Andes em 1972 contada pelo sobrevivente que salvou a vida dos outros 15 passageiros em 13 de outubro de outubro.

Time de futebol da Tailândia

O time de futebol “Wild Boars” da Tailândia, composto de 12 jovens entre 11 a 16 anos junto de seu treinador, resolveram comemorar o aniversário de um companheiro da equipe indo para a caverna Tham Luang . Enquanto estavam dentro da caverna, uma tempestade encheu a caverna, prendendo todos a uma distância aproximada de 1,5 km. Como o caminho era sinuoso, não havia como sair mergulhando.

Para se executar o resgate, foram necessários os esforços de 2.000 soldados e 200 mergulhadores. Nas tentativas de resgate um mergulhador do exército tailandês morreu e outros foram hospitalizados nas tentativas. Todo o drama do resgate foi transmitido enquanto a equipe era trazida para a segurança.

Resgate Nanga Parbat

Foto: perfil twitter Revol

Os montanhistas Tomek Mackiewicz e Elisabeth Revol tentavam uma ascensão invernal ao Nanga Parbat (8.125 m), quando chegaram ao Campo Base 3, localizado a 7.300 metros acima do nível do mar, no último dia 23 de janeiro. Mas no dia 25 de janeiro, Mackiewicz começou a sofrer de congelamento de suas extremidades e a ficar parcialmente cego. A alpinista francesa Elisabeth Revol buscou levar Mackiewicz até a barraca, para passar a noite, e desceu sozinha a um local para captar um sinal de telefone satelital para buscar ajuda.

A histórica começou a ganhar contornos dramáticos quando a bateria de seu aparelho começou a acabar devido às inúmeras tentativas. Próximo de esgotar-se, Revol conseguiu contato e toda uma operação de resgate foi iniciada. Quatro integrantes da elite polaca de montanhistas, Jaroslaw Botor, Piotr Tomala, Denis Urubko e Adam Bielecki, que estavam aclimatando no K2 (8.611 m) para a primeira subida invernal da montanha.

Denis Urubko e Adam Bielecki foram escalando com baixa visibilidade, indo em direção à Revol, enquanto Jaroslaw Botor e Piotr Tomala montaram acampamento. Os dois montanhistas conseguiram encontrar a francesa e baixaram ao campo base no sábado dia 27 de janeiro, para posteriormente levá-la a Skardúa. A partir disso a francesa foi transportada rapidamente ao hospital de Islamabad. Entretanto, por conta das condições climáticas e a altitude, foi considerado inviável buscar o também polaco Tomek Mackiewicz. O montanhista, que estava com um edema e congelado em algum ponto dos 7.200 metros de altitude, foi considerado morto.

Sir Ernest Henry Shackleton

Pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial, Sir Ernest Shackleton partiu com sua tripulação para a tentativa de atravessar a Antártica a pé. Mas antes mesmo que a expedição chegasse ao continente, seu navio (o Endurance) ficou preso em um bloco de gelo no Mar de Weddell. A tripulação, de 27 pessoas, não tinha meios de comunicação ou esperança de ajuda externa e permaneceria isolada pelos próximos 22 meses.

A tripulação viveu dentro do navio por quase um ano antes do gelo quebrar e permitisse a navegação. Vários meses depois, a expedição construiu trenós e se mudou para a Ilha Elefante, um local rochoso e desértico logo depois da Península Antártica. A essa altura, no resto do mundo, ninguém mais sabia o que aconteceu com a expedição ou onde eles estavam. A maioria das pessoas achavam que estavam mortos.

Sabendo que um resgate não ia acontecer, Shackleton tomou a decisão de pegar um dos botes salva-vidas e atravessar os 800 quilômetros de mar gelado para a Ilha Geórgia do Sul, onde ficava uma pequena estação baleeira. Por azar, Ernest chegou do errado da ilha e foi forçado a caminhar sobre as montanhas congeladas para chegar à estação.

O livro “The Endurance: Legendary Antarctic Expedition de Shackleton” é um relato de Sir Ernest Shackleton de atravessar a Antártida.

Família Lykov

No ano de 1936, uma família russa fugiu para a Sibéria para escapar da perseguição religiosa que acontecia no país. Levando apenas alguns pertences da casa e algumas sementes, Karp Lykov, sua esposa, Akulina, seu filho de 9 anos de idade e sua filha de 2 anos de idade fugiram. A família construiu várias cabanas primitivas enquanto viajavam, até chegar a um ponto habitável perto da fronteira da Mongólia.

A família não teve contato com o mundo exterior e tornou-se completamente autossuficiente. Karp e Akulina tiveram mais dois filhos, que nunca tinham visto uma pessoa fora de sua família até que uma equipe de geologia encontrou sua casa em 1978. Para sustento, a família passava os dias caçando, colhendo e estocando sementes para replantio. Para suportar o frio, Os Lykovs tinham trazido uma roca de fiação e cultivavam cânhamo para produzir a fibra para suas roupas. Seu alimento básico era batata misturada com sementes de cânhamo e centeio moído. Eles viveram assim, no meio das florestas, por quase cinco décadas.

A família Lykov sobreviveu em grande parte devido à sua devoção a Deus e uns aos outros. A família também cultivou tanta comida quanto a terra permitia e a acionavam com moderação. A cada inverno, a família ficava próxima da fome, mas ainda realizavam uma “reunião do conselho” para determinar se deviam guardar as sementes para replantar ou comer.

A história fascinante da família está eternizada no livro “Lost in the Taiga” escrita por Vasily Perskov.

Comente agora direto conosco

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.