Quais fatores decidem em competições de escalada guiada

A última etapa de escalada guiada na Copa do Mundo de Escalada, após uma maratona intensa de cinco competições muito próximas uma das outras, evidenciou quais atletas podem se considerar dentro da olimpíada. Além disso, pelos resultados apresentados, muitos atletas considerados anônimos, se consolidaram como verdadeiras esperanças de seus países em fazer parte da Olimpíada de Tóquio

Via de regra, quem está dentro das semifinais pode de fato sonhar com a Olimpíada. Especula-se, muito para criar expectativa do público, que atletas que estão próximos a 10 posições da “nota de corte” podem realmente sonhar em estar na escalada nos jogos Olímpicos de Verão de 2020. Abaixo disso, aconselha-se a escaladores que ainda acreditem que possam ir para Tóquio focar os treinamentos em aspectos chave nas competições. Passa pelo caminho para a evolução possuir um técnico que seja estudioso de movimentação e técnicas de escalada.

O técnico alemão Udo Neumann é um estudioso do repertório de movimentos dos atletas escaladores e, por isso, é merecedor de exercer o cargo de técnico da seleção alemã de boulder desde 2009. O cargo de Neumann foi conquistado por merecimento. O alemão é formado em ciência do esporte e autor de livros considerados mandatórios, para quem procura saber mais sobre performance em escalada em Rocha, além de numerosos vídeos sobre treinamento tanto para escaladores em vias guiadas como boulder. Não à toa é uma das maiores, senão a maior, autoridade no assunto em repertório de movimentos e treinamento para escaladores. Todos os países que se destacam na Copa do Mundo de Escalada, possuem técnicos formados em educação física (Ciências do Esporte), além de se organizarem, tanto em competições quanto na administração e recursos, de forma transparente.

Seu livro mais recente, “The Art & Science of Bouldering” de 2013, é referência entre treinadores de todo o mundo. Muitos das seleções que se destacam em competições de escalada, como Chile, México, Equador e Argentina, utilizam a obra como referência para a elaboração de treinamentos específicos de lapidação do gestual e técnica dos atletas. Além disso, o técnico alemão também possui um vídeo de 1h14min, disponível para a compra por US$ 16,95, que desnuda todas as tendências sobre técnica de escalada para o século XXI.

Fatores que decidem

Udo Neumann frequentemente publica textos analíticos sobre movimentação de escaladores em campeonatos. Além do conteúdo dos textos, o alemão também divulga em vídeo análise dos pontos-chave de cada competição e prova, apoiado pelas imagens, porque alguns atletas são tão superiores em relação a outros.

No vídeo Neumann afirma que os pontos principais para se destacar na Copa do Mundo de Escalada são: Preparo físico, eficiência e eficácia. Além destes, que parecem muito óbvios, existem fatores que passam despercebidos. Detalhes como Descanso, suavidade, adaptabilidade e fadiga.

  • Descanso: O técnico identificou duas estratégias diferentes entre todos os competidores. Descanso longo e intermitente. Quanto mais experientes e bem-sucedidos os escaladores são, maior a flexibilidade em adotar ambas as estratégias. Se um bom descanso existe, os escaladores que o aproveitam (com período de tempo controlado) vencem.
  • Suavidade: Escaladores que brincam com a parede, apelando para a força bruta, acabam caindo. Escaladores que saíram vitoriosos conseguem se diferenciar tateando o mínimo possível uma agarra, menos “puxadões”, privilegiando movimentos contínuos, menos uso de força bruta, melhor é a suavidade de sua escalada.
  • Adaptabilidade: Nem todos os movimentos da escalada podem ser planejados. Escaladores que possuem alta tolerância para adaptações, são aqueles que conseguem ser bem-sucedidos. Escaladores com bom repertório de movimentos e mente aberta são os que tem longo caminho pela frente. A alta tolerância à ambiguidade permite que os escaladores de sucesso vejam estímulos inesperados ou ambíguos não como uma ameaça, mas de uma maneira neutra e aberta.
  • Fadiga de decisões: Nas competições, o número de movimentos tolerado por um escalador não é ilimitado. Erros estratégicos são comuns porque há uma deterioração das tomadas de decisões feitas pelo escalador depois de seu planejamento. A melhor solução é escalar fluido da melhor maneira possível.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

There are 2 comments

    1. Luciano Fernandes

      Oi Letícia

      Obrigado pela sua mensagem. Os artigos do Udo Neumann realmente são muito bons e ficamos muito felizes de saber que as pessoas apreciam as suas análises. Caso você tenha reparado, sempre que escrevemos sobre treinamento e preparação de atletas frisamos a importância do profissional de educação física. Obrigado por reparar.

      Abs

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