Como ter uma mente livre no montanhismo

Uma boa forma mental requer o uso da mente de forma que nossa atenção possa fluir livremente de momento presente em momento presente, como ditar a situação. Se a mente habitar em suas expectativas e desejos, ela irá interferir em nossa habilidade de perceber a situação atual e lidar com ela efetivamente.

Portanto, não deixamos a mente habitar em tais lugares. Um estado mental que não habita em formas limitantes é conhecido como ter uma mente livre. Ele está livre do apego mental às expectativas ou resultados desejados que interferem com o uso efetivo de nossa atenção.

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Foto: https://www.thebmc.co.uk

Tive a experiência de uma mente ‘habitante’ mês passado escalando a via “Wish I Was Trad” (Queria ser tradicional -VII br) em Castle Rock, no Tennessee, uma via esportiva de uma cordada. Eu havia escalado a parte mais baixa e estava em um descanso dois metros abaixo da última chapa da via. Meus braços estavam bombados e eu estava com dificuldade de recuperar minha força.

Minha mente pensou sobre quão difícil a escalada seria em um estado físico tão cansado, e que eu não iria encontrar uma posição para costurar a próxima chapa. Fiz três movimentos na direção dela usando algumas agarras pequenas, fiquei bombado e desescalei de volta ao descanso. Minha mente não estava livre; ela estava habitando em uma expectativa de dificuldade.

Podemos entender como desenvolver uma mente livre investigando a relação entre mapas e territórios. Os mapas constituem nossas concepções mentais de situações; os territórios constituem a realidade, a situação de fato. Os mapas são concepções mentais de territórios reais.

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Se abordarmos os desafios com uma orientação de mapa-para-território, então começamos com nosso mapa mental e o projetamos no território real. Buscamos validar o território ao nosso mapa mental dele. Pense em como isto é limitante no contexto da escalada em rocha.

Estamos cansados, pensando que a escalada será difícil ou impossível para nós, e depois projetamos esse estado mental na rocha, no que poderia ser bem factível. A mente se prende às expectativas mentais de dificuldade, diminuindo nossa habilidade de focar nossa atenção efetivamente.

Podemos reverter este processo para melhorar nossa força mental. Nós abordamos os desafios com uma orientação de território-para-mapa. Olhamos primeiro para o território, criamos nossos mapas mentais com base no que percebemos, e modificamos nossos mapas enquanto adentramos o território.

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Foto: Vernon Wiley | http://Stockphoto.com/

Em uma escalada, nós identificamos as características primeiro: as saliências e entradas na rocha que criam um caminho de menor resistência entre nós e o próximo descanso. A seguir, criamos mapas mentais com base no que percebemos: combinamos isso com nossas experiências passadas. Finalmente, escalamos e modificamos nossos mapas com base no que descobrimos ao adentrar o território. A mente não habita em nenhuma expectativa mental de dificuldade. Nossa atenção flui livremente entre as tarefas necessárias que ocorrem no momento.

Uma situação de escalada à vista é um exemplo útil para como funciona este processo. O Caminho do guerreiro quebra o processo de escalada em duas partes: parar para pensar com a mente, ou se mover para agir com o corpo. Usamos um processo específico para pensar, olhando primeiro para o território para coletar informação objetiva. A seguir, criamos nossos mapas mentais com base nessa informação objetiva. Finalmente, usamos um processo específico para agir, de modo que possamos estar receptivos para modificar nossos mapas nos territórios que formos descobrindo.

Refletindo sobre meu esforço na “I Wish I was Trad”, eu percebi que eu havia permitido que minha mente predeterminasse quão difícil a escalada seria. Eu havia adotado uma orientação de mapa-para-território, começando com os mapas mentais de minha mente de quão difícil a escalada seria com base no meu cansaço físico. Eu decidi reverter isso.

Eu olhei no território, a via, primeiro. Foquei minha atenção em pensar, para identificar o caminho de menor resistência para a próxima chapa. Eu vi as pequenas agarras que eu havia usado anteriormente, e mais algumas agarras de pé novas à esquerda. Estas agarras de pé criaram um caminho diferente para a escalada. Eu também reconheci que esta era uma situação de escalada à vista, então eu teria que modificar meu mapa mental para qualquer coisa que descobrisse ao escalar no território novo.

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Foto: http://shutterstock.com

A seguir, eu estabeleci uma intenção de como focar minha atenção ao escalar. Se eu mantivesse a atenção na mente, então ela iria se apegar a qualquer coisa que ela percebesse como difícil. Em vez disso, eu foquei minha atenção no corpo, em relaxar, ficar relaxado e modificar meu plano de acordo com o que eu encontrasse.

Eu usei as pequenas agarras iniciais, pisei à esquerda para usar as novas agarras de pé e escalei até a chapa. Eu encontrei uma fenda vertical escondida ao lado da chapa. Era um entalamento de dedo sólido, tornando fácil a costurada. Ao manter a atenção no meu corpo, eu fui capaz de deixa-la fluir livremente, pelo território da escalada, para usar as novas agarras de pés e mãos que havia descoberto.

Fazemos algo específico para manter uma orientação de território-para-mapa. Quando pensamos, focamos nossa atenção em coletar informação objetiva ao olhar no território primeiro. A seguir, permitimos que nossa atenção se desloque para a mente, para combinar nossas experiências passadas com o que percebemos no território.

Finalmente, voltamos a atenção para o corpo quando escalamos. Fazer isto libera a mente do apego às suas expectativas e desejos, e permite que nossa atenção flua livremente de tarefa em tarefa de acordo com o que a situação ditar.

Dica Prática: Não há colher

Sua mente irá julgar a dificuldade erroneamente e interferir com seu esforço na escalada. Ela focará sua atenção primeiro na mente, criando um mapa mental de dificuldade que não representa o território da escalada precisamente.

Em vez disso, quando estiver em um descanso:

  • Olhe para cima no território, para identificar a próxima chapa e as características da rocha que levam até ela.
  • A seguir, elabore um mapa, um plano para a escalada, com base em sua experiência passada e no que você percebeu ao olhar no território.
  • Finalmente, entre em ação, escale no território, modificando seu mapa quando for necessário de acordo com o que for descobrindo no território da escalada.

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O livro “The Rock Warrior Way – Mental Training for Climbing” está à venda traduzido para a língua portuguesa no Brasil em: http://www.companhiadaescalada.com.br/

Tradução do original em inglês: Gabriel Veloso

Arno Ilgner distinguiu-se como um escalador pioneiro nos anos 1970 e 80, quando as principais ascenções foram as primeiras fortes e perigosas. Essas façanhas pessoais são a base para Ilgner desenvolver o programa de treinamento físico e mental – Rock Warrior Way ®. Em 1995, após uma pesquisa aprofundada da literatura e prática de treinamento mental e as grandes tradições guerreiras, Ilgner formalizado seus métodos, fundou o Instituto Desiderata, e começou a ensinar seu programa de tempo integral. Desde então, ele tem ajudado centenas de estudantes aguçar a sua consciência, o foco de atenção, e entender seus desafios de atletismo (e de vida) dentro de uma filosofia coerente, baseada em aprendizado de tomada de risco inteligente. Ilgner considera a alegria e satisfação no esforço – a “viagem” – intimamente ligada à realização bem sucedida das metas.

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