Como saber a hora de “ligar o botão” para entrar no modo cadena e escalar rumo à evolução

Eu participei de uma entrevista com Kris Hampton, da Power Company Climbing, recentemente. Ele disse que gosta muito do processo de aprendizagem, mas sente que pode permanecer nele por tempo demais. Ele me perguntou como determinar a hora de “ligar o botão” para entrar no “modo da cadena”. Eu lhe disse que havia uma diferença entre prática e aplicação. Durante a prática, focamos em aprender; durante a aplicação, focamos em testar o que aprendemos. A prática faz com que a nossa atenção para aprender habilidades fique mais aguçada; a aplicação expande nossa atenção para aplicar o que aprendemos. Nossa melhor performance acontece quando “ligamos o botão” e comprometemos nossa atenção completamente à aplicação.

Foto : Three Peak Films / The Circuit Climbing | http://threepeakfilms.com/

A prática é uma atividade divergente. Temos um ponto de foco: precisamos aprender. Desde esse ponto, divergimos na função de realizar várias atividades que o suportam. Este é um processo analítico. Analisamos sequências de movimentos, descansos e consequências da queda. Nossa atenção é mais estreita, com uma abordagem tática para romper o desafio em várias partes, para poder analisar cada parte especifica e aprendê-la.

A aplicação é uma atividade convergente. Temos vários pontos de informação (tudo que aprendemos) que precisam convergir em um ponto (performance). Este é um processo intuitivo. Nós integramos aquilo que aprendemos no contexto de uma situação maior. Nossa atenção expande, em uma abordagem estratégica, para determinar como aplicaremos as habilidades que aprendemos na via toda.

Existem vários fatores desconhecidos quando começamos a trabalhar em uma via. O processo de prática é uma forma de transformar o desconhecido em conhecido, tal como aprender a sequência de movimentos. Adotamos uma abordagem tática ao aprender a movimentação em trechos específicos da via. Quanto mais refinarmos estas sequências, mais iremos transformar o desconhecido em conhecido. Esta mudança permite que nossa atenção se expanda à porções maiores do desafio como um todo, o que é necessário para empenhar-nos no esforço da cadena. Uma vez que o trabalho tático estiver pronto, podemos “ligar o botão” e ser estratégicos para atingir a meta.

Foto : http://www.telegraph.co.uk/

Precisamos saber como “ligar o botão” da aplicação, após a prática. Podemos escapar do estresse durante a prática. Fazemos ciclos entre conforto e estresse, enquanto penduramos nas proteções e vamos descobrindo as sequências de movimentação. Na aplicação não fugimos do estresse. Nos comprometemos a permanecer nele.

Saber quando “ligar o botão” requer consciência da forte tendência da mente de voltar para a zona de conforto. Se amamos o processo de aprendizado e nunca nos testamos, então ficaremos presos em nossa zona de conforto da aprendizagem. Se permanecermos no “modo da cadena” e não progredimos, ficaremos presos em nossa zona de conforto do logro. Conseguimos equilibrar ambos realizando ciclos entre pratica e aplicação. Realizar esses ciclos frequentemente nos ajuda a criar uma consciência e saber se estamos parados em nossa zona de conforto ou indo além dela.

Nossa performance na tentativa de cadena nos mostrará o quanto aprendemos e se precisamos ou não voltar ao ciclo da prática. Se caímos quatro vezes durante várias tentativas de cadena, então podemos voltar ao ciclo do processo de prática. Se estamos progredindo, reduzindo o número de quedas, podemos permanecer focados na aplicação. Dessa forma, nossa atenção pode restringir-se a realizar mais prática tática, ou expandir para aplicar estrategicamente o que aprendemos para atingir a meta.

Ao saber que há uma diferença entre a prática e a aplicação, somos mais capazes de usar nossa atenção. Podemos restringi-la para melhorar aspectos táticos que precisam ser aprendidos e depois expandi-la para aplicar a melhor estratégia para atingir a meta. A mente vai querer ficar na zona de conforto, demorando demais no modo de prática ou de aplicação. Ter consciência dessa tendência nos ajuda a não sermos vítimas dela. Desde essa consciência, podemos aprender o que é necessário, e depois “ligar o botão” para entrar no modo de aplicação. Atingimos nossa meta quando convergimos todos os pontos analíticos do aprendizado em uma única aplicação intuitiva.

Foto : Luka Tamba | https://www.shaunacoxsey.co.uk

Dica pratica: Ligar o botão

Você está praticando ou aplicando ? Se estiver praticando, então você deve ciclar entre conforto e estresse, se pendurando na proteção e aprendendo sequências de escalada. Se você estiver aplicando, então você se compromete com ficar no estresse, aplicar o que você aprendeu. Decida qual você está fazendo e comprometa sua atenção inteiramente a um ou outro.

Não fique na sua zona de conforto da prática por muito tempo. Uma vez que tenha decidido que já aprendeu o bastante, então “ligue o botão” e comprometa-se em aplicar o que você aprendeu.

Comprometa-se a permanecer no estresse sem fugir dele.

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O livro “The Rock Warrior Way – Mental Training for Climbing” está à venda traduzido para a língua portuguesa no Brasil em : http://www.companhiadaescalada.com.br/

Tradução do original em inglês : Gabriel Veloso

Sobre o Autor

Arno Ilgner

Arno Ilgner

Arno Ilgner distinguiu-se como um escalador pioneiro nos anos 1970 e 80, quando as principais ascenções foram as primeiras fortes e perigosas. Essas façanhas pessoais são a base para Ilgner desenvolver o programa de treinamento físico e mental – Rock Warrior Way ®. Em 1995, após uma pesquisa aprofundada da literatura e prática de treinamento mental e as grandes tradições guerreiras, Ilgner formalizado seus métodos, fundou o Instituto Desiderata, e começou a ensinar seu programa de tempo integral. Desde então, ele tem ajudado centenas de estudantes aguçar a sua consciência, o foco de atenção, e entender seus desafios de atletismo (e de vida) dentro de uma filosofia coerente, baseada em aprendizado de tomada de risco inteligente. Ilgner considera a alegria e satisfação no esforço – a “viagem” – intimamente ligada à realização bem sucedida das metas.

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