Como fazer o seu ego parar de inventar desculpas para justificar os motivos de suas falhas

Quantas vezes já falhamos em vias que tínhamos a expectativa de sucesso e depois inventamos desculpas para justificar o motivo de falhar? Talvez seja um grau no qual já tivemos sucesso muitas vezes. Nos sentíamos no direito de ter sucesso; portanto falhar pareceu injusto.

O ego quer ter sucesso para sustentar seu sentido de auto-importância. Ele se sente importante quando conquista algo.  Reciprocamente, sua importância é ameaçada quando não conquista e ele fará tudo que puder para proteger sua auto-importância.

Se somos capazes de escalar 7º grau, o ego se sente no direito de continuar a ter sucesso em vias desse grau. Se cairmos, ele justificará a falha dando desculpas, tais como: “Eu teria conseguido, mas meu pé escorregou”, “Eu teria conseguido, mas o segurador travou minha corda”, “eu poderia ter escalado, mas estava muito bombado para continuar”.

Todas essas declarações poderiam ser verdadeiras: nosso pé escorregou, o segurador nos travou, estávamos muito bombados. No entanto, as desculpas protegem o ego e desviam nossa atenção para o que ele prefere que seja a situação, em vez de estar no que ela é de fato. Em vez de proteger o ego com desculpas, devemos destroná-lo.

Foto: http://knowledge.cotswoldoutdoor.com/

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As desculpas do ego interferem no processo de aprendizagem e como usamos nossa atenção. Ele cobre informações relevantes necessárias para a aprendizagem, como um véu escondendo uma joia. Portanto, o ego se protege focando nossa atenção no véu em vez da joia, sentindo-se no direito de tê-la – a aprendizagem – enquanto resiste ao trabalho necessário para merecê-la.

Para ir além da sensação de direito do ego, devemos mudar nossas expectativas. Não espere obter sucesso, espere exercer esforço. O esforço nos ajuda a retirar o véu para que possamos merecer a joia, e assim removemos as desculpas e revelamos a oportunidade de aprendizagem. Fazemos isso em três passos:

  1. Observar a mente distraindo nossa atenção.
  2. Identificar porquê caímos.
  3. Fazer as coisas de forma diferente na próxima vez que escalarmos.

Primeiro, observamos a mente. Percebemos que o ego foca nas conquistas, distraindo nossa atenção para o que ele prefere que a situação seja, em vez de vê-la como ela é. Portanto, observamos se estamos criando desculpas sobre o motivo da queda e paramos tal comportamento.

Segundo, existem motivos por termos caído. Quais foram? Quais pensamentos estavam na mente quando caímos? Precisamos ser objetivos para ver a situação como ela é. Descrevemos o que ocorreu para identificar alguma informação específica que causou a queda. Talvez um pé tenha escorregado, o segurador nos travado ou pensamos estar muito bombados para continuar a escalar, como mencionamos mais cedo.

Foto: http://dailymail.co.uk

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Terceiro, nós incorporamos a nova informação à nossa estratégia para o próximo esforço. Focamos nossa atenção em modificar nosso plano para testar a nova informação que descobrimos. Se nosso pé escorregou, então colocaremos nosso pé com mais precisão. Se o segurador nos travou, então o instruímos a nos dar corda da forma apropriada. Se a mente tem pensamentos sobre estar muito bombado, então nós os ignoramos e continuamos a escalar (em zonas de sim-queda). Estes três passos nos ajudam a estar mais atentos ao desejo do ego de proteger-se com desculpas, a coletar informação precisa sobre como melhorar nossa performance e testar essa informação.

Não há necessidade de prender-se em pensamentos de que a via seja injusta, o que alimenta a sensação do ego pelo direito. Se sentimos a necessidade de discutir “justiça” de uma graduação, o fazemos simplesmente para aprender como desenvolver nossa estratégia para a escalada.

Nós obtemos controle da situação ao destronar a sensação de direito do ego. Revelamos a jóia:  a oportunidade de aprender – removendo o véu de desculpas do ego. Fazemos isto mudando nossas expectativas. Em vez de esperar uma cadena, esperamos exercer esforço.

Dica prática: Queira exercer esforço

Existe um motivo pelo qual caímos. Qual é ele? Encontre-o usando este processo de três passos.

  • Perceba se você deu uma desculpa de porquê caiu e pare com isso
  • Descreva objetivamente o que ocorreu no momento em que você caiu
  • Mude sua estratégia para incluir a nova informação que você descobriu

Não espere o sucesso, espere exercer esforço.

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O livro “The Rock Warrior Way – Mental Training for Climbing” está à venda traduzido para a língua portuguesa no Brasil em: http://www.companhiadaescalada.com.br/

Tradução do original em inglês: Gabriel Veloso

Arno Ilgner distinguiu-se como um escalador pioneiro nos anos 1970 e 80, quando as principais ascenções foram as primeiras fortes e perigosas. Essas façanhas pessoais são a base para Ilgner desenvolver o programa de treinamento físico e mental – Rock Warrior Way ®. Em 1995, após uma pesquisa aprofundada da literatura e prática de treinamento mental e as grandes tradições guerreiras, Ilgner formalizado seus métodos, fundou o Instituto Desiderata, e começou a ensinar seu programa de tempo integral. Desde então, ele tem ajudado centenas de estudantes aguçar a sua consciência, o foco de atenção, e entender seus desafios de atletismo (e de vida) dentro de uma filosofia coerente, baseada em aprendizado de tomada de risco inteligente. Ilgner considera a alegria e satisfação no esforço – a “viagem” – intimamente ligada à realização bem sucedida das metas.

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