Como escolher uma calça de trekking

Conceitualmente a calça é relativamente simples: uma peça de roupa que cobre as pernas, da linha de cintura até perto do calcanhar. Mas no universo outdoor as calças (como também outros produtos) evoluíram e, dependendo do caso, foram impactados por modas, estilos e preferência.

As calças são uma boa opção para diminuir a sensação de frio, além proteger as pernas de objetos cortantes e pontiagudos. Preferencialmente as calças para trekking devem buscar a eficiência, nem tanto o visual e aparência. Porém esta exigência ganhou relevância em tempos de redes sociais, com milhares de fotos postadas, e toda uma geração de indivíduos bastante visuais.

Todos os anos são vendidos nas lojas de produtos outdoor, seja ela grande ou pequena, milhares de opções de calças, das mais variadas qualidades, estilos e modelos. Muitos modelos até se parecem muito, em termos de corte e caimento, uma com as outras. Mas a verdade é que existe sim alguns modelos melhores que os outros em termos de rendimento e eficácia.

Porém, como cada um de nós temos uma necessidade particular de uso de calças, que vão desde a vaidade até o rendimento excepcional, portanto é necessário salientar que para escolher uma calça de trekking é necessário saber qual o fim que ela terá. Além disso, é importante saber o seu uso, porque não é qualquer calça que devemos usar em um trekking.

Por que não devo usar calça jeans?

O primeiro erro que um praticante iniciante comete é apostar em jeans para um trekking. As calças jeans, ou mesmo de qualquer tipo de brim (tipo de tecido resistente, feito de algodão, linho ou fibra sintética) não servem para qualquer atividade outdoor. O motivo disso é bem simples, e não tem nada a ver com moda ou estilo: calças de jeans e brim absorvem a água muito facilmente e demoram a secar.

Além desta alta absorção, as calças jeans são pesadas, chegando a ter em média 500 gramas cada peça seca. Sendo assim, no momento que uma calça jeans molhar, ela irá praticante dobrar de peso, pois peças de algodão tendem a “chupar” demasiadamente toda a umidade e, infelizmente, demoram a secar. Portanto, uma calça jeans, quando molhada (até mesmo de suor) poderá fazer com que seu trekking seja algo agonizante. Além do peso e evaporação deficiente, tecidos de fibras naturais como o algodão, não oferecem bons índices de proteção UV.

Calças camufladas do exército, que geralmente possuem composição 67% Poliéster e 33% Algodão, também não são indicadas para trekkings longos. Este 33% de algodão irá reter muita água, aumentando sensivelmente seu peso. Apesar disso, o poliéster permite uma boa evaporação, mas não de maneira eficiente. Basta uma pequena chuva, ou mesmo uma travessia de córregos, para sentir que o rendimento de uma calça camuflada não é uma boa escolha para um trekking.

Além disso, um outro ponto a se destacar das calças camufladas vendidas largamente em lojas pelo Brasil, é que o tecido em poliéster tem um toque mais grosso e firme, com pouca elasticidade. Esta rigidez e ausência de elasticidade atrapalha no momento de fazer atividades físicas.

Principal tecido

Joelho no trekking

Joelho no trekking

Para as calças de trekking existem dois tipos de tecido largamente utilizados: poliéster e poliamida.

O poliéster está entre as malhas mais resistentes à luz e ao uso intenso. O tecido resiste a maior parte dos produtos químicos, secando rapidamente, é de fácil lavagem e não necessita passar. É considerada uma excelente opção para mochileiros, pois, como não amassam, estão sempre prontas para usar. O ponto fraco reside no fato de que o poliéster possui uma elasticidade baixa. Por este motivo que alguns fabricantes produzem peças com 90% poliéster e 10% elastano para contornar esta debilidade.

Já a poliamida é a mais nobre das fibras sintéticas. O tecido possui uma excelente absorção do suor, que facilita muito nos exercícios, além de excelente evaporação. O tecido é macio e seu toque é parecido com o do algodão, sendo muito leve e de secagem rápida, além de possuir ótima elasticidade. As calças de poliamida são as mais confortáveis para usar em temperaturas altas, devido à maciez e também por ter um toque “gelado”. Um ponto negativo com relação à poliamida é que, dependendo do fabricante (caso tenha escolhido um elastano de baixa qualidade) forma as “bolinhas” na lavagem.

Tanto poliamida quanto poliéster podem ter proteção UV. Esta proteção contra raios UV é aplicada momento da fiação do tecido, quando adiciona-se Dióxido de Titânio. Uma calça de treking, em média, pesa de 300 a 350 gramas.

Modelos

Os modelos de calças de trekking mais vendidos no Brasil são os modelos de verão. A justificativa para isso é bem simples: moramos em um país tropical que, salvo raras exceções, não tem um inverno rigoroso. Entenda por inverno rigoroso vários meses com neve na montanha e também nos lugares de trekking apropriados.

Os modelos de verão são mais finos e mais respiráveis, mas com uma baixa resistência ao vento e capacidade de isolamento. Portanto, não são as mesmas calças de trekking que irá usar em qualquer situação. Quem é praticante mais experimentado, possui um modelo para usar no verão e outro para usar no inverno.

Por no Brasil existir um período grande de tempo relativamente quente, muitos apreciam usar o modelo calça-bermuda. Este modelo é o dominante em lojas de equipamentos outdoor. Calças de trekking que não viram bermudas é uma exceção dentre o universo existente no Brasil. Este tipo de escolha das lojas reflete a preferência nacional dos clientes.

Como escolher uma calça de trekking

Como todo equipamento outdoor que vá comprar o conselho é o mesmo: nunca fique tendo seu principal parâmetro o preço. Prefira sempre a qualidade do produto.

Para trekkings no Brasil, privilegia tecidos mais finos e leves. Quanto melhor a sensação de conforto, principalmente ao toque, melhor para seu desempenho no trekking. Para trekkings em lugares com mata fechada, procure mais por robustez e resistência à abrasão. Preferencialmente evite as calças modelo “cargo”, que possuem excesso de bolsos proeminentes e, geralmente, serve mais a quem pratica pesca esportiva mas nem tanto a quem faz trekking.

Portanto, no trekking o minimalismo é importante, por isso procure sempre por modelos que não tenham excessos de bolsos nas laterais, especialmente os proeminentes. Os melhores modelos possuem bolsos voltados para a parte interna da calça e com fechamento em zíper.

Infelizmente no Brasil, a disponibilização de cores em calças de trekking ainda é limitada. Por um motivo cultural, apenas três cores são disponibilizadas: preto, cinza e cáqui. As grandes marcas no exterior já comercializam modelos com cores mais variadas e vivas, mas a moda ainda não chegou no Brasil que ainda aposta fortemente no modelo “trabalhador de zoológico” ou “monitor de safari”.

Além disso, procure por marcas que não apenas fabricam aquela calça, mas que também tenha uma postura de respeito ao cliente e a comunidade de montanha. As principais marcas outdoor se preocupam em patrocinar eventos, além de se preocupar com aspectos como ecologia e sustentabilidade. Esta preocupação identifica um esforço de identificação do público-alvo com a marca.

Diferentemente do que acontece com as grandes marcas da moda, as que exploram o universo outdoor sabe que a clientela praticante de esportes de natureza é mais exigente neste aspecto.

Se alguma marca que pretende comprar, nunca está envolvida em nenhum destes tipos de procedimentos, é muito provavelmente daquelas empresas interessadas apenas no seu lucro e menos da fidelização do cliente.

Argentina de nascimento e brasileira de coração, é apaixonada pela Patagônia e Serra da Mantiqueira.
Entusiasta de escalada, trekking e camping.
Tem como formação e profissão designer de produto e desenvolve produtos para esportes de natureza.

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