Como escolher uma cadeirinha de escalada – Guia Essencial

Utilizado em praticamente todas as modalidades de escalada a cadeirinha de escalada é um dos primeiros equipamentos que todo escalador deve adquirir. O motivo é simples: o equipamento é responsável por prover segurança ao escalador em momentos como queda, descanso quando suspenso e prover segurança ao companheiro de escalada.

A escolha da cadeirinha de escalada deve ser criteriosa e sempre deve priorizar o conforto, durabilidade e ter em mente que o último fator determinante na compra de uma cadeirinha deve ser o preço.

Por mais caro que possa parecer um produto a segurança e vida do usuário não se pode colocar um valor.

Entretanto um preço abusivo por parte de fabricante, vendedor ou importador também é inaceitável e deve o comprador comparar os preços do mesmo produto vendido no Brasil e exterior para avaliar se o negócio compensa.

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A aquisição de cadeirinhas de segunda mão (usadas) deve ser feita com muito critério e de preferência quando se conhece muito bem quem está vendendo, porque às vezes o proprietário anterior não era cuidadoso nem para guardar, ou para utilizar, o produto.

Fatores como estética, cores e textura nunca devem ser determinantes na escolha da cadeirinha.

Nomes e Sinônimos

O nome comercial oficial utilizado em praticamente todo território brasileiro por lojas (físicas e on-line) e academias é “cadeirinha de escalada”, não existindo variações dentro desta nomenclatura.

No Brasil, em especial na região do estado do Rio de Janeiro a cadeirinha de escalada é chamada de” Baudrier”, que é a palavra em francês que designa o equipamento, sendo assim pode ser que as lojas da região vendam o produto por este nome. Já em Portugal os escaladores, assim como o comércio em geral, utiliza a palavra “arnês”, uma variação da mesma expressão em espanhol para o equipamento.

O equipamento possui nomes distintos nos mais variados idiomas como:

  • baudrier (francês)
  • harness (inglês)
  • arnés(espanhol)
  • imbragature (italiano)
  • anseilgurte (alemão)
  • klimgordel (holandês)
  • Talabard (Catalão)

Definição

As cadeirinhas de escalada são, em síntese, um conjunto de fitas de alta resistência atadas por meios de costuras reforçadas e resistentes, de modo a envolver pernas e cintura do escalador ou praticante de atividades verticais. Quando suspenso pela corda, o escalador é colocado em posição de sentado, e por isso possui este nome “cadeirinha”.

Prioritariamente na parte frontal possui alças (superiores e inferiores) por onde a corda de segurança é atada. Estas mesmas alças são utilizadas para a segurança do companheiro de escalada que está escalando.

Itens de uma Cadeirinha de Escalada

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Fazem parte da cadeirinha os seguintes itens

  • Rack: Conjunto de alças rígidas, ou semi-rígidas, que permitem ao escalador portar equipamentos para serem utilizados durante a escalada.
  • Alça do Rack: Alça rígida, ou semi-rígida, na qual são colocados equipamentos de escalada.
  • Anel Frontal ou “Loop”: Anel de fita reforçada que é utilizado para prover segurança ao companheiro que está escalando. Também chamado de “Belay loop”.
  • Perneira ou Alça da perna: Alça ajustável para que seja colocada as pernas do escalador.
  • Alças frontais: Alças utilizadas para a passagem da corda ou para realização de técnicas verticais como o rapel, existindo uma alça superior (geralmente na faz parte da cintura) e uma alça inferior (faz parte das “perneiras”).
  • Fivela de ajuste da cintura ou “Waist Bukle”: São fivelas utilizadas para o ajuste das fitas da cadeirinha à cintura do escalador, com material de fabricação de liga metálica e resistente à abrasão.
  • Fivela de ajuste das pernas ou “Leg bukle”: São fivelas utilizadas para o ajuste da espessura das pernas do escalador. Modelos mais baratos, e simplificados, não possuem ajuste de perna, com material de fabricação de liga metálica e resistente à abrasão.

Tipos de cadeirinhas de escalada

Como o equipamento é utilizado em diversas atividades verticais, existe uma grande variedade de modelos disponíveis, cada qual para o uso específico.

É importante que o escalador tenha em mente para qual fim deseja adquirir a cadeirinha de escalada.

Cadeirinha básica

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A cadeirinha de escalada tipo básico é o modelo mais simples do equipamento. O equipamento é utilizado prioritariamente para escaladas em ” Top-rope”, especialmente em academias de escalada.

Não deve ser utilizada para realizar escaladas guiadas seja em ginásio ou rocha, muito menos para prover a segurança. Geralmente as fitas não são acolchoadas para desestimular a utilização deste equipamento em práticas de atividades que não seja o básico.

O uso prolongado, ao longo de horas, poderá causar desconforto ao usuário.

Cadeirinha de escalada esportiva

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São modelos de cadeirinhas de escalada com um maior aperfeiçoamento em seu design visando o conforto e performance do escalador, com ênfase neste último.

Por sempre procurar adotar o minimalismo em seus modelos, algumas vezes acaba por não oferecer todo o conforto necessário quando o escalador tiver de ficar muito tempo pendurado. Os modelos mais completos possuem ajustes de perna.

Sua principal característica é o seu baixo peso, tendo todas as fitas de contato com o corpo acolchoadas , mas ao longo de muitas horas pendurado pode causar desconforto ao usuário.

Cadeirinha de Big Wall e conquistas

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São modelos de cadeirinhas de escalada com uma grande preocupação com o conforto do escalador que ficará muito tempo (às vezes dias) pendurado.

Por possuir um volume de acolchoamento, além de maior área de contato à cintura e pernas do escalador possui maior peso do que uma cadeirinha de escalada esportiva. Geralmente as cadeirinhas de bigwall possuem rack com mais alças, ou alças com raio maior e mais reforçado.

Cadeirinha escalada em gelo

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Se assemelham muito à escalada esportiva, mas com um a inclusão de alças de rack nas alças da perna, para piquetas, e as alças do rack também são voltadas para baixo.

Os materiais do rack são reforçados para que os pesados equipamentos de escalada em gelo seja utilizados sem romper com o equipamento.

Cadeirinhas Integrais ou Body Arness

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São modelos de cadeirinhas de escalada voltadas para quem necessita de uma segurança maior em atividades verticais.

Muito utilizada por crianças abaixo de 12 anos. Também são utilizadas por profissionais para trabalho em altura, entretanto são modelos mais elaborados com várias opções de ajustes e alças para backup de segurança.

Como escolher uma cadeirinha de escalada

Foto: http://www.tauntonleisure.com

Foto: http://www.tauntonleisure.com

Como dito no início do artigo, o fator “preço” deve ser o último a ser avaliado na escolha de uma cadeirinha.

Os fatores para a escolha de uma cadeirinha deve ser:

  • Conforto: As fitas que estão em contato ao corpo devem ser acolchoadas, e de preferência todas com fivelas de ajustes (pernas e cintura). Nunca compre uma cadeirinha sem a experimentá-la antes.
  • Segurança: As fivelas de ajuste devem parecer seguras, e não devem “correr” em momento algum.
  • Certificação: Toda e qualquer cadeirinha de escalada deve possuir certificação do UIAA. Esta certificação atesta que o produto foi construído utilizando normas essenciais comuns à todo equipamento de escalada.
  • Uso: Avalie se está comprando uma cadeirinha para o uso o qual você mais utiliza. Não compre uma cadeirinha para escalada em bigwall somente porque tem vontade de um dia fazer a modalidade. Enumere quantas vezes por ano realiza atividades de escalada, e veja qual o estilo mais recorrente.
  • Preço: Uma cadeirinha de escalada boa não necessariamente é uma cadeirinha cara. Procure comprar preços e seu custo/benefício no momento de comprar.

Durabilidade e longevidade

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Foto: http://freshairfortcollins.com/

Muito se discute sobre a durabilidade e longevidade de uma cadeirinha de escalada. O principal fator a se avaliar a longevidade de uma cadeirinha de escalada é a frequência com que se escala, os locais de escaladas utilizados, quantidade de quedas (em especial fator 2) e local onde a cadeirinha fica guardada.

As cadeirinhas possuem data de fabricação, mas atenção: as datas de fabricação são dos artigos, não necessariamente do produto finalizado. O tempo aquisição de uma cadeirinha de escalada não é fator de determinação de durabilidade, pois é fundamental a frequência de uso, assim como o local guardado e locais de uso da cadeirinha.

Os fatores abaixo devem ser verificados no momento de avaliar a longevidade de uma cadeirinha de escalada e a sua real necessidade de troca.

  • Quantidade de quedas: Se o usuário sempre está sofrendo quedas frequentemente, por menores que sejam, deve sempre fazer inspeção visual de costuras, fivelas e acolchoamento. Escaladores esportivos de competições e ginásios necessitam trocar mais frequentemente o equipamento.
  • Locais de uso: Cadeirinhas de escalada que são frequentemente usadas em lugares com maresia, devem ter inspeções em fivelas, e acolchoamento. Um escalador que frequentemente escala em lugares secos possui um desgaste menor de seus equipamentos do que um que está em lugar úmido. Cadeirinhas de escalada utilizadas em rochas mais abrasivas tendem a se desgastarem mais do que em rochas menos abrasivas. Escaladores praticantes de chaminés e entalamentos de corpo, por exemplo, devem sempre verificar a abrasão do corpo da cadeirinha.
  • Local de armazenamento: Cadeirinhas de escalada devem ser guardadas em lugar afastado de produtos químicos, e de umidade excessiva. Após enfrentar uma chuva o escalador nunca deve deixar sua cadeirinha dentro da mochila, pois o acúmulo de mofo pode danificar o acolchoamento e fitas. Nunca se deve limpar a cadeirinha com produtos químicos ou em máquinas de lavar.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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