Como é a alimentação em alta montanha

Muita gente tem curiosidade e dúvidas com relação à alimentação na montanha. Ainda existe aquele mito de que comemos super-mal, que a comida é horrível e outras coisas do gênero.

Mas não e bem assim que funciona.

Temos duas situações bem distintas na montanha: o acampamento base e os acampamentos avançados, onde paramos durante a subida. No campo base, normalmente temos uma estrutura melhor, muitas vezes com cozinheiro, cozinha bem aparelhada (considerando a situação…) e barraca refeitório com mesas e cadeiras.

O cozinheiro é um dos principais membros do staff, já que sua responsabilidade dentro da expedição é enorme.

Foto: Lisete Florenzano

Foto: Lisete Florenzano

Assim, nossa comida é bem variada. Temos desde frutas até carne, passando pelos alimentos mais comuns como arroz, macarrão, legumes. A mesa do refeitório fica o tempo todo com muitas coisas, como batata Pringles, leite em pó, chás, garrafas térmicas com água quente, bolachas, chocolates, balas e todo o tipo de snacks.

No café da manhã temos desde panquecas, torradas, ovos de vários tipos, café, chá, salsicha… A ideia é que os escaladores se alimentem muito bem, já que o gasto de energia na montanha é altíssimo.

Já nos acampamentos avançados, não temos o cozinheiro e temos que levar nossa comida na mochila. Portanto, damos preferência para alimentos que não sejam pesados para carregar, fáceis de preparar, que tenham muitas calorias e que sejam gostosos.

Foto: Lisete Florenzano

Foto: Lisete Florenzano

As mochilas sempre vão com mais peso do que gostaríamos (é incrível isso!), portanto levar coisas pesadas para cima é inviável. Para a refeição principal, que é o jantar, geralmente usamos comida liofilizada ou comida pronta, embalada a vácuo.

Para a liofilizada temos que ferver a água, jogar dentro do pacote e esperar em torno de 10 minutos, para ela se hidratar e ficar pronta para o consumo. Foto: Lisete Florenzano

Já a comida pronta, colocamos o pacote fechado dentro de uma panela com água, deixamos ferver em torno de 10 minutos, abrimos o pacote e comemos.

Temos opções como macarrão com vários molhos, arroz de vários tipos com algum acompanhamento. Normalmente as boas marcas têm opções bem saborosas.

Para as outras refeições, que são o café da manhã e os lanches ao longo da escalada, cada um acaba levando o que “desce” melhor… aí é que entra a questão da comida ser saborosa…

Em altitude, nosso apetite fica muito prejudicado. Não temos fome e ficamos com aquele embrulho no estômago. Por outro lado, sabemos que estamos gastando muita energia e que precisamos nos alimentar da melhor maneira possível para repor esse gasto.

Mas não é fácil comer… assim, o melhor é levar coisas que gostamos MUITO de comer.

Não importa muito o que, mas de preferência muito calórico. Para exemplificar: meu café da manhã era cappuccino (aquele em pó), fácil de preparar e que gosto muito, paçoquinha, chocolate, às vezes uma bolacha com polenguinho, castanhas.

Para os lanches, a mesma coisa. Mesmo comendo tudo isso, perdemos peso!

Quanto a suplementos, acabamos não usando. Algumas pessoas até levam os “power gel”, mas para mim não funciona bem… Simplesmente me da um enjoo terrível lá em cima!

Foto: Lisete Florenzano

Foto: Lisete Florenzano

A hidratação é outra questão importante na escalada. Perdemos muita água, já que o ar é muito seco. Algumas pessoas gostam de colocar alguma coisa para dar um sabor, como chá, suco em pó. Cada um se adapta da melhor forma, desde que tome líquidos.

Vale muito a pena, se você for escalar alta montanha, trocar ideias com pessoas mais experientes. Com essas informações e com sua vivência, você vai descobrindo aos poucos o que funciona e o que não funciona para seu corpo.

Antes de levar suplementos, consulte um profissional da área. Hoje existem alguns profissionais especializados em esportes, que podem lhe ajudar e muito!

Foto: Lisete Florenzano

Foto: Lisete Florenzano

Foto: Lisete Florenzano

Foto: Lisete Florenzano

Lisete Florenzano é escaladora há mais de 10 anos, e uma das brasileiras de maior destaque na prática de alta montanha. É formada em Engenharia Mecânica, com mestrado em Bioengenharia, pela USP de São Carlos

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