Entevista com Clara Marquès do Climbing For Guapas

Empreendedorismo é o processo de iniciativa de implementar novos negócios ou mudanças em empresas já existentes. Muito mais importante do que jogar confetes em cima de alguém que encadena uma via de escalada, é também valorizar quem busca tornar a atividade de escalada sustentável. De acordo com uma pesquisa realizada por uma agência especializada, ao menos 60% da população sonha em abrir uma empresa. Mas entre o sonho e a realidade, muitas vezes reside o medo de não dar certo e até a desconfiança da própria capacidade de enfrentar e vencer o desafio.

Vencer o medo, apostar no feeling, além, claro, de trabalhar muito, é a receita para trilhar o caminho do sucesso. Esta é a melhor descrição do “Climbing For Guapas”, uma empresa espanhola que fabrica roupas para escaladoras. O objetivo da empresa não é confeccionar roupas técnicas, mas indumentária no estilo lifestyle para o público feminino. Para muitos seria apostar no “nicho do nicho”. Pelo retorno que a empresa teve, além da reação do público feminino com as peças de roupas vendidas pela Climbing For Guapas.

Além disso há uma pegada feminina legítima e sem estrelismos ou exagero. Tudo isso forma uma marca com identidade, espirito e, principalmente, personalidade.

Para saber um pouco mais sobre como é empreender para um público complicado como é o da escalada, a Revista Blog de Escalada foi procurar a marca para conversar sobre o assunto. Fomos prontamente recebidos por Clara Marquès, que respondeu pacientemente cada uma das perguntas.

Qual foi a motivação de criar e administrar o “Climbing For Guapas”?

A Climbing For Guapas nasceu em julho de 2017, com a intenção de dar suporte e visibilidade, além de criar dentro do universo da escalada feminina. Da sensação que na escalada existiam poucas mulheres, mas na verdade… Somos muitas!

A intenção da CFG, além disso, é fazer ser conhecida muitas escaladoras anônimas dentro do território espanhol e na América do Sul. Conhecemos muitas escaladoras norte-americanas ou europeias. Mas quantas espanholas ou sul-americanas são seguidas nas redes sociais?

Outras das premissas também é fomentar o “No judgement“(sem julgamento). As mulheres são livres e devemos escalar sem ser julgadas por nossa aparência, o grau, o tipo de escalada, etc. O principal é que todas somos movidas pela mesma paixão, seja escalando de top rope, fazendo vias de iniciante ou batendo recordes nos crux mais difíceis.

TODAS somos guapas (bonitas, em espanhol), já que a paixão que destilamos escalando, assim nos fará sermos vistas.

Vocês possuem uma presença muito forte nas redes sociais. Qual é o segredo?

Por atrás disso existe muito trabalho de difusão, mas acredito que a marca gerou muita repercussão.

Isso devido ao fato que realmente existe uma necessidade e vontade de reunirmos entre todas, para escalar entre mulheres, conhecermos todas, compartilhar…

Com muitos coletivos de mulheres organizados, muitos podem pensar que é difícil ser mulher na escalada. É difícil?

Não que seja difícil ser mulher dentro da escalada, o que existe são certas diferenças com o coletivo escalador masculino. Somos em número muito menor e isso faz com que haja muito mais conquistadores homens que mulheres. Portanto, existem mais vias de certos estilos.

Existem menos opções de material/equipamento para as mulheres, não existe muita informação sobre treinamentos específicos para mulheres, nem informação sobre a escalada e gravidez/pós parto e lactância, escalada em menopausa, pedagogia familiar na escalada, etc…

Você possui uma loja on-line com muitas coisas para escaladoras. Como é fazer negócios para a comunidade de escalada?

Vimos que havia um evidente nicho de mercado no que se refere a roupas para escaladoras. A maioria das marcas que fazem linhas para mulheres, possuem pouca variedade e são peças caras. A outra opção que a escaladora tem para escolher é a Decathlon, que possui bons preços, mas também falta algo de variedade. No final todas estamos vestidas igual.

Climbing For Guapas se concentra sobretudo nos tops e leggins. Creio que existem outras marcas que fazem muito bem calças de escalada para mulher, então preferimos optar por shorts esportivos, leggins, tops, regatas…

O que aconteceu é que a roupa teve uma grande receptividade, nos motivando muito a poder oferecer novos modelos a cada temporada.

Como foi o retorno das mulheres da comunidade ao Climbing for Guapas?

Em geral o feedback é muito bom. Adoramos receber mensagem de nossas seguidoras, agradecendo o trabalho de difusão do coletivo e clientes muito contentes com suas peças de roupas. Nos emociona ver que cada vez mais a marca vai se consolidando e que contribuímos para que se conheçam e organizem grupos de mulheres para escalar ou compartilhar viagens, informações de setores…

Vale destacar também que existem homens que também perceberam a marca, nos também pedindo roupas a eles com nosso estilo, nos ajudando a divulgar nossa marca.

A [email protected] [email protected] envio meus enormes agradecimentos.

Quais são as inspirações de produtos na sua loja?

Como comentei acima, imos uma clara carência no setor têxtil feminino no momento de conseguir roupa cômoda e bonita para escalar. Adoramos as cores, os estampados chillones e a maioria de nossas peças possuem cores muito vivas. Nos últimos meses, cresceu nossa clientela mais juvenil (adolescentes), que preferem roupas mais discretas e por isso começamos a vender também tops e leggins com cores mais escuros, cinzas, negras, violeta escuro…

Uma coisa que é MANDATÓRIA para a gente, é que os tops tenham as costas bastante visíveis. Somos muito fãs de tops com tiras finas cruzando, por isso quase todos os modelos o possui.

Outra coisa a se destacar é que cada peça de roupa leva um nome de um setor de escalada. Seja de boulder ou esportiva. Somos uma marca de escalada ou não?

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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