Choque anafilático: O que fazer quando encontrar abelhas na escalada

O choque anafilático, também conhecido como anafilaxia, é uma reação alérgica que surge momentos após estar em contato com uma substância a que se tem alergia. Este tempo de reação pode variar de minutos até mesmo segundos. Existem muitas substâncias as quais as pessoas possuem reação alérgica: como camarão, veneno de abelha e até mesmo alguns medicamentos.

A herança genética é a base para se ter alergia, entretanto ela só será desencadeada com a exposição a fatores ambientais. Pode acontecer com qualquer pessoa, em qualquer faixa etária. Atualmente é considerada um problema de saúde pública por acometer cerca de 10% a 20% da população mundial.

As picadas por insetos, principalmente vespas e abelhas, podem acontecer facilmente para nós, montanhistas e escaladores. Os sinais clássicos do choque anafilático (ou da reação alérgica grave) são:

  • Dificuldade em respirar com chiado
  • Coceira e vermelhidão na pele
  • Inchaço da boca, olhos e nariz
  • Sensação de bola na garganta
  • Dor abdominal, náuseas e vômitos
  • Aumento dos batimentos cardíacos
  • Tonturas e sensação de desmaio
  • Suores intensos
  • Confusão ou desmaio

Os dois sinais clássicos do choque anafilático (ou de uma reação alérgica grave) é a diminuição da pressão arterial e dificuldade para respirar (envolvendo ou não broncoespamos, edema da glote, etc…). Por isso, faz parte das boas práticas de qualquer pessoa que saia de casa, se informar quem do grupo o qual faz parte é alérgico e se está portando os medicamentos necessários para alguma eventual emergência.

Perigo para montanhistas

Mas por que montanhistas e escaladores devem saber tratar, ou mesmo se prevenir, de um choque anafilático? Porque grande parte dos lugares de montanhismo, sobretudo os de escalada, são sempre procurado por abelhas, vespas e maribondos para moradia. Frequentemente há histórias de escaladores que sofreram um ataque de algum enxame durante uma escalada. Até mesmo quem pratica trekking está sujeito a ser surpreendido com algum enxame.

Como há na população mundial um número considerável de pessoas com alergia, ou seja propensas a terem um choque anafilático, é importante saber ao menos quais os procedimentos para prevenir de algum sinistro. Isso porque em alguns casos o choque anafilático pode ser fatal. Mais de 90% dos casos de choque anafilático são desencadeados a partir do contato da pele com o alérgeno (a substância que desencadeia a reação alérgica).

Você, caro leitor, pode não ser alérgico, mas muito provavelmente conhece alguém que é. Portanto, para pessoas que são alérgicas a alguma substância, como picadas de insetos, ou mesmo já teve no passado algum quadro que envolvesse uma reação alérgica exacerbada, é importante saber sobre o tratamento.

Para emergências, a escolha mais comum são:

  • De 0,3 a 0,5 mg de Epinefrina 1:1000 via intramuscular (injeção de uma substância diretamente dentro de um músculo)
  • Difenidramina (ou outro anti-histamínico, como por exemplo “Polaramine”, “Fenergam”, “Histamin”, etc… )
  • De 50 a 60 mg de prednisona (se for adulto), por até 5 dias

Portanto, para quem realmente se preocupa em possuir um kit de primeiros socorros eficiente, que não tenha somente cortador de unhas, água oxigenada, mertiolate, gaze e esparadrapo, leve em consideração também levar um antialérgico. A epinefrina também pode ser conhecida como adrenalina e é vendida nas farmácias convencionais com receita médica, sob a forma de seringa pré cheias com 1 dose de epinefrina para injetar no músculo.

Um item interessante de ter no kit de primeiros socorros é a caneta de adrenalina auto injetável. Uma das marcas mais famosas no mercado é EpiPen. Uma outra marca disponível para o público é Anapen. O produto é vendido nas dosagens de 150 e de 300 microgramas, numa solução injetável em seringa pré cheia. Atualmente o produto ainda não foi homologado pela ANVISA.

Para quem deseja adquirir a “caneta”, o produto pode ser comprado na Europa ou mesmo ser feita encomendas em empresas farmacêuticas. Em países em que ela é liberada, a venda é realizada em farmácias com apresentação da prescrição médica e cada seringa custa cerca de US$ 100. O kit vem com duas unidades.

O Ministério da Saúde afirma que a epinefrina está disponível no SUS e que o seu uso ser restrito exclusivamente a hospitais é para evitar o uso indiscriminado do medicamento.

Uma injeção de epinefrina rapidamente melhora a respiração, estimula o coração, aumenta a pressão arterial, avança a colmeia e reduz o inchaço do rosto, dos lábios e da garganta. A epinefrina pode ajudar a tratar uma reação alérgica grave, mas não substitui o atendimento médico.

Além disso, no caso de um ataque maciço, é importante retirar os ferrões um por um com uma pinça. No momento da retirada, é necessário ter o cuidado de evitar a inoculação do veneno que ainda existe no ferrão. Isso porque durante a picada apenas um terço do veneno contido no ferrão é inoculado na vítima. O restante fica no aparelho inoculador, situado na extremidade proximal do ferrão.

O ideal é usar mesmo uma lâmina tipo “gilete” para remover os ferrões.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

There is one comment

  1. Matias Valladão

    Muito bom o artigo!
    Eu fui atacada por um enxame de abelhas no começo do ano, escalando com amigos no morro Sapucaia-RS.
    Eu tinha escaldo até o topo, e me desamarrado pois meus amigos queriam guiar a via que era fácil (V grau). Como eu ainda não conhecia o lugar fui dar uma volta no cume. E enquanto isso meus amigos viram um enxame passando ali perto, mas não gritaram para não atrair as abelhas! Eu percebi que eles estava demorando e fui até a ancoragem ver o que estava acontecendo, chegando lá já tomei uma picada na nuca, e dai pra frente foi só almentando!!! Elas vinham de todos os lados e soltavam um cheiro muito forte! Eu me encoli no chão cobrindo o rosto com as mãos e gritava por ajuda, mas meus amigos só conseguiam chegar até a metade da via, por que as abelhas começaram a descer e atacar eles também!!! Neste momento eu percebi que eles não conseguiram me resgatar, e eu teria de descer sozinho. Foi aí que veio uma calma e um foco que eu desconhecia de mim mesmo, fui desescalando prendendo a minha alto seguro nas proteçoões, e fazendo meus movimentos bem fixos e cauteloso para não despencar de lá de cima ( a via chega a quase 27m) neste momento as picadas já não doíam mais, eu só senti um calor intenso, estava muito focado para não desmaiar . Ao chegar no meio consegui me prender a corda, e meu amigo me desceu com o ferio, ao chegar na base saímos correndo pelo mato até chegarmos ao carro, onde nossos amigos já haviam acionado o Samu!
    Passei o resto do dia tirando ferrões na sala de emergência do hospital, as enfermeiras me disseram que chegaram a quase 500 picadas, meus braços e corpo estava cobertos de ferrões, principalmente na região da nuca e próximos ao sovaco ! Por muita sorte que eu não sou nem um pouco alérgico e sobrevivi para contar a história!
    Meus amigos também tomaram picadas e por sorte não tiveram reações graves!
    Após o ocorrido fui pesquisar sobre o assunto! Vi quem muitos artigos falam para evitar fazer barulhos quando próximo a um enxames, não usar roupas pretas ou vermelhas que isso atrai e estressa as abelhas! E se possível espantalas com fumaça. E é essencial manter a calma e não fazer movimentos bruscos ou gritar, pois isso também as agita! E se tiver espaço pra correr, faça isso em zigue-zague e tente passar por plantas que ajudam a retira o cheiro do ferormônio que elas liberam.
    E sempre q puder se informar em que época que ocorre os enxameamentos, época onde as abelhas trocam de colmeia, que ocorre no outono e na primavera.
    Muito bom o artigo, e lembrando se trata de uma relação de respeito aos animais nos é que estamos invadindo seu território!

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