Cholitas escaladoras da Bolívia chegam ao cume do Aconcágua

Uma das notícias mais esperadas do universo de montanha de 2019, especialmente na América do Sul, aconteceu. As cholitas escaladoras da Bolívia chegaram ao topo do Monte Aconcágua (6.962 m), na tarde de ontem. Desta maneira Lidia Huayllas Estrada, Dora Magueño Machaca, Ana Lía Gonzáles Magueño, Cecilia Llusco Alaña e Elena Quispe Tincutas, cinco trabalhadoras das montanhas da Bolívia, realizaram o sonho de chegar ao teto das Américas.

A notícia era muito esperada por um motivo que, infelizmente, incomoda a muitos montanhistas da América do Sul: a baixa inclusão social no montanhismo. Um das caraterísticas mais marcantes na prática de esportes de montanha no continente, é a acentuada falta de diversidade. Praticamente é inexistente indígenas praticando montanhismo, ainda mais mulheres. Dentro da comunidade este tipo de dado é pouco debatido e a escalada das cholitas é uma iniciativa de diminuir esta diferença.

Durante qualquer viagem pela Bolívia, que mais é visto são as Cholitas (diminutivo de “Cholas”, termo pejorativo para designar indígenas que migravam para as cidades no início do século XX), que são as mulheres indígenas que usam um chapéu pequeno na cabeça, vestem saias coloridas e carregam nas costas uma bolsa de pano ainda mais colorida.

Estas cholitas escaladoras são esposas, ou irmãs, de guias e carregadores das montanhas da Bolívia. Todas trabalham fundamentalmente no Huayna Potosí (6.088 m). Todas estas mulheres trabalham junto aos homens nas tarefas de logística e acampamentos para muitos montanhistas que frequentam a região. Não faz muito tempo, estas mesmas mulheres decidiram formar um grupo com o objetivo de começar elas mesmas a subir as montanhas mais altas de seu país.

Todas estas mulheres de origem indígena, que vivem na cidade boliviana de El Alto (4.200 acima do nível do mar) sobem as montanhas com saias coloridas, sua identidade mais marcante e que remete à vida no campo na Bolívia. Estas cinco cholitas trabalham como cozinheiras, ou até mesmo de carregadoras, e suas idades variam de 24 a 50 anos de idade. Já acostumadas com o frio, vento e aridez da vida na alta montanha, escalar montanhas parece não ter dificuldade a estas mulheres.

Além do Aconcágua, conquistado no dia de ontem, também subiram Huayna Potosí (6.088 m), Acotango (6.050 m), Parinacota (6.350 m), Pomarapi (6.650 m) e Illimani (6.462 m). Todas cholitas chegaram no dia de ontem ao cume do Aconcágua em aproximadamente 16 horas.

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