Distância entre as proteções: Qual a distância ideal entre chapeletas para equipar uma via?

Muito bons seus artigos, especialmente para quem está começando. Vivemos perto de uma falésia que planejamos equipar, mas gostaria de saber qual a distância que devemos colocar as chapeletas, assim como qual o diâmetro que devem ser colocadas nas paradas.

Esta é uma pergunta muito difícil de responder com uma resposta bem objetiva.

Vamos ao mais fácil: os parabolts (incluindo as paradas) devem ser de, pelo menos, 3/8″ de diâmetro e o comprimento depende do tipo de rocha. Se é granito de boa qualidade, pode usar três polegadas de tamanho (aproximadamente 7,5 cm), mas se a rocha é de qualidade não tão boa aconselho de 3,5 a 4 polegadas. Também depende da rocha e se está à beira do mar, porque a umidade salinizada é inimiga dos parabolts. Neste caso existem ocasiões que não duram mais que dois anos. Nestes casos (falésias próximas do mar) são usados impreterivelmente titânio.

Já em uma rocha “macia” (como o calcário), podem ser usados parabolts com diâmetro de 12 mm e um tamanho mínimo de três polegadas (7,62 cm). Estes parabolts se instalam na rocha com algum tipo de cola especial, que podem ser vendidas pelo próprio fabricante.

Distância entre as chapeletas

Já com respeito à distância das chapeletas, você já deve saber de antemão que este é um assunto bastante polêmico e discutido de maneira incansável nos últimos 30 anos. Muitas vezes com vários xingamentos e ameaças dos mais diversos tipos.

Você encontrará no Chile vias com chapeletas distanciados a cada 80 cm, em vias de 25 metros, entretanto cada conquistador defende sua postura como se fossem escritos em uma Bíblia que confirma sua teoria.

Deixe-me ser mais objetivo: até hoje já tentaram normatizar este assunto, saindo até mesmo documentos (tanto na Europa quanto na América Latina) que inspiraram as linhas abaixo.

Talvez o único ponto em comum em todo escalador é que deve-se prestar atenção para que ninguém chegue ao chão em caso de queda. Neste caso o melhor é colocar as proteções logo no início da via suficientemente perto para que evite uma queda do escalador no chão.

Um bom exemplo seria a primeira chapeleta ser equipada de maneira que os pés estivessem próximo do solo algo como 1,5 metro. Algo como uma sensação de que estaria escalando um boulder. Já a segunda proteção deveria estar a pelo menos um metro da primeira e a terceira não ultrapassando 1,5 metros. Que fique claro que estas medias são muito subjetivas, porque dependerão da possibilidade de clipar a costura. As proteções seguintes podem ser mais distantes, mas observando que a quarta ou quinta sejam demasiadamente distantes (como quatro metros por exemplo), porque no exemplo que estamos seguindo pode fazer o escalador cair no chão.

A distância também depende de como está a via, porque as partes mais duras (conhecida como crux), que são difíceis de equipar, colocar uma chapeleta significaria que seria necessário passar ou que o próprio crux seria equipar. Neste mesmo caso, uma chapeleta imediatamente antes da passagem difícil é uma medida inteligente para proteger o escalador e que, em algumas ocasiões, pode significar, que esta chapeleta fique mais perto ou mais longe das de acima ou de abaixo.

A experiência sensorial do escalador é muito importante, porque quando equipar uma via de escalada deve lembrar como são as chapeletas enquanto escala, assim como suas distâncias, o caminho da linha da via, etc. Este tipo de filosofia pode ser uma faca de dois gumes, porque é obvio que quem escala em setores onde as chapeletas são distantes equipa desta maneira, e vice-versa.

Para finalizar afirmo: o critério é o mais importante. Lembre-se que equipa-se uma via de escalada para outros escaladores, ou seja, deve ser o mais empático (caracterizado por ou baseado em empatia) possível e lembrar que uma via a qual está sendo conquistando, suas chapeletas serão utilizadas por muitos e muitos anos. Portanto a segurança de todos os que escalem sua via estará sempre acima de discussões sobre ética de escalada, a qual até hoje ninguém se colocou de acordo.

Quando equipar uma via de escalada, trate de divulgá-la, com algumas pessoas irão criticá-lo e apontarão erros, mas também outras pessoas irão agradecer imensamente. Preocupe-se também com NUNCA equipar uma via de escalada em cima de ninhos de pássaros, ou mesmo perto deles.

Tradução autorizada de: http://rocanbolt.com

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Gonzo Rocanbolt é chileno, médico, escalador e indiscutivelmente uns dos mais completos autores de artigos sobre treinamento de escaladores existentes no mundo. Respeitado em todo o mundo é o organizador do Simpósio de Medicina de Montanha no Chile e palestrante de eventos de escalada no Chile, Argentina e Espanha

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