Grandes nomes do esporte: Catherine Destivelle

Muito antes de qualquer outra escaladora chamar a atenção em um esporte com ambiente predominantemente masculino como a escalada, uma francesa de pouco menos de 1,70 metros (1,67 m para ser mais exato) assombrava o mundo com sua técnica e força acima do normal: Catherine Destivelle.

Não bastasse ser uma escaladora muito acima da média do que homens e mulheres da época, também ostentava o “título” de musa, rivalizando ainda com a americana Lynn Hill o título de melhor escaladora do mundo. Sua escalada mais icônica foi a ascensão em solitário da face norte do Eiger em apenas 17 horas.

A importância de Catherine Destivelle para a escalada pode ser comparada à mesma que os Beatles tiveram para a música e cultura mundial. A própria escaladora britânica Shauna Coxsey, campeã mundial de escalada esportiva e dos grandes nomes mundiais do esporte, já declarou que se inspira na francesa.

O início

Em 24 de julho de 1960, Catherine Monique Suzanne Destivelle, a sexta filha de quatro irmãs e um irmão, nasceu na cidade argelina de em Orán, localizada a noroeste do país. Seu pai era um escalador amador e sempre levava os filhos para atividades outdoor.

Seus pais, que eram franceses, decidiram voltar ao país de origem quando Catherine era ainda pré-adolescente, quando a futura escaladora foi matriculada no Lycée Corot em Savigny-sur-Orge. Logo aos 12 anos de idade já tinha se tornado membro do Club Alpin Français (Clube Alpino Francês) e começou a praticar boulder em Fontainebleau, escalada esportiva em Burgundy e alpinismo em Massif des Écrins (4.102 m).

Desde o início, Desteville já demonstrava grande habilidade, além de resistência e enorme entusiasmo ao praticar as atividades. Já aos 17 anos de idade Catherine já escalava em alto nível e praticava alpinismo melhor do que muitos dos atletas profissionais da época. Logo que terminou o segundo grau, Desteville entrou para Ecole de kinésithérapie de Paris para cursar fisioterapia. Após se formar, praticou a profissão de 1981 a 1985, quando na época se afastou das atividades de escalada.

Carreira de escaladora profissional

Somente em 1985, quando retornou a dedicar-se ao esporte, é que abraçou a carreira de escaladora profissional. Por sua técnica apurada e entusiasmo, participou de vários programas de TV na Europa e foi chamada para competir em campeonatos do continente.

Ela topou a ideia e em 1986 participou do evento que é considerado o primeiro campeonato mundial da história: Sportroccia (organizado em Bardonecchia e Arco). Catherine Destivelle venceu a competição e é considerada até os dias de hoje como a primeira mulher campeã mundial de escalada.

Durante a década de 1980, protagonizou uma rivalidade com a escaladora americana Lynn Hill, alternando vitórias com ela em várias competições. As disputas mais notáveis foram em Grenoble e Snowbird (primeira competição internacional de escalada dos EUA) nos anos 1988 e 1989.

Na década de 1990, Desteville parou de competir profissionalmente e se dedicou mais ao alpinismo, a qual declaradamente era sua verdadeira paixão. Junto do americano Jeff Lowe, realizou várias expedições que marcaram a história do esporte. Isso porque o americano era o mais ousado, criativo e inovador escalador da época.

Uma de suas maiores realizações, a escalada em estilo solitário na face norte do Eiger, foi possível graças à combinação de sua evolução física (graças ao treinamento de Lowe) e ensinamentos do alpinista americano. Na década de 1990 já era considerada a melhor escaladora da história, e sua escalada em solitário na face norte do Eiger a tornou imortal no esporte.

Na mesma década, Desteville escalou a face sudoeste da Shishapangma (8.027 m), face sul do Annapurna (8.091 m) e tornou-se a primeira mulher a escalar a “Torre sem nome” no Karakoram.

Realizou várias expedições à Antártica, em uma delas fez a primeira ascensão do “Peak 4111”. Nesta mesma expedição, Catherine sofreu uma queda de 20 metros e teve de abortar a expedição. No acidente, Catherine Destivelle fratura exposta na perna.

Após recuperar-se do acidente, Catherine Destivelle se casou com Érik Decamp em 1996. Um ano após o casamento, Catherine teve seu único filho, Victor. Mesmo com a maternidade, Desteville continuou a praticar escalada em solitário até o final da década de 1990.

Ao terminar as atividades de escalada solo, Catherine Destivelle passou a se dedicar a palestras e escrever artigos. Em 2011 fundou a Les Editions du Mont Blanc, editora especializada em livros sobre montanismo e alpinismo.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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