Austríacos brilham nas vias guiadas do Campeonato Mundial de Escalada em Innsbruck

A primeira parte do Campeonato Mundial de Escalada do IFSC disputado em Innsbruck tiveram como destaques os escaladores prata-da-casa Jakob Schubert e Jessica Pilz como os grandes vencedores. Na competição, são disputadas acirradas disputas nas três modalidades: vias guiadas (lead), boulder e velocidade (speed). No final de semana todos os atletas se dedicaram nas competições de vias guiadas. Ao longo desta semana competições de boulder e velocidade serão realizadas até o dia 16 de outubro.

Ao todo, são 531 atletas de 57 países na cidade austríaca de Innsbruck que disputaram na quinta-feira e sexta-feira passada as provas eliminatórias, com as semifinais e finais no sábado e domingo, respectivamente. A semifinal da categoria feminina teve vários empates entre quatro escaladoras, o que obrigou a uma inédita final com 10 atletas. O cronômetro também foi utilizado para decretar a campeã, Jessica Piltz, em relação à eslovena Janja Garnbret por uma diferença de 11 segundos. Garnbret era a atual campeã da modalidade e defendia o título.

 

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No masculino havia uma expectativa para o resultado, pois estrelas da atualidade como o escalador tcheco Adam Ondra e o alemão Alex Megos, estavam competindo. Mas o austríaco Jakob Schubert de 27 anos, para delírio do público presente, sagrou-se campeão. No masculino o desempate foi feito utilizando o critério de melhor classificação na semifinal. Este foi o segundo título do campeonato mundial de Jakob Schubert, que também havia vencido em 2012.

O domínio de atletas da Eslovênia e Japão foi o destaque de todas as competições de vias guiadas. Os dois países, que possuem um planejamento de jovens atletas, colhem o resultado positivo e, até certo ponto, exuberante. Ambos os países adotaram a prática de eliminação de apadrinhamento e buscaram eliminar todos os conflitos de interesses nas organizações de campeonatos. O resultado deste tipo de profissionalismo, quando cobram os atletas atitudes maduras e comprometidas, pode ser visto pelo domínio de ambos os países nas semifinais e finais.

 

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Atletas sul-americanos

Os atletas sul-americanos demonstraram boa evolução, se comparado os resultados obtidos na última edição. Países que inveteram mais na formação de novos talentos da escalada, assim como uma administração pouco corporativista, como Chile e Equador, obtiveram resultados mais consistentes. Particularmente para atletas brasileiros, a discrepância entre os resultados apresentados no Brasil com os obtidos no campeonato mundial levanta questionamentos a respeito dos modelos de campeonatos e montagem de vias.

Os atletas brasileiros que estão há quase três meses escalando seguidamente em estruturas e campeonatos, mas ainda sob treinamento utilizado no Brasil, não mostraram resultados significativos. A única esperança destes atletas tende a ser as competições continentais, as quais ao menos um atleta deve vencer para se classificar para as Olimpíadas de Tóquio 2020. Até o momento, muitos dos treinadores envolvidos neste processo olímpico e, principalmente, os route setters não buscaram reciclar seus conceitos com cursos no IFSC. Nos torneios realizados no Brasil, mesmo recebendo um aporte significativo do governo federal, não houve desejo de convidar algum profissional renomado internacionalmente para oferecer treinamento.

Entretanto, este tipo de planejamento parece não ser exclusividade do Brasil. Na América do Sul, não há uma preocupação com a formação de profissionais capacitados e sincronizados com os conceitos modernos de treinamento de atletas e elaboração de vias de campeonatos. As iniciativas mais notáveis, que são as que mostram resultados internacionais, estão no Chile (que já organiza há dois anos o Simpósio de Ciência de Escalada) e Argentina (que possui um dos mais respeitados treinadores de escalada do Mundo).

A melhor atleta sul-americana foi a chilena Alejandra Contreras, que ficou em 53º de um total de 101 atletas. A chilena ficou a 27 atletas de passar à semifinal. A atleta brasileira melhor colocada ficou a 47 posições e abaixo de atletas da Venezuela e Chile, ocupando a 73º posição.

O melhor atleta sul-americano colocado foi o também chileno Ronny Escobar, que ficou em 59º de um total de 123 atletas. O chileno ficou a 35 atletas de passar à semifinal. O atleta brasileiro melhor classificado foi o paulista César Grosso que ficou em 75º

 

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Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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