Surpresas no masculino de boulder e apresentação do formato olímpico revelam favoritos para Tóquio 2020

Após 10 dias intensos de competições, terminou ontem o Campeonato Mundial de Escalada do IFSC. No último dia houve a apresentação oficial do formato olímpico pelos atletas melhores classificados. O principal nome de toda a competição foi de Janja Garnbret, de apenas 19 anos de idade, que demonstrou ser a atleta mais versátil da história e uma das escaladoras mais fortes da atualidade.

O evento foi cercado de grande expectativa por ter sido a estreia oficial do formato olímpico pelo IFSC. Os seus melhores classificados do masculino e feminino nas modalidades de boulder, via guiada e velocidade se classificaram para competir em uma espécie de “final combinada”.

 

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A ordem das provas, disputadas todas no mesmo dia, foi, respectivamente, velocidade, boulder e dificuldade. Entre as mulheres a mais rápida foi a coreana Sol Sa. Quando foram disputar o boulder a eslovena Janja Garnbret, que já tinha ganhado a disputa de boulder na sexta-feira, voltou a ganhar com superioridade e esbanjando técnica. Após o boulder as mulheres foram disputar as vias guiadas, que teve um empate entre Jessica Piltz e Janja Garnbret.

Desta vez, diferentemente do que aconteceu na disputa “isolada” de vias guiadas, Janja Garnbret foi mais rápida e ficou com o ouro. Assim a eslovena consagrou-se como a melhor atleta do torneio, com prata em vias guiadas, ouro no boulder e outro ouro na disputa combinada.

 

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No domingo foi a vez dos homens disputarem o formato olímpico. O austríaco Jakob Schubert foi o vencedor da disputa de velocidade, deixando Jan Hojer em segundo. Schubert voltou a vence no boulder, reafirmando sua performance nas etapas da copa do mundo. Mas o maior espetáculo do dia ficou para a disputa nas vias guiadas, que tinha um título quase garantido para Adam Ondra.

Porém Jakob Schubert conseguiu algo considerado improvável: superar Adam Ondra. Assim, de maneira soberba, Jakob Schubert foi o campeão do mundo na combinada.

Surpresas no masculino de boulder

 

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O Campeonato Mundial de Escalada de 2018 foi considerado o mais disputado, com nível muito forte, de todos os tempos. Muitos favoritos acabaram nem se classificando para as finais, como Adam Ondra no boulder masculino e Alex Puccio no boulder feminino. No total, Áustria e Eslovênia ficaram empatadas no quadro de medalhas, conquistando quatro. A Eslovênia se destaca como grande potência do esporte por conseguir dois ouros para Janja Garnbret. A Coréia do Sul conquistou três medalhas e República Tcheca, Japão, Polônia e Rússia ficaram com uma medalha.

Porém a maior surpresa ficou por conta da não classificação de Adam Ondra no masculino. Sua colocação, um surpreendente 17º, evidenciou o distanciamento entre escaladas em campeonatos e na rocha. Atualmente o escalador tcheco é considerado o melhor escalador esportivo do mundo, mas no Campeonato Mundial do IFSC não conseguiu impor sua superioridade técnica. O Japão mostrou ser uma das grandes potências mundiais no esporte e classificou nada menos do que metade dos finalistas. O campeão ficou com Kai Harada, de apenas 19 anos, que teve uma atuação quase perfeita, conseguindo top em todos os boulders. O segundo colocado foi o coreano Jongwon Chon e Gregor Vezonik da Eslovênia em terceiro.

 

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Muitas pessoas reclamaram das condições de vários atletas nas competições de boulder, tanto masculina quanto feminina. A amplitude térmica, que variava de 18°C no início das provas às 10:00 para 27°C no final das classificações, às 16:00, criou condições adversas para muitas atletas. Como as paredes eram expostas ao sol, alguns atletas não renderam o suficiente. Muitos apontam a desclassificação até certo ponto surpreendente de Andam Ondra, que competiu por volta das 13:00 nas classificatórias, a este desconforto. Atletas brasileiros procurados pela redação da Revista Blog de Escalada reclamaram sentir o mesmo desconforto e disseram ter encontrado mais dificuldade.

Já os sul-americanos masculinos do boulder parecem ter sentido um pouco o alto nível da competição. Pedro Nicoloso foi o melhor brasileiro classificado na competição de boulder, ficando em 59° de um total de 150 aletas. Apesar de ter conseguido um top, Nicoloso ficou empatado com o equatoriano Isaac Estevez na pontuação.

Federações e atletas pressionam

 

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O Campeonato Mundial de Escalada do IFSC teve um número recorde de participantes, o que deixou bastante satisfeito os organizadores. Mas várias federações, mídias especializadas e atletas insatisfeitos. O número acima do normal de competidores fez com que as competições tivessem longas esperas de atletas no isolamento, transmissões por streaming de quase 4 horas e um quase esgotamento de recursos de infraestrutura do local.

Dentre as sugestões publicadas em sites relevantes da Europa, a que teve maior repercussão foi a de ter a obrigatoriedade de ter se classificado entre os Top-50 na Copa do Mundo de Escalada no ano anterior. A Copa do Mundo de Escalada são várias provas disputadas durante o ano inteiro em diferentes localidades, promovendo um ranqueamento dos competidores. O próprio IFSC estuda para a edição especial do ano que vem limitar o número de atletas de cada país. Assim haveria uma natural diminuição no número de participantes, além de fortalecer as competições locais de cada país.

Como muitos atletas tiveram de experimentar a escalada de velocidade, algumas regras comuns começaram a serem contestadas. O grande número de saídas inválidas, chamou a atenção.

 

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Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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