Caminho de Cora Coralina: Conheça a travessia de 282 km em pleno cerrado do estado de Goiás

Para quem pratica trekking há muitas opções de travessias e rotas tradicionais. As mais populares, tornando-se também populosas, são a Travessia da Serra Fina, Petrópolis-Teresópolis entre muitas outras. O lado negativo disso, como não poderia ser diferente, é que há um volume de pessoas muito grande buscando estas rotas e consequentemente tirando muito do prazer de fazer uma trilha. Indiscutivelmente há um problema crônico de comportamento social das pessoas que, diga-se, não é exclusivo de nenhuma nação ou país. Portanto possuir pensamentos binários e absolutistas de que é necessário “proibir” ou “restringir acesso” a todos, apenas irá piorar o problema.

Uma maneira simples de resolver este tipo de problema é criar e promover e incentivar a criação de outros roteiros interessantes para os praticantes de trekking e hiking. Desta maneira seria possível também divulgar outras regiões de um país com dimensões tão grandes e, ao mesmo tempo, carente de longas rotas de trekking. Uma boa oferta de rotas de travessias e trekkings longos serviria para que a atividade seja mais difundida entre toda a população do país. Tendo como inspiração o mítico Caminho de Santiago na Espanha, assim como o Caminho da Fé no Brasil, será inaugurado em março deste ano o Caminho de Cora Coralina pela Secretaria de Estado de Gestão e Planejamento (Segplan) de Goiás.

A sinalização para o trekking, que mistura peregrinação e religião e fica entre as cidades históricas do estado foi iniciada em 2015. Todo o Caminho Cora Coralina é uma verdadeira imersão na cultura e história do estado de Goiás.

Quem foi Cora Coralina

A poetisa Cora Coralina (nome artístico de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas) é considerada uma das mais importantes escritoras do Brasil. Apesar de publicar seu primeiro livro quando tinha 76 anos de idade, no ano de 1965, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas da cidade de Goiás.

Culturalmente é a maior representante do estado de Goiás na literatura, sendo motivo de orgulho e inspiração por todos os escritores goianos. Sua qualidade de escrita foi merecedora de uma saudação realizada por Carlos Drummond de Andrade no Jornal do Brasil, por conta da segunda edição de seu livro “Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais “.

Caminho de Cora Coralina

Totalizando 282 quilômetros de extensão, o Caminho Cora Coralina vem recebendo placas de sinalização para os turistas que desejam realizar o percurso. A rota tem como objetivo proporcionar a divulgação das belezas do cerrado brasileiro, em especial o goiano, e também quer difundir a comida típica do estado assim como sua história. A Segplan anunciou também que pertente estabelecer outros caminhos para a rota, especialmente saindo da capital brasileira.

O Parque Estadual dos Pirineus é o ponto de partida para o Caminho de Cora Coralina e começará no município Corumbá de Goiás-GO (fundado em 1730) e passa por Pirenópolis-GO (fundada em 1727), São Francisco de Goiás-GO (fundada em 1740), Jaraguá-GO (fundada 1736), Itaguari-GO, Itaberaí-GO (fundada em 1868) e termina na Cidade de Goiás (conhecida popularmente como Goiás Velho e fundada em 1727). O Caminho de Cora Coralina foi planejado para ser utilizado por praticantes de trekking e ciclistas.

A rota passará por locais como a Área de Proteção Ambiental da Serra Dourada, Parque Estadual da Serra de Jaraguá e Parque Estadual dos Pirineus e foi utilizada no passado pelos Bandeirantes. Todo o roteiro foi idealizado por Bismarque Villa Real, pesquisador e especialista em estradas antigas do Planalto Central. A elaboração foi feita após levantamento de diários dos bandeirantes nos séculos XVIII, XIV e XX. A expectativa de seu idealizador é que a rota ultrapasse os 300 km.

O Parque Estadual dos Pirineus, em especial a cidade de Pirenópolis-GO, é um dos maiores centros de turismo ecológico do estado de Goiás.

A sinalização caracterizada é uma pegada amarela sob o fundo preto (muito parecida com a Trilha Transcarioca e Trilha Chico Mendes) e traz o nome “Cora” adaptado aos contornos da pegada.

Mais informações: http://www.wikiparques.org

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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