Cadeirinha de escalada: Qual é a hora de aposentar este equipamento?

Todo equipamento tem uma vida útil e com equipamentos de escalada não poderia ser diferente. Cordas, mosquetões, fitas tubulares, sapatilhas e cadeirinhas são projetadas para que, para o bem ou para o mal, aguentem uma vida intensa de uso por um certo período de tempo.

Já foi abordado aqui, em artigo exclusivo na Revista Blog de Escalada, a vida útil e a obsolescência programada de equipamentos outdoor. Lá está disponibilizado de maneira mais detalhada o tempo médio de duração de cada um.

Neste artigo aqui abordaremos um dos mais importantes: a cadeirinha de escalada.

Vida útil

Se alguém já está contestando, por antecipação, o valor da vida útil de uma cadeirinha, aqui vai uma observação: todo equipamento depende muito, quase que absolutamente, do uso que o proprietário emprega.

Por isso, especialmente para uma cadeirinha de escalada, precisar a vida útil de um equipamento resistente e, ao mesmo tempo, minimalista é difícil. Portanto depende muito da intensidade e do uso que o escalador faz da cadeirinha.

Isso porque, obviamente, uma cadeirinha de escalada usada todos os dias em comparação com uma outra usada de vez em quanto, seguramente irá durar muito menos. A maioria das marcas reconhecidas por sua qualidade no mercado inclui suas especificações, tempo de vida útil dos materiais de maneira diferente.

Porém o mais importante para um escalador mais precavido é não ficar dependendo de uma marca para decidir quando substituir uma cadeirinha de escalada. O melhor é saber quais fatores são os mais importantes e inspecionar o equipamento periodicamente para buscar sinais evidentes de desgaste. Importante: verifique ANTES de cada escalada.

Sinais de desgaste

Quando começar a revisar uma cadeirinha de escalada é uma atitude inteligente começar a buscar qualquer tipo de desgaste ou rasgo. A maioria das cadeirinhas usadas apresenta pequenos rasgos, ralados, cortes e outro tipo de abrasividade.

Mas o mais importante é saber diferenciar que tipo de desgaste é ameaçador ao equipamento do que é apenas pelo uso. Os pontos de união, as costuras, são as partes mais sensíveis e críticas da cadeirinha e que devem ser inspecionadas constantemente. Esta é a parte que mais se desgasta com o uso.

Portanto, procure por cortes profundos na costura, sem se fixar ou se preocupar em demasia com lugares com “raladinhos”. A maioria das cadeirinhas usadas tem este “raladinhos” por estar roçando na corda o tempo todo.

Algumas marcas, como a francesa Petzl, possuem o loop da cadeirinha com um nylon de cor diferente que permite monitorar o desgaste e saber quando está pronta para ser trocada. Mesmo que as costuras e pontos de conexão sejam geralmente as partes que mais degradam-se com o tempo, ou mesmo rapidamente se rompem, esteja atento para revisar os demais componentes.

Itens como fita de ajuste, presilhas, alça das pernas e de mais itens para detectar sinais de desgaste. Assim que verificar que há algum desgaste de sua cadeirinha de escalada, aposente-a imediatamente. Especialmente se encontrar algum rasgo, corte ou abrasão significativo.

Frequência

A frequência com que usa uma cadeirinha de escalada, embora não pareça, é um aspecto a se considerar durante a inspeção. Portanto, para escaladores que estão todo os dias escalando (seja dando aulas, ou mesmo treinando) expõe o equipamento a um desgaste considerável.

Por outro lado, quem escala muito de vez em quando (média de uma vez por mês) deveriam estar conscientes que o material também tem data de validade. Para isso deve atentar-se à validade sugerida pelo fabricante e, mesmo não estando usado, ser aposentado se sua validade expirar-se.

Por outro lado, até mesmo o estilo da sua escalada influi na maneira que a sua cadeirinha de escalada irá desgastar. Quem usa preferencialmente o equipamento em uma academia de escalada, poderá observar que os loops e outros cantos desgastam mais que outros.

Por outro lado, para um escalador que está na rocha (não importa o tipo de rocha), ou até mesmo se pratica off-width, a cadeirinha irá deteriorar em outras partes mais que outras.

Armazenamento

O lugar onde escala e guarda sua cadeirinha de escalada influi, e muito, em como ela irá deteriorar. Há um artigo completo na Revista Blog de Escalada sobre como guardar equipamentos outdoor em casa de maneira correta e ordenada.

Isso porque a sujeira, luz do sol e umidade degradam consideravelmente os materiais de uma cadeirinha de escalada. Um exemplo típico e deixar o equipamento guardado em uma mochila, dentro de um armário por meses e até anos, pode estragar mais um equipamento caso esteja em contato com umidade.

Se alguma coisa estiver “descolando” no seu equipamento, é um sinal claro de que a luz do sol está afetando seu equipamento. Pois vivermos em um país tropical, no qual temos de conviver diariamente com a incidência do sol, calor e, inevitavelmente, umidade, é essencial que observarmos em proteger a cadeirinha de escalada da luz solar.

Nunca pense “vai que da!”

Um escalador deve pensar que todas as vezes que acontece um acidente de escalada, toda a comunidade (além da visibilidade do esporte perante a sociedade) é impactada. Qualquer ocorrência que acontecer por causa de negligência de qualquer praticante, aquele mais atento e que sempre obedece irá ser impactada.

Portanto, no primeiro sinal gritante de que sua cadeirinha de escalada está deteriorada e necessita aposentar, faça! Há, inclusive, academias de escalada que esticam ao máximo a validade de cadeirinhas a alugar, com produtos muito velhos e de durabilidade duvidosa. Atitude irresponsável que pode prejudicar não somente o próprio negócio, mas também o esporte.

Portanto examine sempre seu equipamento e diante de qualquer dúvida, não deixe de substituir. Sim uma cadeirinha de escalada de qualidade é cara, mas vale mais um sacrifício financeiro do que, por alguma fatalidade, gastar muito mais que isso em hospitais, fisioterapias e planos de saúde.

Argentina de nascimento e brasileira de coração, é apaixonada pela Patagônia e Serra da Mantiqueira.
Entusiasta de escalada, trekking e camping.
Tem como formação e profissão designer de produto e desenvolve produtos para esportes de natureza.

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