História das marcas: Black Diamond

Continuando com a nossa série de biografias das marcas mais famosas do mercado. Nacionais e internacionais, e da mesma maneira que faz com os principais ídolos, o objetivo é disponibilizar a história do esporte para quem quer saber mais sobre ela. Hoje, a marca é a norte-americana Black Diamond. O objetivo é, além de trazer um pouco da história de empreendedorismo, traçar um paralelo com a história da humanidade.

Os esportes de natureza na década de 1950 e 1960, chamado à época de esportes radicais, tiveram uma explosão de popularidade entre os jovens. Esta explosão tem uma explicação lógica: baby boomers. Se você não está acostumado com o termo, sabia que baby boomer é uma pessoa nascida na Europa, Estados Unidos, Canadá ou Austrália entre 1946 e 1964. Isso porque estes países experimentaram um súbito aumento de natalidade depois da Segunda Guerra Mundial.

Somente nos EUA, os baby boomers, representavam 20% da população e tiveram impacto significativo sobre a economia e a sociedade. São estes mesmos baby boomers, que vivenciando um crescimento econômico pós-Segunda Guerra Mundial, em plena ebulição da contracultura (movimento que teve seu auge na década de 1960), que começaram a buscar a fazer atividades outdoor.

Ivon Choinard iniciando seu negócio que mais tarde seria a Patagonia | Foto: Glenn Denny – http://www.samh.net

Apesar de não ser exatamente um baby boomer, o norte-americano Yvon Chouinard (que nasceu em 1938) foi que vislumbrou a possibilidade de empreender com esta faixa de público e no final dos anos 1950 criou a Chouinard Equipment, dedicando-se a criar equipamentos de escalada. Dentre o equipamento que manufaturava, estavam seus famosos Pitons e excêntricos prioritariamente. A experiência é contada no livro “Let My People Go Surfing” de Yvon Chouinard.

A Chouinard Equipment tinha relativo sucesso, apesar de ser administrada de maneira quase que displicente por seus sócios. Até mesmo o catálogo de produtos era feito de maneira artesanal, com grandes atrasos na entrega durante as temporadas de escaladas. O motivo deste atraso tinha uma “justificativa”: todos os empregados da empresa eram escaladores e na temporada saíam para praticar o esporte.

Mesmo funcionando como uma empresa desorganizada (o próprio Yvon Chouinard admite isso em seu livro), no início dos anos de 1970 já era a maior produtora de equipamentos para escalada do mercado norte-americano. Junto de Tom Frost, conseguiu inovar no design de seus produtos, sendo líder de mercado com os produtos considerados mais modernos.

Foto: https://www.patagonia.com

Alguns anos mais tarde Yvon Chouinard, em uma viagem de férias, foi à Inglaterra. Visitando uma loja, teve contato com roupas de rugby. A qualidade das peças de roupas chamou a sua atenção. Na opinião de Chouinard, as roupas eram ideais para a escalada, pois resistiriam à abrasão das rochas de Yosemite. A partir de então começou linha de roupas, ainda em tiragem limitada, da Chouinard Equipment. A intuição de Yvon mostrou-se acertada novamente: as peças de roupas venderam como água. Na mesma temporada, havia uma multidão de escaladores usando a camisa de rugby, com as listras horizontais caraterísticas, por todo o país norte-americano.

Esta linha de roupas ganhou o nome de Patagonia. Lembrando que, início dos anos 1970, as roupas outdoor ainda eram uma novidade pouco explorada, mas em ascensão. A Chouinard Equipment foi uma das pioneiras no mercado, o que fez toda a diferença. Entretanto, o foco principal da empresa era equipamentos para escalada. As roupas eram apenas o “patinho feio da empresa”. Foi somente na década de 1980 que as vendas de roupas outdoor decolaram, virando um mercado bastante disputado.

Falência da Chouinard Equipment Inc.

Enquanto a linha Patagonia crescia, a parte de equipamentos outdoor da Chouinard Equipment encolhia para apenas seis funcionários em 1982. Nesta época as vendas foram de cerca de US$ 1 milhão por ano. O norte-americano Peter Metcalf foi contratado como gerente de marketing e vendas em 1982 e nomeado gerente geral após um ano. A empresa Lost Arrow Corporation foi criada em 1984 como detentora dos negócios relacionados à Chouinard Equipment. Sob a administração de Metcalf, as vendas atingiram US$ 7 milhões em 1987 e já empregava 60 pessoas. No final da década de 1980 as receitas anuais eram de US$ 9 milhões.

A escalada esportiva, uma novidade da época, cresceu em popularidade nos anos 1980, trazendo uma série de novatos para o esporte e, inevitavelmente, vários acidentes. A Chouinard Equipment foi levada forçada à falência por processos judiciais, movido por pessoas que alegavam que o equipamento possuía excelente qualidade, mas a empresa não avisou os clientes do fato de que a escalada em rocha era perigosa. Desta maneira a empresa entrou com pedido de concordata em 17 de abril de 1989. A marca também teve de dividir-se, entre duas empresas distintas: roupas e equipamentos outdoor. Desta maneira a Chouinard Equipment foi fechada.

No dia 1º de dezembro de 1989, quando as ações da Chouinard Equipment Inc. foram compradas por um grupo de ex-funcionários da empresa liderados pelo Peter Metcalf e alguns investidores externos. Metcalf transferiu a empresa com o novo nome Black Diamond Equipament. À época, todos os funcionários de Chouinard Equipment mudaram para a área de Salt Lake City, no estado norte-americano de Utah, em setembro de 1991. A justificativa do novo presidente era que os funcionários da recém fundada empresa pudessem treinar nas montanhas Wasatch.

A outra metade da empresa, que se dedicava a fabricar roupas, foi batizada de Patagonia, ficaria na região do estado norte-americano da Califórnia.

O nome e o símbolo da Black Diamond era uma referência indireta à classificação das pistas de ski dos EUA. Black Diamond significa que a pista é muito íngreme e superior a 40%, sendo consideradas difíceis e indicado somente a especialistas. Uma espécie de mensagem subliminar para os potenciais usuários. A aquisição foi estruturada de acordo com as linhas de um plano de propriedade do empregado. Fizeram parte da compra o fornecedor de corda Michael Beal e do distribuidor japonês Naoe Sakashita.

As vendas da Black Diamond cresceram rapidamente no início dos anos 1990, ultrapassando US$ 20 milhões em 1995, quando a empresa chegou a ter 200 funcionários. Peter Metcalf foi nomeado “Small Business Person” do Ano pela Small Business Administration. Já no final da década de 1990, Metcalf disse à revista norte-americana Inc. que a Black Diamond tinha 250 funcionários e uma receita anual de US$ 30 milhões.

Aquisições

 

A Black Diamond, sob administração de Peter Metcalf, mostrou ter excelente tino para os negócios e ao longo do período que o CEO ficou à frente da empresa, adquiriu várias pequenas empresas. As empresas adquiridas pela Black Diamond eram consideradas estratégicas para o a expansão e criação de novos produtos.

Todd Bibler, proprietário de uma empresa de fabricação de barracas para alta montanha chamada Bibler Tents foi comprada pela Black Diamond em 1996. A Franklin Climbing Equipment, uma pequena fabricante de agarras para muros de escalada de Seattle, também foi comprada pela empresa em 1998.

Black Diamond

Na década de 2000 foi de grande investimento para a Black Diamond. No ano de 2000, a Black Diamond começou a vender lanternas de LED projetados para mochileiros, alpinistas e esquiadores, que logo se tornaram um dos itens mais vendidos da empresa. A Skye Alpine Inc., fabricante produtos para esquis e indumentária de escalada, foi adquirida em 2002.

Peter Metcalf decidiu retirar-se do cargo de presidente da empresa, cedendo lugar a Zeena Freeman, ex-executivo sênior da Gap, em 2014. Entretanto, Metcalf continua atuando como CEO e diretor da Black Diamond.

No Brasil, a marca voltou a ser distribuída em 2018 pela empresa Bronet do Brasil.

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