Básico de trekking: Quais são os 5 itens a escolher para voltar seguro para casa

Por: Daniel Ballesteros

Fazer trilhas, seja em trekking ou hiking, é uma das atividades mais populares dentro do montanhismo. Trata-se de uma prática que nos aproxima do meio ambiente e, em algumas ocasiões (dependendo do lugar), cultura, etnografia e história. Geralmente o trekking passa por caminhos e trilhas previamente sinalizados, que podem, inclusive, estar homologadas por comitês competentes.

Foto: https://www.ordnancesurvey.co.uk

Por todo o país, encontramos um leque de opções amplo, com um vasto número de lugares ideais para realizar trekking que cruzam todo o tipo de ecossistemas e paisagens naturais. Para realizar estes trekkings precisamos de equipamentos específicos. Estes equipamentos podem variar muito, dependendo do tipo de lugar percorrido e terreno. Mas no geral o calçado, roupa e alimento adequados são fundamentais.

Não somente a indumentária, mas também a mochila, barraca, saco de dormir, isolante térmico e bastões de caminhada fazem parte do equipamento. Como saber escolhê-los de maneira rápida e sem complicação. Abaixo estão as respostas mais básicas a estas perguntas.

Item 1 – Mochila

A primeira pergunta que vem a sua cabeça é: que devemos saber sobre mochilas antes de comprar uma? A resposta é bem simples e direta: Antes de comprar uma mochila para nossas atividades outdoor na montanha, é importante saber alguns aspectos.

Detalhes como tamanho, estrutura, detalhes técnicos, materiais construtivos do equipamento e os sistemas de ajuste.

  • Em mochila NUNCA devemos ignorar
    • O sistema anatômico das costas, sobretudo para mochilas grandes (acima de 40 litros). Isso nos evitará caminhar mais cômodo e sem sofrer lesões.
    • Canais de ventilação: para diminuir a superfície de contato das cotas, e evitar sudorese excessiva ao longo do trekking, priorize este tipo de característica. Este sistema preservará seus rins e evitará assaduras.
    • Fitas de compressão: verifique a qualidade e quantidade de fitas que darão estabilidade à mochila. Mesmo assim, a possibilidade de colocar acessórios em bolsos “ocultos”.
    • Verifique a disposição de bolsos laterais, verificando seu tamanho a qualidade e disponibilidade dos zíperes.

A distribuição de peso deve ser uniforme, para que a mochila não fique inclinando de um lado para outro.

Conforme descrito em vários artigos sobre como montar mochilas aqui na Revista Blog de Escalada, procure colocar os itens mais pesados na parte inferior da mochila e, preferencialmente, próximo a seu quadril. Assim o conteúdo da mochila estará distribuído na mochila sem “puxar para trás” quando a colocarmos nas costas.

É fundamental prever aquilo que vamos levar, assim como quando vamos necessitar antes de montar a mochila. Roupas, toalhas e peças delicadas devem ser colocadas na parte que estará em contato com as costas, para evitar incômodos às costas com qualquer coisa pontuda ou dura.

Para conseguir ordenas a mochila, é recomendado introduzir a roupa em enrolada, para facilitar a sua retirada. Este tipo de tática aproveita ao máximo o espaço da mochila. Como que sempre as coisas de sua mochila da mesma forma, para assim poder sempre encontrar o que necessita-se sem perder tempo ou desarmar a mochila sem necessidade.

Fique de olho na previsão do tempo. Assim será possível prever possíveis chuvas nos lugares a serem visitados, além de nos ajudar a decidir se levamos bolsas plásticas na mochila. As capas impermeáveis nas mochilas são uma excelente opção e os melhores modelos já vem com uma.

Conselhos para mochila

Esteja atento a que uma mochila com capacidade superior a 50 litros não deveria pesar mais de 2,5 kg quando está vazia. Se o seu peso é superior a isso, somando o conteúdo do que necessita poderia superar os 15 quilos. Este valor é muito alto para qualquer travessia ou caminhada curta.

Acomode as mochilas com cuidado em porta-malas, de ônibus ou carros, assim como no chão (preferencialmente nos primeiros dias). Isso irá assegurar uma longevidade ao seu equipamento. Se possível, quando colocarmos a mochila nas costas procure ajustar primeiro as correias das cinturas, para depois das costas.

Para evitar desequilíbrios, ou perda do eixo vertical, ajuste com cuidado os ombros. Por isso, verifique o equilíbrio para que ela fique sempre bem equilibrada.

Item 2 – Barracas

Escolher uma barraca é completamente ligado à atividade realizada. Saber a atividade é muito importante para decidir corretamente que tipo de equipamento será necessário. Entretanto, seja qual for o motivo da necessidade, tenha certeza da altura mínima do teto e que, pelo menos, a barraca seja respirável.

Abaixo existem três tipo de barracas: duas estações, três estações e quatro estações.

  • Barraca duas estações

Este tipo de barraca é projetada principalmente para atividades lúdicas e de verão. São espaçosas e pensadas para serem compartilhadas. Dentre as suas qualidades e debilidades:

  • Prós: São altas e espaçosas, possuem boa ventilação e transpirabilidade para evitar condensações no verão.
  • Contras: São pesadas e ocupam espaço considerável quando carregadas na mochila. Seu uso é limitado para aquelas ocasiões que acampamos próximo a um veículo.
  • Barraca três estações

Este tipo de barraca é projetada para ser usada entre a primavera, verão e outono, e possuem sempre dimensões que podem acomodar entre uma e três pessoas. Dentre as suas qualidades e debilidades:

  • Prós: São leves e portáteis, podendo ser levada na mochila. As de melhor qualidade são resistentes à água e resistentes ao vento.
  • Contras: Seu preço pode ser elevado, dependendo da marca e modelo. Algumas denominadas ultralight dependem de ancoragem mediante estacas para sua montagem.
  • Barraca quatro estações

Barraca com e sem a capa

Este tipo de barraca é projetada para ser usada todo o ano em “qualquer” área do planeta. São projetadas principalmente para atividades de alta montanha. Devido ao fato de que são as escolhidas para expedições longas, ou em lugares de difícil acesso, devem cumprir um mínimo de requisitos:

  • Resistente a ventos cortes e nevascas
  • Impermeáveis
  • Materiais flexíveis
  • Montagem simples para condições adversas
  • Espaço suficiente para manter em seu interior todo o equipamento

O objetivo destas barracas de quatro estações, impede que sejam de dimensões reduzidas e que a torne leve. Normalmente, para viagens de pessoas que nunca vão estar sozinhas. Ou seja, quer dizer que um integrante do grupo deveria assumir o peso desta barraca, enquanto seus companheiros levam outras coisas como material de cozinha, comida, medicamentos, etc.

Entretanto, existem barracas de quatro estações “leves”, com capacidade para 3 ouo 4 pessoas, mas são caras. Normalmente seriam para compartilhar entre duas pessoas e guardar tudo dentro no caso de condições adversas.

Conselhos para Barraca

As varetas de alumínio são (muito!) melhores que as de fibra, por serem mais leves e flexíveis, mas, infelizmente, encarecem o produto.

O desenho do chão da barraca deve ser tipo “balde”. Isso impede a entrada de água. As costuras devem ser seladas, e quanto a isso não há exceção. Este detalhe garante que nossa barraca é impermeável.

Item 3 – Saco de dormir

Comprar um bom saco de dormir é o que marca a diferença no quanto irá aproveitar e descansar em atividades na montanha. Isso porque é essencial dormir bem, por isso é vital evitar sentir frio. Entretanto, ficar com muito calor e suar no interior de seu saco de dormir não irá trazer nenhum benefício.

Para este equipamento não se deve poupar gastos na hora de comprar um bom saco de dormir. Se é de boa qualidade, além de bem guardado, podem durar toda a vida.

  • Fibra sintética ou de pluma?

Ação da umidade no thermoball (esquerda) e pluma (direita)

Um saco de dormir de pluma de ganso irá isolar mais e isso é um fato inconteste. Mas uma vez molhado (mesmo que acidentalmente) perde quase todas as suas qualidades, além de ficar pesado e demorar uma eternidade para secar.

A fibra sintética, por outro lado, não absorve a água e, quando molhadas, secam com rapidez. Sua debilidade é conseguir a mesma qualidade de isolamento e aquecimento que um saco de dormir de plumas de ganso com o mesmo volume. Além desta perda de desempenho, há ainda o fator de que é mais pesado que um saco de dormir de plumas.

  • Temperaturas

Normalmente o fabricante indicará em alguma etiqueta as temperaturas mínimas, máximas e de conforto. Isso é fundamental para que o usuário saiba para que foi projetado o sleeping. Estas temperaturas são colocadas com exatidão, sem possuir qualquer taxa de variação. Portanto não arrisque em comprar um saco de dormir com uma temperatura mínima, procure sempre a temperatura de conforto.

Saber as temperaturas é muito importante para uma boa compra. Portanto deve-se ter muito claro a diferença entre os valores:

  • Temperatura limite / Extrema: é o valor mínimo de temperatura externa que o saco de dormir consegue aquecer/isolar. Nestes valores exatos o usuário já sente frio. Abaixo disso é risco de hipotermia.
  • Temperatura de Conforto: é o valor mínimo para que a temperatura de “aconchego” consiga ser mantida. Abaixo deste valor, o usuário começa a sentir frio.

Conselhos para saco de dormir

  • Verifique se todos os zíperes fecham suavemente e que o capuz se fecha cobrindo quase que por completo o seu rosto.
  • Um bom saco de dormir não pode ser nem grande, nem pequeno. Deve estar no tamanho correto.
  • NUNCA esqueça o saco compressor do saco de dormir.
  • Deixe sempre o saco pendurado alguns minutos após o uso, para que o ar circule e o suor evapore.
  • Lave o mínimo possível (somente em necessidades extremas).

Item 4 – Isolante térmico

A principal causa de perda de nosso calor corporal é por condução. Os isolantes térmicos evitam a perda de calor em contato com o solo. Os isolantes possuem dois tipos bem distintos: infláveis e não-infláveis.

Foto: http://www.westernmountaineering.com/

  • Isolante não-infláveis

Sua densidade e grossura influem diretamente na comodidade e, por sua vez, no peso. São utilizados nestes isolantes térmicos desenhos canelados no lugar clássico de “tapetinho”. Os modelos canelados conseguem maior espessura da base sem aumentar o peso próprio. Além disso consegue aumentar a capacidade do isolante.

Este tipo de isolante são ideais para excursões e lugares que é impossível acessar o veículo. São usualmente carregadas amarradas na mochila.

  • Isolantes infláveis

Apesar de serem muito confortáveis, possuem uma grande debilidade: não foram desenhados para serem usadas constantemente na montanha. Mas mesmo assim, seu peso e volume ocupado na mochila, é uma opção interessante. Sobretudo para quem planeja viagens de mochilão. Possuem boa capacidade de isolamento e, dependendo de marca e modelo, são muito confortáveis.

Porém exige uma atenção extra do usuário de sempre fazer inspeções para verificar furos ou vazamentos.

Tradução autorizada: https://freeman.com.mx

Freeman é o mais importante site sobre escalada e esportes de montanha do México e organiza o mais assistido festival de filmes outdoor da América Latina

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