As 7 melhores montanhas da América do Sul para se iniciar em escalada de alta montanha

Apesar de no Brasil não termos montanhas muito grandes ou com neve e gelo, temos muito próxima uma das mais incríveis e versáteis cordilheiras do mundo, oferecendo oportunidades de escalada de todos os tipos e para todos os níveis, o ano inteiro, sempre com boas oportunidades de aclimatação em meio a passeios culturais e muita natureza exuberante.

Cotopaxi, 5.897 m – Equador

Cidade base: Quito, a 2.800 m

Melhor época: Dezembro a Fevereiro, Junho e Julho (porém com possibilidade de ventos fortes)

Foto: Summit Post - Usuário: Marauders

Foto: Summit Post – Usuário: Marauders

Escalar o Cotopaxi é uma experiência duplamente recompensadora: além do cume, também se tem uma das vistas mais bonitas do topo de uma montanha, quando se vê de cima a quase perfeitamente circular cratera de 500 m de largura.

Cursos no Equador geralmente começam com aclimatação de vulcões menores sem geleiras, e passam depois ao Cayambe, que tem uma geleria simple e longa, orém excelente para um primeiro contato com esse ambiente. Terminada essa etapa, o objetivo principal é atacado desde um refúgio a 4800 m, numa via que apesar de longa e uma geleira de vulcão com gretas que podem ser bastante perigosas, tem belíssimas formações de seracs.

O bom tempo favorece a escalada, mas estando praticamente na linha do Equador, o clima muda rápido e a montanha tem seus dias de ventos fortes. Alguns trechos são expostos a caída de seracs e a montanha às vezes tem gretas escondidas – dependendo da temporada é possível encontrar alguns trechos com cordas fixas e escadas de alumínio para facilitar algumas passagens.

O que mais fazer: O Equador tem quase todas as paisagens do Brasil, porém num espaço muito menor. Além de conhecer Quito, considerada por muitos a capital mais bonita da América do Sul, é possível visitar os Galápagos num cruzeiro de 1 semana, conhecer projetos de inclusão na Amazônia Equatoriana, ou escalar esportiva na região de Cuenca.

A infra estrutura turística do país é bastante boa e é possível conhecer muita coisa em pouco tempo.

Huayna Potosi, 6.088 m – Bolívia

Cidade base: La Paz, 3.600 m

Melhor época: Maio a Setembro

Foto: Summit Post - Usuário: Nigel Lewis

Foto: Summit Post – Usuário: Nigel Lewis

Considerado um 6.000 m “fácil”, a queridinha dos brasileiros Huayna Potosi na verdade é um dos 6.000 m mais acessíveis dos Andes, pela proximidade com La Paz e facilidades logísticas de seus refúgios.

A via normal não é técnica mas tem seus trechos expostos, exige bom preparo físico e proporciona uma excelente primeira experiência de alta montanha, com impressionantes vistas da Cordilheira Real, Lago Titicaca e da bacia Amazônica.

A aclimatação pode ser feita em picos também interessantes na região do Condoriri, proporcionando mais algumas oportunidades de experimentar picos menores antes de lançar-se a este bonito cume que é o primeiro 6.000 de muita gente.

O que mais fazer: Visitar as ruínas de Tihuanaco, fazer o famoso passeio de bicicleta de La Paz até a Amazônia Boliviana pela estrada “mais perigosa do mundo”, ou algum dos diversos passeios na região do Lago Titicaca, a partir da cidade de Copacabana.

Cerro Plata, 5.968 m – Argentina

Cidade base: Mendoza, 746 m

Melhor época: Dezembro a Março

Foto: Summit Post - Usuário: Goldie Oz

Foto: Summit Post – Usuário: Goldie Oz

O Cerro Plata é a montanha mais alta da região do Cordón del Plata, localizado a menos de 100 km de Mendoza. Além da vista de dezenas de montanhas de região quando se chega ao cume, o Plata não apresenta dificuldades técnicas e permite um bom aprendizado de organização de expedições e primeiros contatos com os fatores de uma escalada em alta montanha, como o frio intenso, processos de aclimatação, orientação e logística.

A região é bastante movimentada na temporada, o que permite também vivenciar e trocar experiências com outros grupos e escaladores.

O que mais fazer: A região de Mendoza é também famosa pela produção de vinhos, e é possível fazer passeios pelos vinhedos da região. Também é possível fazer muitos trekkings, além de escalar em rocha em locais como Los Arenales.

Licancabur: 5.920 m – Chile

Cidade base: Uyuni na Bolívia (mais dias) ou San Pedro de Atacama, no Chile

Melhor época: o ano inteiro, de Dezembro a Janeiro existe mais possibilidade de precipitação

Foto: Summit Post - Usuário: Parofes

Foto: Summit Post – Usuário: Parofes

Situado na fronteira da Bolívia e Chile, o Licancabur tem em sua cratera o lago mais alto do mundo, e presenteia aqueles que chegam em seu cume com uma vista que sem dúvida está entre as mais impressionantes do mundo.

Por ser um vulcão sme geleira, a ascensão é simples e não -técnica, exigindo apenas 1 acampamento antes do ataque ao cume. O destaque aqui realmente é a visão privilegiada de uma das paisagens mais bonitas de todo o continente americano.

O que mais fazer: A região oferece alguns dos passeios mais clássicos do continente. Obrigatório o circuito pelo Salar de Uyuni e deserto de Siloli, na região de Sud Lípez.

Não menos importante é conhecer a região do deserto do Atacama, que oferece atrações acessíveis de diversas maneiras: é possível visitar o Vale da Luna de bicicleta e dependendo da época do ano fazer sandboarding. Também vale visitar as ruínas da região, geyzers e Valle de la Muerte, também acessível de bicicleta.

Ritacumba Blanco, 5.410 m – Colômbia

Cidade base: Guican, 2.963 m

Melhor época: Dezembro a Janeiro

Foto: Summit Post - Usuário: Carlos Preciado

Foto: Summit Post – Usuário: Carlos Preciado

Os Andes Colombianos estão aos poucos entrando nos roteiros de escalada em alta montanha na América do sul, e as belas paisagens e ainda pouca procura pelas montanhas do Sierra de Cocuy proporcionam uma experiência de escalada mais intimista e meditativa uma vez que se alcançam as geleiras.

A via normal tem pouca inclinação e a geleira não apresenta dificuldades técnicas. Apesar da altura não ser extrema, existem muitas opções de aclimatação na região, com belíssimas paredes rochosas escarpadas e vistas de mais de 1.000 km de distância para a bacia amazônica, Venezuela, e parte leste desta cordilheira.

O que mais fazer: A Colômbia está muito mais segura que há tempos atrás, e é considerado por muitos o país mais bonito do continente, também juntando em pouco espaço uma grande diversidade de paisagens.

É possível conhecer a famosa Cartagena na costa caribenha, mergulhar em San Andrés, visitar as imponentes Madellín e Bogotá, as ruínas da Sierra Madre o nordeste, ou escalar em rocha em Suesca.

Pisco, 5.752 m – Peru

Cidade base: Huaraz, a 3100 m, norte do Peru

Melhor época: Maio a Agosto

Foto: Summit Post - Usuário: Alberto Rampini

Foto: Summit Post – Usuário: Alberto Rampini

Talvez a montanha mais escalada da Cordilheira Branca, o Pisco oferece a possibilidade de uma travessia em geleira sem grandes riscos de avalanche ou exposição, com uma das vistas mais privilegiadas de todo o conjunto, incluindo a Quebrada de Llunganaco de um lado, e a de Parón do outro. Com aproximação, escalada e descida a Huaraz, são apenas 3 dias que propiciam uma iniciação à escalada rápida e leve de alta montanha.

Muitos cursos são concluídos por aqui e uma boa pedida é começar a aclimatação na também popular Vallunaraju, que apesar de ter uma via bem mais curta, tem arestas muito mais aéreas e alguns pequenos trechos levemente técnicos. Tendo uma janela de bom tempo, não existem grandes empecilhos para escalar o Pisco.

O que mais ver: estando no Peru, as possibilidades são ilimitadas. A apenas 4h de carro é possível visitar a costa norte do Peru, que oferece bom surf e águas mais quentes, além de paisagens mais tropicais que as praias do sul. É possível também se aclimatar num belo trekking na Cordilheira Huayhuash, visitar as ruínas de Chavin, e até escalar um pouco de esportiva e boulder na mundialmente famosa Hatun Machay, o mais alto local de escalada esportiva do mundo, a 4200 m.

El Misti, 5.825 m – Peru

Cidade base: Arequipa, 2335 m

Melhor época: ano inteiro, porém com melhor clima de Junho a Setembro

Foto: Summit Post - Usuário: rgg

Foto: Summit Post – Usuário: rgg

Uma das montanhas mais fáceis desta lista, o El Misti é ideal até pra quem nunca esteve em montanhas pequenas.

Estando aclimatado, é possível fazer a ascensão em apenas 2 dias, e é uma excelente opção para ver como o corpo reage à altitude, sem ter que se preocupar com um primeiro contato com uma geleira, ou dificuldades técnicas, além da proximidade com Arequipa tornar a escalada mais segura. Esse fator também colabora para que se necessite de pouco equipamento, possibilitanto foco total apenas na experiência com a altura.

O que mais fazer: Arequipa é uma das cidades mais bonitas do Peru. Além de conhecê-la, também é possível conhecer o impressionante Cânion Colca e presenciar o vôo dos condores, fazer rafting no Rio Chili, ou mesmo tentar escalar o Chachani, outro vulcão fácil de 6025 m.

Sobre o Autor

Cissa Carvalho

Cissa Carvalho

Cissa Carvalho é natural de São Paulo e praticante de esportes outdoor desde os 8 anos de idade. É alpinista fanática, e nas horas vagas tenta escalar em rocha, surfar e arranjar dinheiro para continuar viajando. Já esteve em todos os continentes e já escalou na América do Sul, África, Ásia e Europa

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