As 5 atitudes que atletas fortes de verdade não fazem

O filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé costuma definir pessoas de conhecimento raso, mas que acham que entendem de assunto sem propriedade, de “inteligentinhos”.

Quando cunhou o apelido, todos que se identificaram com a crítica e, como não poderia ser diferente, protestaram de suas afirmações tentando denegri-lo de alguma forma. Obviamente que Pondé, por ser uma pessoa com inteligência acima da média, não se preocupou com isso.

Luiz Felipe Pond | Foto : Fabio Braga/Folhapress

O indivídio “inteligentinho” habita todas esferas da sociedade e nos esportes outdoor não poderia ser diferente. Esta debilidade intelectual acaba afetando a maneira com a qual avalia o mundo à sua volta. A consequência disso é o rendimento abaixo da média.

No montanhismo é possível ver esta manifestação quando muitos acreditam que os destaques dos esportes são pessoas tocadas por Deuses e devem, por algum motivo serem veneradas e nunca criticadas. Pois esta mesmas pessoas, atletas de elite muitas vezes, são pessoas que além de fisicamente, são psicologicamente muito fortes e, para espanto dos “inteligentinhos” elas sabem receber e digerir as críticas.

Como afirmado por Morpheus no filme Matrix que “o corpo não existe sem a mente”, em qualquer esporte (tradicional ou outdoor) vale a mesma estratégia.

Quem estiver mentalmente debilitado, por mais fisicamente preparado que esteja, irá fracassar. Por isso abaixo estão algumas atitudes que servem de caminho para quem deseja destacar-se em seu esporte preferido (e até mesmo na vida).

Não sentir pena de si mesmo

A vida é dura para todo mundo. Todo possuímos as próprias dificuldades, mas não podemos atribuir a elas nossos fracassos. Todos evem ter uma atitude de determinação diante de desafios, mas não confundir soberba com auto-confiança.

O jornalista Nelson Rodrigues dizia que o futebol brasileiro, mais precisamente na década de 1950, era exuberante mas nunca ganhava por possuir um “complexo de vira-latas”. Um sentimento de que “a vida é assim mesmo”, sentindo pena de si mesmo a cada derrota em momentos decisivos.

Perder, ganhar, fracassar, vacar em uma escalada, não se superar em uma corrida, etc, tudo isso faz parte da vida de um atleta.

Todo e qualquer pessoa que acreditar que um atleta vencedor é somente aquele que ganha, nunca perdendo para ninguém, tem uma visão deturpada do esporte. Faz parte do espírito do atleta saber que a derrota faz parte do esporte e que, quando acontecer, deve começar a pensar no próximo desafio.

Sentir pena de si mesmo, por qualquer que seja o motivo (ser pobre, pequeno, grande, gordo) em nada adiantará para superar qualquer situação em sua vida. Não somente nos esportes.

Culpando Deus ou o clima, o vento, o sonho da noite anterior, a cidade que mora, a falta de oportunidades é portar-se de maneira ridícula diante de desafios.

Não terceirizar a culpa

O pecado mortal de qualquer atleta é ficar culpando os outros pelo seu fracasso e insucesso. Todo atleta que tem esta mania, tem vida curta no esporte. Qualquer que ele seja. Todo atleta não abre mão de analisar a performance e saber dizer a verdade a si mesmo.

Em algum lugar da cultura brasileira estabeleceu o sentimento de que se alguém lhe diz uma verdade, em nenhum rodeio, é uma espécie de ofensa. Saiba você que não é! Esta pessoa que disse alguma verdade esta fazendo um favor. Não está mascarando a realidade. Aquele que apenas quer tapinha nas costas, elogios por onde passa é superado sempre por quem sabe encarar a realidade.

Foto : https://amenteemaravilhosa.com.br

Verifique, por exemplo, um diretor de cinema. Quando realiza um filme ruim, ele não é poupado por ninguém : público, crítica, estúdios, atores, etc. Os mais medíocres, claro, ficam ofendidinhos e de birra com todos. Porém alguém que é forte mentalmente tem ma atitude diferente : escutar as críticas, trabalhar para melhorar e realizar algo melhor da próxima vez.

Quantas vezes você vê no alguém fazer um filme ruim (exemplos não faltam) e desistir apenas porque recebeu críticas e somente seus familiares e amigos disseram que gostaram?

É somente nos erros que aprendemos a sermos melhor e descobrirmos o que devemo melhorar. Nas vitórias, todas elas, muitos nos jogam confete e acabam por esquecer da realidade.

Por isso, quando pensar em culpar alguém por algum fracasso seu no esporte, pense naqueles nanosegundos que fez mais esforço. Lembre dos momentos que preferiu não treinar porque estava com preguiça, enquanto a pessoa ao seu lado, que triunfou onde você falhou, estava treinando.

Querem ser melhor versão de si mesmo

Quantas vezes você já presenciou um atleta que saiu de sua região, a qual era o melhor de todos, e fracassou fragorosamente entre outras pessoas. Isso acontece porque a pessoa quer somente ser melhor que as pessoas à sua volta, mas na quer ser melhor que ele mesmo sempre. Quando se depara com alguém que é muito superior a ele, começa a sentir pena de si mesmo.

Foto : Ben Moon | http://www.nytimes.com

Com praticantes de escalada acontece isso constantemente : quer escalar melhor que os amigos que o cercam, mas não se tornar um melhor escalador. Corredores optam por somente correr com amigos no parque, mas evita de fazer alguma prova mais desafiante. Exemplos não faltam, desculpas também não.

Para ser uma versão melhor de si mesmo é necessário querer melhorar a cada dia. O cotidiano de pequenas superações pessoais levam bons atletas a fazerem parte de elite. Isso porque comparam seus rendimentos consigo mesmo. Não se comparam com o que outra pessoa fez, ou está fazendo. Preocupam com o que está evoluindo somente.

O atleta que é forte de verdade não acha que o mundo lhe deve nada, pois ele não fez o que fez pelo mundo. Suas conquistas foram realizadas por ele mesmo e não para algum grupo em específico.

Não querem agradar todos

O problema do brasileiro é que, culturalmente falando, tem a necessidade de sempre agradar as pessoas. Sempre ser simático é uma obrigação moral do brasileiro. Uma coisa é ser gentil e educado, a outra é ter a OBRIGAÇÃO de agradar a todos.

Foto : Three Peak Films / The Circuit Climbing | http://threepeakfilms.com/

Esta filosofia criou uma geração de mimados que hoje todos reclamam de tudo. Dizem que alguém é grosso quando a pessoa diz apenas não, ou não esforça para agradar.

Há medida certa para tudo e ela se chama cortesia. Ser educado e cortês com todos é obrigação, mas aguentar abusos pra não passar-se por antipático não. As pessoas admiram quem que tem objetivos e metas e que não abre mão deles pelas circunstâncias do momento. Seja educado e simpático desde que isso não prejudique a sua própria vida.

Saiba dizer não quando for necessário, reclamar quando se sentir prejudicado ou incomodado, etc.

Não reclamar do passado

Ficar somente reclamando de coisas passadas tira o foco de se planejamento do futuro.

Repare que no futebol os únicos que ficam lamentando os lances polêmicos são jornalistas descerebrados, dirigentes populistas e torcida fanática.

Os próprios jogadores esquecem qualquer discussão sobre qualquer lance no dia seguinte. Inclusive, já no dia seguinte, voltaram a treinar fortemente porque o foco não é reclamar do passado.

Ficar reclamando do passado, principalmente de acontecimentos imutáveis, esfria fortemente a vontade de triunfar. Revirar o passado é despertar o sentimento ruim de derrotas e não contribui para ninguém. Os atletas mentalmente fortes olham sempre para a frente e tentam melhorar as coisas que virão.

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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