Escaladores americanos vão ao congresso pressionar governo sobre áreas protegidas

Treze pessoas se uniram em uma campanha política no congresso dos EUA em um assunto de interesse dos praticantes de atividades outdoor. Participando de um total de 62 reuniões diferentes, atletas como Alex Honnold, Tommy Caldwell, Lynn Hill, Margo Hayes e Sasha DiGiulian procuraram defender as terras públicas americanas. As terras públicas, que seria o equivalente às áreas protegidas no Brasil, na prática possui um status de um parque nacional. Desta maneira, as atividades de escalada e trekking ficam ameaçadas.

Desde que assumiu, o presidente americano Donald Trump vem tentando implementar políticas ambientais polêmicas e, sob o ponto de vista dos ambientalistas, desastrosa. Desde que assumiu, entrou no radar por decisões contestáveis e que podem impactar fortemente como a escalada, trekking (incluindo as travessias Pacific Crest Trail e Appalachian Trail), ski, pesca e outras atividades outdoor. A luz de alerta para escaladores e montanhitas foi quando Scott Pruitt foi nomeado como chefe da Agência de Proteção Ambiental (EPA), um cético notório das mudanças climáticas.

Diminuição de áreas protegidas

Desde que assumiu o cargo, Scott Pruitt afrouxou as regulações destinadas a reduzir a poluição das termelétricas (movidas a carvão e gás), emissões de veículos, mineração, aterros e prospecção de petróleo e gás.

Scott Pruitt também buscou eliminar os limites à controvertida técnica do fracking (fraturamento hidráulico). Fracking, é uma técnica projetada para recuperar gás e óleo de rochas de xisto. Ambientalistas afirmam que produtos químicos potencialmente carcinogênicos usados no processo, podem escapar e contaminar a água subterrânea em torno do local do fracking.

Além disso, em dezembro de 2017, o presidente dos EUA determinou a maior redução de reservas protegidas da história do país. De uma só vez Donald Trump eliminou de 9.200 km² de dois parques do estado americano de Utah. O presidente reduziu em cerca de 85% o território de uma área de proteção criada por Obama em 2016, conhecida como Bears Ears. Foi afetado também um outro parque criado por Bill Clinton em 1996 conhecido como Grand Staircase-Escalante, que perdeu quase 46% de sua superfície. O Grand Staircase-Escalante possui jazidas de carvão.

O secretário de Interior dos EUA, Ryan Zinke afirmou à imprensa que a eliminação do status de área protegida, visa facilitar o uso público de estradas e promover os locais à “caça e a pesca saudáveis”. Bears Ear passará de 6.075 km² a 817 km², além de ser dividida em duas regiões isoladas uma da outra. Já o Grand Staircase-Escalante passará de 8.100 km² 4.050 km² além de ser divididos em três áreas.

Escalada, montanhismo e política

O grupo, além de escaladores, era formado por ativistas, políticos ambientalistas e representantes dos grandes players do mercado outdoor americano. Ao todo, o grupo participou de 62 reuniões. Toda a comitiva foi dividida em 13 equipes. Cada equipe procurou pressionar os congressistas americanos, além de orientá-los para assuntos como conservação, proteções de mananciais aquíferos, pesquisa e, claro, o quanto a indústria outdoor, que é grande arrecadadora de impostos, depende das áreas protegidas.

O principal argumento utilizado nestas reuniões não era efetivamente filosófico. Procurando ser mais objetivos aos políticos, explicaram que anualmente mais de 144 milhões de pessoas visitam áreas protegidas todos os anos e, além disso, a indústria outdoor americana (que inclui desde pesca até escalada) movimenta todos os anos US$ 887 bilhões. O montante foi divulgado no final do ano passado pela Outdoor Industry Association. Baseando-se nestes números, a indústria americana gera um montante de capital maior que tradicionais indústrias dos EUA.

As entidades representativas dos escaladores e montanhistas americanos, como Acess Found e American Alpine Club, participaram da comitiva neste “mutirão” pelas áreas protegidas. Todos os atletas envolvidos nesta força tarefa, buscaram argumentar que, além da parte do negócio, eles próprios ficaram sem exercer a própria profissão, já que aproximadamente 60% de todos os locais de escalada do país ficam em áreas protegidas.

There are 2 comments

  1. Melina

    Olá, li uma noticia agora que voces postaram com o título de “Ecaladores americanos vão ao congresso…” Queria sugerir a voces pesquisarem um pouco sobre o uso da palavra “americanos” para denominar as pessoas dos Estados Unidos. Nós todos somos americanos pois somos do continente America (norte, central e sul). Quando a gente aceita que eles sejam os únicos americanos nós de certa forma apoiamos a hegemonia que eles tem sobre nosso continente … Enfim, a palavra estado-unidense existe! 🙂 e a gente deveria usa-la mais! :))

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