Ansiedade e nervosismo: Como vencer o inimigo íntimo que boicota a performance de qualquer atleta

Por definição a ansiedade (também conhecida como ânsia ou nervosismo) é uma característica biológica do ser humano a qual antecede momentos de perigos imaginários e reais.

Pergunte a qualquer atleta, de qualquer esporte, sobre quem é o maior adversário e ele irá responder que, sem dúvida nenhuma, é ele mesmo.

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A diferença entre um atleta de alta performance e um medíocre é a capacidade de suportar a pressão eterna e controlar a ansiedade diante de qualquer situação. Mesmo que dois atletas tenham a mesma capacidade atlética, além da habilidade técnica, é este poder de controle mental que faz com que um deles torne-se profissional em algum esporte e o outro fique sempre conhecido como uma “promessa que não vingou”. Que acompanha qualquer esporte conhece histórias de dois atletas que tinham o mesmo potencial mas, por algum motivo que parece inexplicável, um deles tornou-se destaque enquanto o outro acabou por amargar o papel de coadjuvante por onde quer que estivesse.

A capacidade de controlar a ansiedade e nervosismo é que transforma bons atletas em pessoas diferenciadas. Por isso é importante saber que sentir emoções faz parte do dia a dia de toda a pessoa e no caso de um atleta não poderia ser diferente. Quem se dedica diariamente a uma rotina de treinos durante meses para um determinado desafio há sempre aquele “friozinho” na barriga. Este “friozinho” na barriga é a ansiedade.

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Quando não sabemos, nem controlamos, o que irá acontecer é quando aparece a ansiedade, especialmente no momento de sentir medo de não alcançar o objetivo esperado. Pessoas muito ansiosas, nos dias antecedentes de um grande desafio apresentam insônia, falta de apetite, sudorese excessiva nas mãos, irritabilidade e cansaço fora do comum.

A ansiedade consome energia vital do atleta e, não importando o grau, irá transformar a performance de um atleta. Em linguagem popular é a concretização da frase “treino é treino, jogo é jogo”, dita pelo jogador de futebol Didi, campeão do mundo em 1958 e 1962. Isso porque o jogador, que não possuía estudos profundos em psicologia, já sabia por experiência própria que a ansiedade provoca um sentimento de angústia e faz qualquer atleta comportar-se de maneira fora dos padrões normais do dia a dia.

Por este motivo é que alguns escaladores possuem performance acima da média em lugares vazios, atletas se destacam no treino mas nem tanto em um evento decisivo e jogadores considerados “melhores do mundo” choram, vomitam, desaparecem e decepcionam em momentos chave. Importante lembrar que não é vergonha para ninguém sentir ansiedade , mas quem deseja estar sempre no auge de suas capacidades atléticas é necessário aprender a controlá-la.

Técnicas básicas de controle de ansiedade

Nem todo mundo possui recursos financeiros para contar com um psicólogo especialista em psicologia do esporte. Cientificamente falando existem dois tipos de ansiedade: cognitiva e somática.

ansiedade

Foto: Jimmy Chin

Ansiedade cognitiva – A ansiedade cognitiva atinge a mente é o medo de não alcançar o objetivo desejado. Para este tipo de ansiedade o melhor é distrair a mente e não pensar muito na competição. Apesar de ser difícil, deve-se tentar encarar o desafio como mais uma diversão e não compara-la como algo vital de sua vida.

Ansiedade somática – A ansiedade somática atinge o todo organismo. Desta maneira não somente mentalmente sofre a pessoa mas também fisicamente provocando: diarreia, incontinência urinária, insônia e síndrome do pânico. Para combater este tipo de ansiedade utiliza-se técnicas de respiração, relaxamento e um trabalho de mentalização.

Entretanto há ainda algumas práticas que cada atleta poderia adotar para controlar a sua ansiedade e aplicá-las no dia a dia.

  • Mude sua atitude em relação ao desafio – Tente identificar o que está causando a ansiedade.
    Respeite suas limitações e encare a realidade sem maximizar, ou minimizar, as consequências
  • Na “hora a H” respire fundo e calmamente – Feche os olhos e lembre-se que no treino você já realizou tarefas mais simples de maneira mais fácil
  • Mantenha pensamentos positivos Acredite em você, sem achar que é um super-herói, e mantenha a determinação acima dos pensamentos negativos ou autodestrutivos
  • Viva o presente – Se a causa ansiedade é causada por experiências passadas, saiba de antemão que nada poderá ser feito para mudar o que aconteceu. Pense que o que fizer agora, mesmo que seja mais um fracasso, você viverá para mudar a história em uma próxima oportunidade.

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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