Qual a cidade brasileira mais próxima da alta montanha?

A pequena cidade de Assis Brasil, no Acre, pode se vangloriar de um atrativo que nenhuma outra cidade brasileira possui: está pertinho dos Andes! Localizada quase no extremo oeste do país, na fronteira com o Peru, desde Assis Brasil até a Cordilheira Vilcanota, uma das mais espetaculares cordilheiras andinas, são apenas 545 km através da Transoceânica, rodovia que liga a Amazônia brasileira ao oceano Pacífico.

A título de comparação, desde a cidade de São Paulo até a região de Lagoa Santa, em Minas Gerais, onde existem diversas áreas de escalada em rocha e onde alguns escaladores paulistanos vêm escalar em finais de semana e feriados, são 624 km. De São Paulo até a Serra do Cipó é ainda mais longe: 684 km. Ou seja, para um morador de Assis Brasil praticar alguma modalidade de escalada em alta montanha, seria necessário um deslocamento menor do que para um morador de São Paulo que gosta de escalar na Lapinha ou no Cipó. Um privilégio que é o sonho de consumo de muitos montanhistas que vivem nos principais centros urbanos do Brasil (e longe das montanhas andinas).

Imagem: www.skyscrapercity.com

Recentemente, voltei dos Andes ao Brasil pela Amazônia, após o término da temporada de trabalho como guia na Bolívia. Seguimos desde La Paz até Porto Velho, em Rondônia, e foram quase 1400 km percorridos por essa rota. Após essa viagem, e com esses números na cabeça, me veio a curiosidade em saber qual seria a cidade brasileira mais próxima da alta montanha. E qual a capital brasileira mais perto dos Andes? Para determinar isso, coloquei como pré-requisito a existência de uma ligação terrestre por estrada, calculando a distância como sendo a quilometragem percorrida por terra, e não a distância em linha reta.

Imagem: Google maps

Não existem muitas possibilidades de se chegar aos Andes desde o Brasil por via terrestre. As principais alternativas estão no norte do Brasil (Acre e Rondônia, para o Peru e Bolívia), centro-oeste (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, para a Bolívia) e sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, para a Argentina).

No norte do Brasil, uma das rotas para os Andes foi a que eu havia percorrido, ligando Porto Velho até La Paz. Guajará-Mirim, na fronteira de Rondônia com a Bolívia, está a 1007 km das cordilheiras andinas, considerando-se como referência o Parque Nacional Cotapata, primeira região dos Andes alcançada desde a Amazônia boliviana. Porto Velho, a capital de Rondônia, está a 1371 km dos Andes.

Catedral de Santa Cruz

No centro-oeste do Brasil a opção para se chegar aos Andes por terra é ir para Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e depois até as montanhas andinas via Cochabamba ou Sucre. Desde Corumbá, na fronteira do Mato Grosso do Sul com a Bolívia, até Cochabamba são 1147 km. E desde a capital do Mato Grosso do Sul, Campo Grande, até Cochabamba são 1572 km. Desde Mato Grosso, mais ao norte, a rota segue pela cidade de Cáceres, que se encontra a 1187 km de Cochabamba. Já a capital do Mato Grosso, Cuiabá, está a 1401 km de Cochabamba.

A região sul do Brasil é mais bem servida em estradas, com mais opções para se entrar nos países vizinhos, Argentina, Uruguai e Paraguai, via terrestre. Para determinar a distância até os Andes, consideramos como referência, para o Rio Grande do Sul, a região andina de Mendoza e, para Santa Catarina e Paraná, a zona de Salta, mais ao norte da Argentina. Essas regiões dos Andes apresentaram as menores distâncias para as capitais e cidades fronteiriças do sul do Brasil, seguindo-se por caminhos terrestres.

Desde Uruguaiana, que está no extremo ocidental do Rio Grande do Sul, até as montanhas de Mendoza são cerca de 1560 km. De Porto Alegre, a capital do estado, até os Andes mendocinos a distância é de 2265 km. A referência utilizada foi a zona de Vallecitos, que está localizada aproximadamente a 80 km de Mendoza e é a região de alta montanha mais acessível por carro desde a cidade.

Para o Paraná as distâncias até os Andes são bem parecidas. A referência que usamos aqui foi o povoado de Cachi, na província de Salta, que da acesso aos nevados andinos de Cachi e de Palermo, talvez os de mais fácil acesso por automóvel e mais próximos à cidade de Salta. Desde Foz do Iguaçu, na fronteira com a Argentina, até Cachi a distância é de 1584 km. Partindo da capital Curitiba, para se chegar até as montanhas da região de Cachi é necessário percorrer 2234 km.

Foto: Acervo Pessoal Marcelo Dalvaux

Para Santa Catarina, a distância da capital Florianópolis até Cachi é um pouco maior, 2535 km. Já o município fronteiriço de Dionísio Cerqueira encontra-se a 1746 km dos Andes salteños.

E se fossemos sair da cidade de São Paulo? Entre os destinos andinos que avaliamos para as demais capitais, o mais próximo também seria Cachi, localizado a 2569 km da capital paulista.
Portanto, o Acre é o estado brasileiro mais privilegiado no que diz respeito à distância em relação às grandes montanhas andinas e desde onde seria possível se chegar à alta montanha por terra percorrendo-se menos quilômetros. Sua capital, Rio Branco, se encontra a 885 km da vila peruana de Marcapata, ponto de acesso às montanhas da Cordilheira Vilcanota para quem vem pela Amazônia. E Assis Brasil é a cidade brasileira que ocupa o primeiro lugar no ranking, a meros 545 km dos belíssimos cumes da Vilcanota!

Foto: Acervo Pessoal Marcelo Dalvaux

Distância aproximada entre algumas capitais brasileiras e os Andes, via terrestre

  • Rio Branco – AC 885 km
  • Porto Velho – RO 1371 km
  • Cuiabá – MT 1401 km
  • Campo Grande – MS 1572 km
  • Curitiba – PR 2234 km
  • Porto Alegre – RS 2265 km
  • Florianópolis – SC 2535 km
  • São Paulo – SP 2569 km

Distância aproximada entre algumas cidades brasileiras e os Andes, via terrestre

  • Assis Brasil – AC 545 km
  • Guajará-Mirim – RO 1007 km
  • Corumbá – MS 1147 km
  • Cáceres – MT 1187 km
  • Uruguaiana – RS 1560 km
  • Foz do Iguaçu – PR 1584 km
  • Dionísio Cerqueira – SC 1746 km

Atenção: as distâncias foram apuradas através das ferramentas cartográficas disponibilizadas pelo Google, complementando-se as informações com o cálculo fornecido por algumas páginas especializadas na determinação de distâncias terrestres. Poderá haver divergências entre as distâncias apresentadas no artigo e as distâncias efetivamente percorridas por quem porventura viajar por alguma dessas rotas.

Guia profissional de montanha, com título de “Guía Superior de Montaña” obtido na EPGAMT. Guia de montanha associado à AAGM e à AAGPM. Guia de montanha credenciado no Parque Provincial Aconcagua. Sócio da empresa SummIT – Gestão de Projetos e Desenvolvimento Humano. Além de liderar expedições de escalada e trekking em alta montanha, trabalha com treinamento e consultoria nas áreas de gestão, liderança, motivação e inovação.
Pratica escalada em rocha desde a década de 1990 e alta montanha desde o início dos anos 2000, tendo realizado mais de 80 ascensões nos Andes e no Himalaia

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