Estudo científico aponta alto índice de fezes em agarras de ginásios de escalada

Enquanto procurava informações em páginas de cunho científico na Springer e me deparei com um artigo científico, que não deixa de ser bizarro, ainda mais quando se lê sobre os resultados obtidos. O artigo em questão era sobre estudos bacteriológicos em agarras de ginásios de escalada. A Springer é uma editora mundial baseada na Alemanha que publica livros de referência acadêmica e periódicos de artigos com revisão por pares (peer-review), com foco em ciência, tecnologia, matemática, e medicina.

Com o título “Microbial Sequencing Analyses Suggest the Presence of a Fecal Veneer on Indoor Climbing Wall Holds“, os autores do artigo, publicado em 2014, apontam que na escalada praticada em ginásios existem um contato muito grande das mãos, assim como os pés, em todo tipo de superfície. Ainda que pareça óbvio, muitas das agarras de um ginásio de escalada, também são tocada pelas mãos e pés de outros escaladores.

Foto: Jackie Hueftle | https://spotsettingblog.wordpress.com

A pesquisa, que foi liderada pela Dra. Suzanna Bräuer, professora de biologia da Appalachian State University dos EUA, explica que os micróbios presentes nas agarras de escalada estão associados com o o ambiente (especialmente o solo), fontes humanas (pele e boca) e fezes (tanto animal quanto humana).

Dentro da pesquisa, foi destacado que haviam muitas bactérias que eram próprias de alguns lugares específicos. Dentre elas destaca-se, por ser a mais frequente, a bactéria marítima conhecida como cyanobacterium Prochlorococcus, mesmo estando os estabelecimentos a 16 km do mar. Ou seja, existe um transporte da flora (bactérias, virus, micróbios, etc) existente nas proximidades do local que frequenta.

Entretanto, o aspecto mais importante da pesquisa é que em 100% dos casos foram encontradas traços de Enterobacterias, as quais são próprias de fezes humanas. Sim, de cocô, merda, etc. Enterobacteriaceae pertencem a microbiota normal dos intestinos de seres humanos e animais como a Escherichia coli, que em grandes quantidades pode causar problemas como gastroenterite ou infecção urinária.

Foto: Travis Ricksecker | https://www.rei.com

Portanto, de acordo com este estudo, um ginásio de escalada é um potencial instrumento para contrair alguma enfermidade gastrointestinal. Alguns distúrbios gastrointestinais são: gastrite, úlcera, má digestão, refluxo, gordura no fígado, pancreatite, gases e prisão de ventre.

Portanto, para você evitar de contaminar-se em um ginásio de escalada (por mais limpinho e elitista que seja):

  • Lave as mãos antes e depois de escalar
  • Evite usar o tênis que usa na rua na parede. Sempre utilize sapatilhas de escalada
  • Se possível, peça ao seu estabelecimento que disponibilize álcool em gel e sabonetes antissépticos no banheiro
  • Evite comer durante os treinos
  • Procure passar um pano úmido no solado de sua sapatilha antes e depois dos treinos

https://soillholds.com

A Dr. Suzanna Bräuer, junto do coautor da pesquisa Dr. Erik Rabinowitz, aconselham fortemente que os ginásios de escalada devam lavar as agarras de escalada.

Caso tenha o estabelecimento hábito de realizar o procedimento de lavagem de agarras de escalada, deveriam considerar fazê-lo com mais frequência.

Artigo: https://link.springer.com / https://www.ncbi.nlm.nih.gov

Tradução autorizada de: http://rocanbolt.com

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Gonzo Rocanbolt é chileno, médico, escalador e indiscutivelmente uns dos mais completos autores de artigos sobre treinamento de escaladores existentes no mundo. Respeitado em todo o mundo é o organizador do Simpósio de Medicina de Montanha no Chile e palestrante de eventos de escalada no Chile, Argentina e Espanha

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