Estudo revela que número de acidentes em escalada diminuiu nas últimas décadas

A maneira mais simples de verificar uma teoria, que pode ou não ser verdade, é analisando estatísticas. A partir de dados objetivos é possível verificar a existência, ou não, de alguma realidade. O nome disso é análises de dados, uma atividade que transforma um conjunto de dados com o objetivo de poder verificá-los melhor. Esta análise permite ter uma razão de ser por uma análise racional e científica.

A análise de dados possui diferentes facetas e abordagens, incorporando diversas técnicas.

Na sua percepção, caro leitor, os acidentes de escalada, especialmente os fatais, aumentaram ou diminuíram nos últimos anos?

Muitos irão responder a esta pergunta de maneira pouco objetiva, pois irá basear-se na percepção pessoal de notícias disponibilizadas por veículos, lidas por você. Há poucas décadas atras não havia veículos, como a Revista Blog de Escalada, que reporta acidentes no montanhismo e escalada. Por esta facilidade de acesso à notícias que somente tinham acesso no “boca a boca”, existe a percepção que acontecem mais acidentes ultimamente.

Aqui mesmo na Revista Blog de Escalada, há uma explicação bem didática de porque um acidente de escalada deve ser reportado, além da necessidade de fazê-lo. Uma acidente acontecer em algum lugar não é, nem nunca foi, demérito a nenhum lugar, escola, estado, cidade ou associação. Acidentes acontecem, e a partir deles, estudando-os e analisando-os, é que é possível saber da necessidade de implementar oficinas de segurança para os praticantes. Quando um problema “vai embora sozinho” (escaladores que escondem acidentes) ele volta acompanhado (mais acidentes acontecem).

Gráfico de acidentes

No Brasil, existe um banco de dados de acidentes de montanha. Este mesmo banco de dados é administrado pela Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME), mas somente é alimentado pelos próprios escaladores. Infelizmente, muitos optam por não reportar o acidente neste banco de dados, por uma espécie de vergonha em admitir algum erro. Nos EUA, o American Alpine Club também possui um banco de dados de acidentes, que remete a reportes desde a década de 1950.

Nesta semana, um especialista em análise de dados foi a este banco de dados do American Alpine Club e fez um gráfico a partir de seu conteúdo. No gráfico é possível ver a disposição da quantidade de acidentes, assim como a gravidade de cada um deles. O gráfico também leva em consideração que ao longo dos anos, o número de praticantes também cresceu. Com um número maior de praticantes ao longo do tempo, o número de acidentes diminuiu de maneira sensível.

A partir dos dados foi construído um gráfico utilizando o sofware ggplot2, um programa de visualização de dados estatísticos baseada em linguagem computacional R. Esta linguagem de programação é voltada para a computação estatística e mantida pela R Foundation for Statistical Computing, sendo largamente usada para análise de dados, pesquisas, pesquisa de mineração de dados (data miners) e estudos matemáticos em geral.

Infelizmente, o gráfico somente levou em conta os dados do AAC . Ou seja, dados de outros países diferentes dos EUA não foram computados. Do ponto de vista estatístico, por ter sido reportados de forma voluntária (da mesma maneira que no Brasil) pode haver distorções em relação à realidade. Mas analisando o gráfico é possível ter uma boa perspectiva a respeito do assunto.

  1. Treinamento e workshops: Quanto maior o número de treinamento específicos (com profissionais capacitados), além de workshops em cada evento de montanhismo, menor é a probabilidade de acidentes.
  2. Treinadores capacitados: Quanto maior for a capacitação de treinadores, melhor preparados estarão os treinados. Professores de montanhismo e escalada certificados por alguma instituição colabora para a diminuição de acidentes.
  3. Reporte: Quanto mais acidentes forem reportados, melhor será a compreensão da comunidade em relação à importância de conhecimentos técnicos.
  4. Divulgação: Mesmo que um acidente não ter sido reportado (não entrando nas estatísticas do gráfico), a divulgação pelas mídias especializadas e reconhecidas pela comunidade, colaboram para a conscientização dos envolvidos e de toda a comunidade.

Para saber mais sobre a o estudo e a elaboração do gráfico de acidentes de escalada: https://www.reddit.com

Argentina de nascimento e brasileira de coração, é apaixonada pela Patagônia e Serra da Mantiqueira.
Entusiasta de escalada, trekking e camping.
Tem como formação e profissão designer de produto e desenvolve produtos para esportes de natureza.

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