Academias de Escalada: Quais são as 5 tendências para o futuro deste empreendimento?

Embora no Brasil e na América do Sul as academias de escalada ainda estejam engatinhando como empreendimento, este tipo de negócio vem crescendo no exterior. Sobretudo nos EUA e Europa. Nestes países, que possuem algumas vantagens como moeda forte, sistema tributário equilibrado e estabilidade econômica, as academias de escalada já são vistas como negócio. Claro que, assim como qualquer empreendimento, a qualidade da administração e respeito ao cliente ainda é mais importante do que simplesmente gastar dinheiro para construir paredes com a última tecnologia. Esta é uma realidade do capitalismo.

Na feira de produtos outdoor mais importante da Europa, a ISPO Munich 2019, realizada em janeiro deste ano e que teve mais de 2.800 exibidores nas categorias de esportes de neve, outdoor, saúde e bem estar. Para o futuro marketing do esporte de escalada, tendências interessantes a respeito das academias de escalada foram analisadas por quem frequentou a feira. Mas por que o interesse em academias de escalada? Porque a escalada será olímpica pela primeira vez em 2020 (e muito provavelmente em 2024 também).

Foto: https://www.ispo.com/

Para os europeus, muitos consideram a escalada indoor um esporte de tendência estabelecido que é praticado por pelo menos 500.000 pessoas somente na Alemanha. O forte crescimento do esporte nos últimos anos tem sido impulsionado principalmente por academias e paredes de escalada indoor. Alemanha, há agora cerca de 500. Olivier Aubel, do Instituto de Ciências do Esporte da Universidade de Lausanne, apresentou na feira os números sobre a escalada indoor, coletado em vários países, que mostram que o esporte está cada vez mais popular e seu marketing internacional na estreia do Indoor Climbing Hub na ISPO Munich 2019.

A feira disponibilizou algumas informações para a imprensa, que é o que está reproduzido abaixo. O potencial de crescimento dos esportes outdoor poderia, portanto, estar em novos formatos em regiões cada vez mais distantes das montanhas. De acordo com a palestra de Olivier Aubel, existem cinco tendências existentes para o futuro da escalada indoor como empreendimento.

Não é moda, é crescimento real

Foto: Cissa Carvalho

A escalada indoor é considerada por analistas de marketing como um esporte de tendência (modalidades com potencial de crescimento). De acordo com os números compilados por Olivier Aubel dos mercados globais mais relevantes (aqueles com grandes volumes de investimentos), não resta dúvida que os ginásios de escalada são um negócio interessante. Da mesma maneira que os box de Crossfit eram há aproximadamente cinco anos, os ginásios de escalada já são vistos como boas oportunidades de negócios.

A teoria infundada de que uma academia de escalada é um negócio deficitário, não existe mais. Ao menos em estabelecimentos modernos e que são gerenciados com responsabilidade e inteligência. Quanto a isso, os números apresentados por Olivier Aubel prova esta afirmação. Nos EUA, o número de novas paredes de escalada subiu entre 6% a 13% ao ano entre 2010 e 2017.

Na França, o número de novas paredes subiu entre 6% e 24% no mesmo período. Entretanto, o maior crescimento foi na Alemanha, onde o número subiu a cada ano entre 10% e 27%.”A tendência é clara: quanto mais paredes de escalada houver, mais pessoas irão escalar”, afirmou Olivier Aubel.

Uma boa observação também é verificar os locais onde as provas da Copa do Mundo de Escalada do IFSC são realizadas. Quanto mais paredes novas, mais praticantes há, tornando interessante para o IFSC realizar um evento. O interesse, claro, também fica dependendo da capacidade de organização dos esportistas do país.

Aparência das academias de escalada

Foto: https://www.ispo.com/

A imagem de paredes de escaladas totalmente cheias de agarras de escalada é uma imagem do passado e que cada vez mais deixa de existir. Esta tendência pode ser observada nos campeonatos mais importantes e nos torneios do IFSC. Enquanto no passado as paredes das academias de escalada indoor eram reproduzidas da forma mais natural possível, hoje muitos fornecedores estão se afastando cada vez mais do original.

Empresas como a Clip N’Climb desenvolveram muros de escalada artificiais que economizam espaço e também podem ser facilmente instalados em shopping centers. “Outros formatos derivados que estão se tornando cada vez mais populares são Ninja Warrior ou Parcours“, explicou Olivier Aubel, que está convencido de que o maior potencial de crescimento para a escalada indoor está nas cidades distantes das montanhas.

“Destinos malucos como escalar salões em antigos prédios vazios de fábricas em áreas industriais são os melhores. Eles atraem muitas pessoas que não tiveram muito a ver com a escalada até agora.” Uma análise precisa de geomarketing da oferta e demanda existentes é importante.

Novos modelos de negócios

Foto: https://www.ispo.com/

Por ser um negócio relativamente novo, existem diferentes modelos de negócio para projetar academia de escalada economicamente. Nos EUA, 74% das ofertas de escalada indoor oferecem um pacote de atividades diferentes. Além da parede de escalada, geralmente há também ofertas de fitness e cursos como nas academias tradicionais. Na França, por outro lado, 68% concentram-se em boulder.

Há também a tendência de que as academias de escalada estão cada vez mais associadas a restaurantes. “Este parece ser um modelo de negócios viável que poderia colocar em risco os players tradicionais no futuro”, disse Olivier Aubel. O exemplo citado pelo palestrante foi da cidade francesa de Bordeaux, onde o negócio de restaurantes investiu com cerca de € 600.000 para obter um faturamento total de € 800.000, tornando possível tornar a oferta de escalada economicamente viável.

Outros novos modelos de negócios incluem as ofertas acima mencionadas de empresas como a Clip N’Climb, com a qual a escalada também atinge shopping centers, cinemas e restaurantes.

Escalada olímpica pode trazer um boom para a escalada

Foto: Lukas Schulze

Escalada vai estrear nos Jogos de Verão de Tóquio em 2020 como um esporte olímpico. Muito mais do que a visibilidade para os atletas, o próprio esporte pode sair vitorioso disso. “A Olimpíada terá um grande impacto no futuro da escalada indoor, porque muitos milhões de telespectadores verão isso na TV.

No entanto, será decisivo como o show será apresentado”, disse Olivier Aubel em sua palestra. Além disso, cabe a todos vigiar possíveis desvios do conceito olímpico a respeito da modalidade, especialmente com quem procura explorar comercialmente o montanhismo. No Brasil mesmo já pode ser visto pessoas indo ao Monte Everest com o objetivo de “apoiar o esporte olímpico”, sendo que alpinismo e escalada indoor sequer possuem ligações estreitas.

Marketing para escalada tem que mudar

Como todo negócio, apoio inicial dos clientes é essencial para o sucesso econômico das academias de escalada. De acordo com Olivier Aubel “Aproximadamente 60% chegam às academias apenas uma vez e depois nunca mais. Os ‘não-escaladores’ se sentem inseguros no novo ambiente, especialmente quando vêm com crianças. É muito importante cuidar dos novos clientes de forma intensiva e vinculá-los, por exemplo, através de programas de fidelidade”.

Este problema é mundial, não somente nas grandes academias de Europa e EUA. O ambiente pouco amigável a quem não pratica o esporte, além da falta de visão inclusiva de donos de academias, route setters e até mesmo instrutores, contribuem para esta realidade. Especialmente na América do Sul é possível verifica que países que investiram na mudança deste cenário há 10 anos, desfrutam de atletas que hoje dominam o cenário do continente.

Além disso, há uma necessidade de preços mais eficientes e acesso mais fácil, como explicou Christian Popien, um dos co-organizadores do Indoor Climbing Hubs da ISPO de Munique: “Quando vou nadar com meus filhos, posso comprar dois ingressos € 15, mas quando se trata de escalar, você normalmente só recebe passes diários”.

Além disso, a estratégia de marketing deve mudar, como mostram as pesquisas. De acordo com o estudo, aproximadamente 70% de todos os novos escaladores são amigos, parceiros ou familiares. É precisamente este grupo alvo que a publicidade deve não só atingir, mas também vincular com sucesso. Aqui, um novo suporte direcionado ao cliente e o preço adequado devem entrar em jogo.

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