O segredo dos campeões : A rotina de treinos da bicampeã brasileira de boulder

Camila Macedo ostenta seus 33 anos com muito orgulho e em excelente forma, a atleta é exemplo de que foco, disciplina, treino e organização são fatores essenciais, para obter sucesso na escalada, e olha que ela não é uma veterana no esporte, seu primeiro contato com a escalada foi em janeiro de 2011 e, de lá para cá, ela coleciona diversos títulos de campeonatos, opens e festivais.

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Foto: Roniel Fonseca

Até hoje, foram dez participações em eventos competitivos, contabilizando seis primeiros lugares, três terceiros e um sexto, Camila é enfática em dizer, que jamais teria chegado aonde chegou, se não fosse à parceria de seu marido Eduardo Gama, que além de “segurar as pontas” quando a atleta está fora de casa, se divide entre sua empresa e toda a assessoria que presta a carreira dela. Sem falar no apoio de Lucca, seu filhote, que também já segue os caminhos trilhados pela mãe.

A atleta segue hoje, um ciclo de treinamento que é progressivo, e intercala estresse físico com períodos predeterminados de recuperação.

Seu objetivo é adaptar o treino, as características dos campeonatos, principalmente nos períodos próximos às etapas.

A intenção do trabalho é adaptar para a escalada propriedades do treinamento desportivo, focando no alcance de um desempenho físico que mais se aproxime das competidoras de alto nível do Brasil.

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Foto: Roniel Fonseca

A bicampeã brasileira passou alguns dias do mês de janeiro treinando com o técnico de escalada André Berezoski, na academia de escalada Espaço BBloc, em São Bento do Sapucaí, e ela confessou para a Revista Blog de Escalada que todo competidor brasileiro que pensa em evoluir deveria fazer o mesmo, pois considera que o altíssimo nível da academia e o acompanhamento técnico adequado, fez toda a diferença pra ela.

Atualmente, o técnico de escalada Guto Gouveia, o personal Bruno Klein e o boulderista André Braga, integram a equipe que a auxilia em sua rotina de preparação.

Camila não hesitou em atender nosso pedido de abrir a “Caixa Preta” de sua rotina de campeã, e detalha que nos períodos afastados de campeonatos, ela segue a seguinte rotina semanal, de dois dias de treinos com seu técnico Guto, na academia de escalada Caverna, mais um dia com o personal Bruno, na musculação, ou no Ginásio de Escalada Campo Base, onde ela também agita o “Treino de Quinta” com as meninas.

Mas como ninguém é de ferro, ela tem dois dias de descanso, e no final de semana, escala na rocha.

Já nos períodos que antecedem os campeonatos, faz treinos duplos três vezes na semana – de manhã e no final da tarde, complementando com treinos regenerativos de dois dias.

A rotina é dura, e muitas vezes a Camila tem que abrir mão da escalada na rocha, em alguns finais de semana, principalmente em períodos próximos às datas de competições.

Ela nos conta também, que durante a periodização, passa por dias de alta intensidade de exercícios, seguidos de aproximadamente uma semana de recuperação, nesse ciclo de quase 15 dias, a atleta tenta dormir entre oito e dez horas, muda a dieta e faz uso de suplementos como whey protein e aminoácidos.

Além disso, afirmou que a sua alimentação só é restringida (de doces, refrigerantes e guloseimas) nos períodos pré-competitivos; fora essa fase, sua dieta é hipercalórica.

“Tenho uma genética favorável, meu metabolismo é acelerado e tenho um alto gasto calórico. Então, para manter o peso, me alimento de duas em duas horas e procuro ingerir alimentos calóricos, assim não preciso comer grandes quantidades de uma só vez.”

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Foto: Roniel Fonseca

Camila confessou que considera muito pesado o desgaste físico e emocional que sente durante as semanas de choque (maior volume e intensidade de exercícios), principalmente pós-campeonato, que envolve desgaste emocional, perda de peso, muitas responsabilidades e logística.

Se não fosse o apoio da família e o trabalho junto ao fisioterapeuta, provavelmente não teria os mesmos resultados que tem expressado nos últimos dois anos.

Mencionou também que nesses quatro anos de contato com a escalada, teve a sorte de treinar nas melhores estruturas e de aprender com alguns dos melhores técnicos do Brasil.

Desabafou ainda que sente muito por não poder se dedicar com mais frequência à escalada na rocha, mas que todo ano tenta conhecer um ou dois setores novos.

A escaladora coleciona boulders clássicos da região do Morro do Anhangava e Caiobá, lugares conhecidos por terem fortes e sólidas graduações.

Durante um período de sua trajetória, algumas lesões apareceram, mas foi apenas depois que Camila caiu de um boulder batendo com o pé fora da área protegida, causando uma entorse no tornozelo, que ela conheceu o fisioterapeuta, osteopata e escalador Léo Boiarski.

O especialista orientou um regime sério e contido de períodos de descanso e regeneração, o que contribuiu para um maior rendimento e diminuiu a prevalência de lesões e dores.

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Foto: Roniel Fonseca

Camila, além de dividir sua intensa rotina de atleta, com a de mãe e esposa, está concluindo no mês de julho a faculdade de Bacharelado em Educação Física na UTFPR, e isso não é tudo, ela ainda arranja tempo para atuar como personal trainer, e aplicar aulas de treinamento funcional na Caverna Ginásio de Escalada.

Mas como todo mundo tem seu ponto fraco, com a Camila não seria diferente, e quando perguntamos pra ela qual seria o aspecto negativo dessa vida tão agitada, ela diz:

“Recebo total apoio da minha família!

Meu filho curte muito o fato de a mãe ser campeã brasileira de escalada, e meu marido é sempre o meu principal motivador, mas as viagens castigam um pouco meu coração, e às vezes quando estou viajando, me pergunto se algum dia vou me acostumar com o tempo que passamos distante, e sempre chego à mesma conclusão: não, nunca vou me acostumar, cada minuto longe dos meus amores é muito sofrido.

Meus amigos anfitriões e parceiros de viagens que o digam, pois são eles que me dão colo e as tão necessárias palavras de incentivo quando a saudade bate, e assim vou levando, muitas vezes chorando a falta que me fazem os meus meninos!”

Camila Macedo reconhece que um atleta não chega a lugar algum sozinho, e por isso, faz questão de mencionar seus apoiadores: Léo Boiarski – Fisioterapia, Caverna Ginásio de Escalada, Parque Natural Braço Esquerdo, Ginásio Campo Base, Matramba Cartucheiras, Marumby Montanhismo, Cardoso Treinamentos, Alien Energy Drink e Roniel Fonseca que além de seu amigo, é o fotógrafo que registra seus momentos.

Foto no topo: Roniel Fonseca

Sobre o Autor

Lilian Ponte

Lilian Ponte

Lílian Ponte e Silva, é formada em Segurança do Trabalho e Direito. Seu trabalho é voltado para o desenvolvimento humano e autoconhecimento, tratando de assuntos como escolhas conscientes, física quântica aplicada ao cotidiano e saúde, comunicação afetiva e efetiva, o poder da gratidão e desenvolvimento de potencialidades.
Ministra workshops, palestras e facilita vivências, bem como faz atendimentos individuais e familiares, juntamente com seu sócio que é terapeuta.

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