A Morte como uma Conselheira na Escalada

Meu amigo Victor faleceu um dia após o Natal. No dia 30 eu fui ao seu funeral.

Foi surreal ver seu caixão entrar no chão, um encerramento definitivo para uma pessoa e relacionamento que já esteve vivo. As pessoas se lamentam e se entristecem quando alguém morre. Essa tristeza nos ajuda a processar a perda.

Mas o que fazemos depois disso?

Será que a morte pode fazer algo mais fundamental para como vivemos nossas vidas?

morte-conselheira

Foto: http://en.wikipedia.org

A literatura do guerreiro tem um conceito chamado de “A Morte como uma Conselheira”. A morte é descrita como estando sentada logo acima e atrás do nosso ombro esquerdo, nos lembrando que ela está lá pronta para surgir em nós a qualquer momento.

Este conceito pode parecer mórbido de alguma forma, até nos aprofundar em seu significado. Como de costume, olharemos para a atenção e o processo de aprendizado para avaliar o benefício da morte.

Por que que as pessoas são atraídas por esportes de risco como a escalada? É porque os esportes de risco requerem que nos arrisquemos à morte. Esportes de risco aumentam o nosso valor, tornando tudo o que fazemos, pensamos e decidimos mais vívido.

Esportes de risco nos deixam comprometidos nele ao forçar nossa atenção no momento presente, pois erros podem causar nossa morte. Nós precisamos prestar atenção ao que estamos fazendo para sobreviver. A morte desvia nossa atenção pra longe de coisas externas como resultados finais, para processos internos que nos ajudam a lidar com o estresse da situação.

Foto: http://warriorsway.com/

Foto: http://warriorsway.com/

A morte de um amigo também pode nos lembrar que a vida é curta, o que tende a rearranjar o que nós valorizamos. Quando percebemos a morte como estando em um futuro distante, nós tendemos a lutar por coisas externas, como conforto, segurança e conquistas.

Quando percebemos que a morte está perto de nós, tendemos a lutar por coisas internas, como se comprometer com o processo de aprendizado e desenvolver relacionamentos.

Permitir que a morte nos aconselhe pode engrandecer nossa vida comum. Pense nisso. Se soubéssemos que iríamos morrer amanhã, como viveríamos nossa vida hoje? Lutaríamos por atingir mais resultados finais ou gostaríamos de passar mais tempo com a família e amigos?

Eu acredito que a maioria das pessoas escolheria a segunda opção.

Foto: http://gripped.com

Foto: http://gripped.com

Obviamente, um equilíbrio entre coisas externas e internas é necessário. O ponto agora é que a morte tem um impacto em como focamos nossa atenção, e nós precisamos tirar vantagem desse ponto. Sua urgência nos faz prestar atenção a cada momento e focar no que é mais importante.

A morte desloca o que nós valorizamos para longe de coisas externas e em direção de relacionamentos internos e aprendizado.

A morte é a grande equalizadora. Para ela não importa se somos ricos ou pobres, felizes ou tristes, se estamos focados em resultados finais ou em processos. A morte arrebatará a vida de nós a qualquer momento. Victor estava felizmente casado, tinha duas filhas adoráveis e pilotava aviões.

Ele viveu uma vida que valorizava relacionamentos e fazer o que ele amava. Ele estava vivo em um momento, teve uma embolia pulmonar e morreu de um momento para o outro antes mesmo dele chegar ao chão.

Ele não tinha nem ideia de que a morte viria nesse momento. A morte tirará a maioria de nós dessa mesma forma inesperada.

A questão é: Estaremos satisfeitos com a forma como vivemos nossas vidas quando a morte nos chamar?

A realidade é que a morte está bem próxima de nós; ela está sentada acima e atrás de nosso ombro esquerdo.

Ela nos agarrará ano que vem, no próximo mês, próxima semana, amanhã ou no momento seguinte?

Não sabemos. Podemos, porém, usar a morte para nossa vantagem.

Podemos permitir que ela nos aconselhe em como viver nossas vidas.

Podemos permitir que ela mude como usamos nossa atenção e o que nós valorizamos fundamentalmente.

1-WarriorsWaylogo_

O livro “The Rock Warrior Way – Mental Training for Climbing” está à venda traduzido para a língua portuguesa no Brasil em: http://www.companhiadaescalada.com.br/

Tradução do original em inglês: Gabriel Veloso

Arno Ilgner distinguiu-se como um escalador pioneiro nos anos 1970 e 80, quando as principais ascenções foram as primeiras fortes e perigosas. Essas façanhas pessoais são a base para Ilgner desenvolver o programa de treinamento físico e mental – Rock Warrior Way ®. Em 1995, após uma pesquisa aprofundada da literatura e prática de treinamento mental e as grandes tradições guerreiras, Ilgner formalizado seus métodos, fundou o Instituto Desiderata, e começou a ensinar seu programa de tempo integral. Desde então, ele tem ajudado centenas de estudantes aguçar a sua consciência, o foco de atenção, e entender seus desafios de atletismo (e de vida) dentro de uma filosofia coerente, baseada em aprendizado de tomada de risco inteligente. Ilgner considera a alegria e satisfação no esforço – a “viagem” – intimamente ligada à realização bem sucedida das metas.

Comente agora direto conosco

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.