A escalada nas montanhas e a indoor – A epistemologia em prol da escalada na academia

Poesia Vertical

Feito bailarinos refugiados da falsa segurança do chão, negam-se escravos andantes e também não se assumem alados.

Seguem como simples acrobatas ascendentes, sem que isso lhes pareça pecado.

Palestrantes deseducados de dorso voltado à platéia composta por flores, bichos, sol e os ventos,

Que, como crianças tímidas num sarau, silencia-se atenta a seus movimentos.

Parecidos rabiscos rupestres, pinturas lambuzadas de gente.

Incólumes moralmente marcham, sem que mais nada os contemple.

Artistas desumanizados pela quase ausência do medo, diagnosticados animais mansos e loucos,

Orquestrados por um regente invisível, sem aplausos, flashes ou louros.

A queda solitária delatada num grito os torna tenores desafinados e desconhecidos,

Muito embora de lá seus suplícios jamais sejam ouvidos.

Guerreiros que digladiam isolados, aptos a calejarem mãos, mente e coração,

Desobrigados à vitoria, arquitetam lentamente sua própria prisão.

Nômades ordenados de órbitas oculares fixas ao norte, grávidos apenas de fé e mais nada.

O cume, a glória ou a queda – não importa – praticam sua virtude, primam apenas pela jornada.

Origem da academia

Os versos acima reverenciam a escalada clássica nas montanhas, sem disputas, gratificações e de muito raros reconhecimentos que não os pessoais. Interação homem/natureza através do respeito e cooperação mútuos. Diferente, nem mais nem menos bela ou importante que sua primogênita a escalada “indoor”, que será a nossa representante nos próximos jogos olímpicos de Tóquio 2020, no Japão.

Foto: https://www.edgeworksclimbing.com

Foto: https://www.edgeworksclimbing.com

A história da escalada em rocha é muito antiga, quase se confunde com a história do próprio homem; já a escalada em paredes artificiais, ginásios ou “academias de escalada” é  bem mais jovem, tendo sido criada a princípio pelos europeus, para que pudessem escalar mesmo em condições climáticas desfavoráveis.

Hoje, praticar escalada em academias tem inúmeros outros motivos e benefícios, mas, antes de elucida-los, expliquemos a origem da palavra “academia”.

Papo reto – Versão Paulistana

Sócrates era o cara da filosofia Ocidental, se pá é até hoje o maior filósofo de todos os tempos. Todo mundo pagava o maior pau pra ele, mas ele não achava muito da hora  esse lance de escrever e tal curtia mesmo era falar aos seus discípulos em qualquer quebrada e  na faixa, e de tanto cuspir palavras ,os coxinhas da época acharam que ele estava tirando e o condenaram a tomar veneno (literalmente).

Após Sócrates partir pra cidade do pé junto, Platão que era seu truta do peito assumiu o BO. E logo que chegou na parada viu a necessidade de se construir uma goma onde pudessem ficar trocando ideia, maquinando, ensinando e aprendendo, e  a construiu num jardim em cima de onde foi sepultado um antigo herói grego de guerra chamado Academo, daí surgiu o nome “academia”, primeira instituição de educação do mundo ocidental ,local de estudo e aprendizado.

Foto: http://filosofiaemvideo.com.br/

Foto: http://filosofiaemvideo.com.br/

O sucessor natureba de Platão como líder da Academia seria Aristóteles, seu pupilo há mil anos, mas ele era meio tretado com Platão, e as coisas ficaram embaçadas pro seu lado quando caguetaram que sua crença na filosofia platônica estava meio miada, junto com a outra fita de que ele não era Ateniense. Assim, mesmo sendo o principal candidato a boss da academia a casa caiu, e foi convidado a vazar de lá.

Mano Aristóteles não se abalou, demorô, e´ nois, ele disse, e vazou na moral. Porém, como manjava de tudo um pouco, logo descolou um trampinho como preceptor, aquele que na ausência dos coroas, ensinava aos catarrentos tudo que eles precisassem saber, tipo o que os jogos eletrônicos e internet fazem hoje em dia. De início achou a missão level hard, osso demais, pois o moleque que teria que ensinar era meio xarope, mas não pipocou e partiu pra cima.

Ari deu um trampo tão ferrado que esse moleque um dia se tornou Alexandre, o Grande, general pica das galáxias, que saiu por aí afora colando o brinco de todo mundo, conquistando mo cota do planeta à época, e isso na base da dentada.   Então quando Alexandre, o Grande, conquistou a bagaça toda, Ari voltou a Atenas e, ao invés de arrumar treta ou meter a mala assumindo a direção da academia, fundou sua própria goma de ensino, o famoso Liceu, de onde de tanto queimar neurônios deu um start num legado sinistro, a epistemologia, algo tipo a ciência ou teoria das práticas do conhecimento científico.

Vixi! O bagulho é louco.

A epistemologia em prol da escalada na academia

A academia se mostra então o principal local de aprendizado, aperfeiçoamento e busca de conhecimento em 2.500 anos e a “academia de escalada” nos parece um bom lugar para aprendermos e nos aperfeiçoarmos, seja com intuitos competitivos ou não, com seu relativo conforto, segurança, ausência de intempéries como frio, chuva, vento e o auxílio de profissionais devidamente treinados e capacitados. No Brasil inclusive, encontramos hoje cursos sérios de capacitação profissional em escalada indoor, além de profissionais especializados, na Europa e EUA, em treinamento indoor para escaladores.

Foto: http://www.campnavigator.com/

Foto: http://www.campnavigator.com/

Através da epistemologia ou teoria do conhecimento, estudos científicos foram e continuam sendo realizados com o intuito de aumentar o desempenho e qualidade do treinamento para escaladores. Esses podem ser melhor aplicados em academias através de inúmeros tipos de equipamentos, exercícios e técnicas inovadoras, facilitando então a aplicabilidade de forma controlada de alguns dos principais fundamentos e capacidades físicas envolvidas na escalada.

Um exemplo disso, a resistência, uma vez que podemos nos exaurir através de métodos de treinamento de séries repetidas com maior segurança e comodidade. Outro é o aumento do repertório motor, com a prática de inúmeras possibilidades de movimentação em boulders, travessias e top ropes. Fatores de cunho psicológico como a queda numa via também podem muito bem ser retratados num ginásio, a fim de que o praticante adquira confiança. A relação interpessoal que encontramos numa academia também é fator positivo, uma vez que podemos trocar experiências com um maior número de praticantes de estilos os mais diversos.

O crescimento das academias de escalada, tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo no Brasil e no mundo, deve refletir num conseqüente crescimento do esporte.

A escalada nas montanhas e a escalada in door (em academias) devem ser aliadas e complementares – um mesmo esporte, praticado em ambientes distintos, com finalidades similares, e uma mesma paixão.

A alegria que se tem em pensar e aprender faz-nos pensar e aprender ainda mais.

–  Aristóteles

 Pequeno dicionário Paulistanês

  • A casa caiu – Deu tudo errado
  • Bagaça – Qualquer coisa
  • Bagulho louco – Coisa incrível
  • BO – Problema
  • Boss – Chefe
  • Caguetaram – Delataram
  • Catarrentos – Jovens
  • Cidade do pe junto – Cemitério
  • Coroas – Pais
  • Coxinhas – Pessoas da alta sociedade / autoridades
  • Cuspir palavras – Falar demais
  • Da hora – Legal
  • Demorô – Agora
  • Dentada – Forca física
  • É nóis – Afirmação
  • Embassada – Complicada
  • Ferrado – Árduo / Chateado
  • Fita – Acontecimento
  • Goma – Casa
  • Lance – Alguma coisa
  • Level hard – Muito difícil
  • Maquinando – Pensando
  • Manjava – Entendia
  • Meter a mala – Prepotência
  • Mili anos – Muito tempo
  • Missão tensa – Trabalho difícil
  • Mo cota – Grande parte
  • Na moral – Com calma
  • Na faixa – De graça
  • Natureba – Natural
  • O cara- Maioral
  • Osso – Difícil
  • Pagar o maior pau – Admirar
  • Parada – Coisa
  • Papo reto – Direto ao assunto
  • Partiu pra cima – Enfrentou
  • Pica das galáxias- Melhor de todos
  • Pipocou – Desistiu
  • Quebrada – Lugar
  • Queimar neurônios – Pensar muito
  • Se pá – Talvez
  • Sinistro – Incrível / Bizarro
  • Start – Inicio
  • Tipo – Assim
  • Trampinho – Pequeno Trabalho
  • Treta – Briga
  • Tretado – Brigado
  • Trocando idéia – Conversando
  • Truta – Camarada
  • Vazar – Ir embora
  • Vichi! – Nossa
  • Xarope – Chato / Estranho

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