A Escalada e o Pano Mágico

Pano Mágico

Batizei este pequeno pedaço de tecido após ter feito uma avaliação aprofundada do quanto ele havia participado de minha vida nesses meus quase 33 anos de história e do quanto, nos últimos 10 anos de muitas trilhas e escaladas, ele fez a diferença entre o bem estar e o perrengue.

Poucos objetos neste mundo são tão importantes quanto o pano mágico. Ele pode ser classificado como “a carta na manga” para as mais variadas situações e tem uma versatilidade como poucas coisas neste mundo.

É claro que ao longo dos anos ele foi sendo substituído. À medida que ia envelhecendo e sendo desgastado pela ação do tempo, dos banhos na máquina de lavar e do uso constante de sabão em pó, um novo pano mágico tomava o lugar do antigo.

O primeiro contato foi quando ainda era criança e brincava na água. Lembro dele me protegendo do frio e me secando depois de minutos de tremedeira e bater de queixo, quando minha boca estava azul de tão roxa, ou quando sentei sobre ele para criar aquele espaço fantástico e único que é uma “mesa” de picnic. Ele sofreu com o suco derramado, os galhos que perfuravam suas tramas, mas cumpriu sua missão.

Na adolescência descobri uma das principais funções do pano mágico. A utilidade para qual ele havia sido criado. Na época eu me contentei. Achei que era assim mesmo, como um abridor de lata que só serve para uma função, e nada mais.

Mas ele aos poucos ia se revelar e mostrar todas as suas possíveis facetas. Fui criando as situações propícias e favorecendo a descoberta de mais e mais funções a cada trip e enrascada que me metia.

Ele serviu de casa e me protegeu dos raios “torrantes” do sol na Pedra Branca, em Palhoça/SC, quando fiquei lá em cima cuidando para ninguém jogar pedras no vale enquanto o Du e o Odair escalavam a via Ferrovia. Acredite, depois que eles chegaram eu tive um “lapso” e joguei uma maçã meio estragada vale abaixo que podia ter acertado outro escalador.

Não sei explicar o que aconteceu; que impulso irresistível foi aquele que me levou a agir assim. Acho que foi exatamente por isso que fiquei montando guarda por quatro horas lá em cima.

O pano mágico foi meu guarda-chuva em tantas trilhas que perdi a conta. Nestas situações meteorológicas seu tamanho ideal foi capaz de proteger mais três pessoas além de mim, ou seja, ele tem também uma função social.

Nas vias de escalada já coloquei ele como protetor de corda e também para caminhar em cima evitando que a sapatilha sujasse de areia ou pegasse umidade do solo. Olha aí ele desempenhando um papel de segurança no esporte!

Ele já serviu de barreira térmica nos dias de ventania, agasalho nos dias de frio e cobertor para um sono da tarde. Ele foi saia, vestido, top, bolsa, bandana, cachecol, chapéu, protetor de sofá, cortina e até capa de super-herói.

Ele é pisado, esticado, torcido, amarrado sem dó nem piedade. Ninguém se preocupa em cuidar bem do pano mágico. Ele é um “pau pra toda obra” e mesmo velhinho, manchado, puído e rasgado ainda é útil.

Poucos homens um dia vão comprá-lo, apesar de 100% deles não terem vergonha alguma de usufruir de seus benefícios. As mulheres ficam sempre encantadas com tampas estampas, cores e da forma atraente como eles balançam no vento.

Minha canga, esse maravilhoso pedaço de tecido, leve, de secagem rápida, que ocupa pouquíssimo espaço na mochila, mas que faz uma falta danada quando não está presente é o meu precioso pano mágico.

Uma sugestão? Tenha sempre uma canga junto com você e para quem trabalha com moda…

Que tal criar cangas para o público masculino também?

Poder ser que a pergunta certa a se fazer seja: Qual a melhor vitrine? A do corpo ou a da alma?

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Sobre o Autor

Juliana Falchetti

Juliana Falchetti

Da cozinha para o mundo. Nutricionista de formação se encantou pela fotografia e vídeo e encontrou na moda e nos esportes ao ar livre uma paixão forte e duradoura. Pós-graduada em Fotografia realizou expedições fotográficas e produções audiovisuais pelo Brasil e Argentina

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