A diferença entre o sofrimento mental e o físico

Na semana passada meu amigo Jeff Lodas e eu fomos para as Montanhas Bighorn em Wyoming na face leste do Cloud Peak. A face leste é uma parede de granito de 305 metros de altura, com vários conglomerados pretos e brancos ao longo dela.

Estabelecemos a meta de abrir uma via nova na parede. Levamos uma semana de suplementos em mochilas com 30 kg e começamos a trilha de 20 km para a montanha. Sem surpresas, nós começamos a sofrer.

Há uma diferença entre o sofrimento mental e o físico. O sofrimento físico é dado. Se queremos escalar uma parede grande, iremos sofrer fisicamente na aproximação, na escalada, e na volta.

Foto: http://warriorsway.com/

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Muito esforço físico será necessário para cumprir a meta. No entanto, o sofrimento mental é opcional. Se a mente está focada em resistir o sofrimento físico, então vamos sofrer mentalmente.

O sofrimento aumenta conforme nossa atenção se desloca para fora do momento presente. O corpo está sempre no momento presente. Para minimizar o sofrimento físico, focamos nossa atenção na qualidade de com o que queremos comprometer o corpo.

Fazemos isto relaxando nossos sentidos e nós mesmos o máximo possível. Se nossa atenção está focada no corpo e no que percebemos com nossos sentidos, então ele não estará focado na mente, pensando em escapar do estresse.

A mente pensante pensa no momento presente, mas o processo de pensar em si foca nossa atenção em experiências passadas e metas futuras. Isto é necessário para a colheita de informação efetiva, planejamento e tomada de decisão.

No entanto, uma vez que o ato de pensar terminar e decidimos tomar ação, precisamos colocar a mente como observadora. A mente observa o corpo enquanto ele está engajado na situação estressante.

Sofremos mentalmente e perdemos poder mental se permitimos que a mente pense durante a ação. A mente faz isto de várias formas.

Foto: Cory Richards | http://video.nationalgeographic.com/

Foto: Cory Richards | http://video.nationalgeographic.com/

Primeiro, em vez de aceitar o estresse como parte da experiência, a mente focará em desejar que a situação fosse menos estressante. A mente desejará que a trilha de aproximação fosse uma distância menor do que 20 km, ou que a trilha fosse plana ao invés de passar por cima de pedras.

Se permitimos que a mente foque nossa atenção em desejar, então nosso poder diminuirá. Parte de nosso poder vai ser aplicado pelo corpo para lidar com o estresse e parte do nosso poder será distraído pela mente desejando que a situação fosse menos estressante.

Segundo, a mente tem uma tendência de focar no que queremos tirar da situação em vez de focar no que podemos dar nela. Atingir qualquer meta requer que nos esforcemos. Atingir uma meta ocorre no futuro.

Perdemos poder permitindo que a mente foque na meta futura. Se tivéssemos focado em atingir a meta de abrir uma nova via na face leste, então não estaríamos focado em determinar aonde cada cordada seria, como encontrar os lugares certos para colocar proteções, e realizar a escalada necessária.

Para sermos poderosos, precisávamos de nossa atenção focada no momento, no esforço em si.

Terceiro, a mente tende a resistir o estresse e se motivar com o conforto. Ela desviará nossa atenção para um tempo passado ou futuro onde estaremos confortáveis. Rapelar na descida depois de nosso terceiro dia na parede, a corda ficou presa em uma fita direcionadora que havíamos esquecido de desclipar.

Não conseguimos retirar nossa corda. Várias tentativas de resolver o problema não foram suficientes. Já estava ficando escuro e nossas mentes começaram a pensar em como e por que cometemos um erro tão estupido. Estávamos começando a ficar frustrados um com o outro.

Nossas mentes começaram a criar um sofrimento mental, pensando sobre o erro estúpido, na frustração e em nosso desejo para voltar ao n osso acampamento confortável. Precisávamos manter nossa atenção focada em usar nossas mentes para pensar em soluções possíveis e depois usar nossos corpos para agir nelas. Levou uma hora de atenção focada para achar uma solução para recuperar a corda.

Foto:  http://adventure.nationalgeographic.com/

Foto: Tim Matsui | http://adventure.nationalgeographic.com/

Em cada um desses casos, precisamos melhorar nossa atenção. Precisamos melhorar nossa habilidade de perceber quando a mente distrai nossa atenção do momento presente. Em vez de permitir que a mente deseje que a situação fosse menos estressante, aceitamos o estresse como parte de nossa escolha.

Em vez de permitir que a mente foque em metas futuras, focamos no esforço em si. Em vez de permitir que a mente foque em uma situação futura confortável, focamos em resolver o problema estressante que nos encara no momento presente.

Nós garantimos nosso poder mental cada vez que notamos que a mente desloca nossa atenção para fora do momento presente. Se precisamos pensar, então focamos em utilizar experiências passadas para criar possíveis soluções para os problemas. Se precisamos agir em essas soluções, relaxamos no estresse do momento e realizamos o processo de nos levar através delas.

Permitimos que o sofrimento físico ocorra, mesmo lutando com ele. O prazer vem de sentir o corpo trabalhar e observar a mente pensar efetivamente para resolver problemas. Nós abraçamos o sofrimento físico e permitimos que a mente observe toda a experiência.

Fazer isto nos torna mais conscientes de que o sofrimento mental é uma opção, uma opção que escolhemos não fazer.

Dica pratica: pequenos passos

O sofrimento mental pode ocorrer porque você permite que a mente foque em atingir sua meta. A mente pensará sobre todo o estresse que separa você da meta.

Em vez disso, encontre pequenos passos que você pode tomar na direção da sua meta.

Identifique um pequeno passo que você pode tomar que te permitirá entrar em ação agora. Depois, identifique o próximo pequeno passo que pode dar.

Fazer isto desloca sua atenção do futuro para a ação no momento presente. Você atingirá sua meta antes de perceber.

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O livro “The Rock Warrior Way – Mental Training for Climbing” está à venda traduzido para a língua portuguesa no Brasil em: http://www.companhiadaescalada.com.br/

Tradução do original em inglês: Gabriel Veloso

Arno Ilgner distinguiu-se como um escalador pioneiro nos anos 1970 e 80, quando as principais ascenções foram as primeiras fortes e perigosas. Essas façanhas pessoais são a base para Ilgner desenvolver o programa de treinamento físico e mental – Rock Warrior Way ®. Em 1995, após uma pesquisa aprofundada da literatura e prática de treinamento mental e as grandes tradições guerreiras, Ilgner formalizado seus métodos, fundou o Instituto Desiderata, e começou a ensinar seu programa de tempo integral. Desde então, ele tem ajudado centenas de estudantes aguçar a sua consciência, o foco de atenção, e entender seus desafios de atletismo (e de vida) dentro de uma filosofia coerente, baseada em aprendizado de tomada de risco inteligente. Ilgner considera a alegria e satisfação no esforço – a “viagem” – intimamente ligada à realização bem sucedida das metas.

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