A crônica de uma lesão e a volta à escalada

Em fevereiro desde ano, me deparei com uma dor insuportável no joelho, que me impedia de correr, doía para subir e descer escadas, dirigir era uma tortura.

Foi então que procurei um ortopedista, três semanas para conseguir uma consulta. Enfim, radiografias e ressonâncias.

Laudo: Condropatia Patelar grau IV e um discreto Desvio Lateral Patelar.

Me desesperei.

Para saber mais detalhes do diagnóstico acesse aqui 

Impressão da Ressonância Magnética do Joelho Direito

Impressão da Ressonância Magnética do Joelho Direito

Impressão da Ressonância Magnética do Joelho Direito

Mínimo derrame articular, destacando plica médio-patelar fina, próxima da articulação patelo femoral.

Foi um dos dias mais tristes da minha vida.

O médico disse: “Esquece a escalada e correr então!” Saí do médico chorando. Sem rumo.

Nem eu sabia que não poder escalar doeria tanto.

Tudo mudou: meus horários, meus programas, meus dias, minha alimentação, meus “amigos” (sempre me lembro de um texto que li sobre amigos e parceiros de escalada).

Pós-Cirurgia

Enfim, 7 meses se passaram.

Busquei outros médicos, fiz acupuntura, fisioterapia, mas atividades físicas, eram “proibidas”.

Não conseguia ver o porquê de treinar, se não tinha previsão em voltar a escalar. O muro em casa parado e vazio.

Até tentei algumas vezes, começava a treinar, e depois de uma semana já estava parada de novo.

Discreta redução da interlinha articular femorotibial.

Discreta redução da interlinha articular femorotibial

Procurando outros médicos

Por que buscar outros médicos?

Sempre é bom saber outras opiniões.

Um disse nada de atividade física, outro depois de 3 semanas perguntou porque eu não estava correndo, um terceiro quando eu ia fazer cirurgia.

Uma fisioterapia baseada em “choquinho” que me irritava.

Outra fisioterapia que suava igual academia. Depois de tanta desavença, resolvi estudar muito sobre meu caso.

O que era feito em fisioterapia, ver vídeos, ler artigos, juntar por tudo que passei, e não desisti. E claro, como alguns escaladores treinavam.

O mais importante observado, é que os escaladores não treinavam pernas (joelho), ai eu fui ficando mais animada.

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Tendinopatia leve nos quadríceps junto à inserção patelar.

 

E sabia que podia voltar a treinar sem sobrecarregar meu joelho.

Resultado foi que decidi voltar aos treinos, musculação, pois são muitos meses parada, junto com os treinos em muro artificial, e finguer.

Nada de muito difícil ou pesado, em um limite bom para se sentir cansada.

Mas que me faça voltar à rocha.

A volta à escalada

Foto: Acervo pessoal Diandra Pitella

Foto: Acervo pessoal Diandra Pitella

Já são duas semanas treinando e voltei a escalar.

Fui a Calogi, o setor que eu mais gosto no Espírito Santo, sempre com a vibe 100% de Felipe Sertã, amigo que não me deixou um dia só sem vibe, sem um kmonnn, sem perguntar como eu estava.

Ás vezes sumida, as vezes por ai, mas tudo mudou.

A volta foi tensa. Uma mistura de medo, ansiedade e doida para escalar. Eu queria ir, ao mesmo tempo não queria.

Os amigos não me deixaram desistir nenhum segundo.

Fiz um sexto grau, guiando, mas com medo, na da de dores nem nos braços nem no joelho. Uma via que eu conhecia e gostava muito. Não sabia como meu corpo ia se comportar. Só sei que não pensei no joelho, nem em dor.

Gleidi ainda perguntou se era o joelho esquerdo que estava mau. Meu joelho lesionado é o direito.

Queria mais, e voltei a entrar na via Trem da Morte (7C), via linda que adoro escalar.

Encadenar não era o objetivo.

Na verdade, era entrar de top, e escalar.

Felipe Sertã deixou equipado até depois do crux, e de top entrei. 35m de via, o top em um 10 ou 12 metros, e a felicidade era tudo.

Caí no crux, falta de confiança, e a cabeça não deixava.

Os braços não estavam cansados, e eu queria mais.

Voltei e passei.

Levei as costuras na cintura, e fui até o final equipando, cada movimento era um sentimento de alegria, misturado com uma sensação que eu podia mais e mais.

E entendi o quanto as chapas são longe naquela via (nuuuuuu).

Sempre com o pensamento de não deixar o medo me paralisar, desci feliz!

Decidida a voltar a treinar mais! E escalar!

Inspiração

Foto: Acervo pessoal Diandra Pitella

Foto: Acervo pessoal Diandra Pitella

Estou lendo novamente alguns livros que falam o quanto a cabeça comanda nossas ações.

Esses dois são sempre bons para reler.

  • CABEÇA DE CAMPEÃO – François Ducasse e Makis Chamalidis – Editora COB cultural.

No meu blog estão mais informações sobre os treinos que estou fazendo.

Devagar tudo estará lá.

Agora, a vida segue com mais alegria no coração.

Cada dia, é um dia de observar, um dia de não sentir dor, seguir treinando, fortalecendo o joelho, melhorando a cabeça, e escalando!

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Diandra é Mineira,professora e escaladora e reside no estado brasileiro do Espírito Santo, sendo a primeira escaladora do estado capixaba a encadenar uma via de 8º brasileiro.

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