7 maneiras mais estúpidas de se matar escalando (sem eufemismos)

Se você não sabe o que é eufemismo aqui vai uma explicação bem simples: Eufemismo é uma figura de linguagem que emprega termos mais agradaveis para suavizar uma expressão. Situações de grande impacto, como morte, dizemos que “partiu”, ou que “deixou esse mundo”. Este tipo de recurso é muito utilizado por quem quer evitar ser direto em alguma notícia ou suavizar a realidade de alguma derrota.

Faz pouco tempo tive que fazer parte de um resgate e busca, no qual as possibilidades de encontrar a vítima eram muito próximas de zero, mas sabia que tinha de fazer de qualquer maneira. A culpa foi 100% da vítima e, por isso, resolvi escrever. Não foi para criticar o procedimento que o levou até a morte, ou para lamentar a sensação de tragédia por parte de amigos e família. Mas me coloquei a pensar quantas vezes já vi escaladores fazerem verdadeiras “estupidezes” que colocam suas vidas e a dos outros em perigo.

Estas pessoas demostraram existir zero critério, ou mesmo nenhum bom senso por parte de alguns escaladores. A maioria (próximo de 90% dos praticantes) já viu ao vivo e a cores alguma coisa do gênero, com grande probabilidade de fazer cara feia. Mas se alguma coisa ruim acontece as consequências espirrarão em todos (incluindo você).

Foto: http://herb.co

1 – Ir drogado ou bêbado a escalar (com maconha ou álcool) – Infelizmente isso é muito comum. Não há estatísticas sobre isso, mas culturalmente sabe-se que a taxa de escaladores que fuma canabis, ou toma cerveja/destilados, é alta. O estas pessoas fazem de suas vidas é problema deles, mas fazer isso antes, ou durante, uma escalada é uma gigantesca falta de senso. Isso é o mesmo que dizer que “bêbado eu dirijo melhor”.

Se seus neurônios são de outro mundo (porque não funcionam como os demais) e você acredita demasiadamente em seus reflexos, ou até mesmo acha que sua tomada de decisão será melhor sob o efeito de THC/Álcool, deveria antes ir a algum canal de televisão e fazer-se conhecer. Você é um fenômeno!!!! Caso contrário não seja burro ao tentar isso, que se algo acontecer muitas outras pessoas passarão perdendo tempo tentando te salvar, ao mesmo tempo que você constatará que não é o “fenômeno” que achava que era.

Foto: https://www.emaze.com

2 – Dar segurança drogado ou bêbado – Separo dar segurança de escalada em si porque muitos escaladores ficam tão “doidões” que preferem ficar no chão e apenas dedicar-se a dar segurança ao companheiro.  O que naturalmente é mais uma idiotice. As observações são iguais à do tópico anterior e ainda acrescento uma pergunta: você deixaria alguém chapado, com 99,9% de chance de ter os sentidos alterados, te dar segurança e, consequentemente, colocar a sua vida em risco?

Visualize então este mesmo escalador chapado tentando dinamizar uma queda de alguém, ou até mesmo tentar travar o freio, sendo que ao mesmo tempo não consegue controlar o riso. Se acredita que estou exagerando, asseguro que vi uma vez, tanto escalador quanto segurador, não segurarem o riso antes de começarem a escalar.

3 – Não saber usar um dispositivo de segurança (grigri, atc, ou o que seja) – Este exemplo é tão comum que posso dizer que vi todas as vezes que fui escalar. É surpreendente a quantidade/porcentagem de escaladores que não sabem, ou usam mal, os dispositivos de segurança.

E pior: você ainda recebe cortadas quanto tenta ensinar o correto. Alguns com vários anos de escalada e mesmo assim seguem fazendo mal a segurança e seguem ensinando mal. Aquele que aprende de maneira errada com uma pessoa, segue achando que a maneira errada é a certa.

4 – Conversar enquanto faz a segurança – Muitas pessoas fazem isso como se estivessem em um bar. Sempre conversando de coisas “interessantes” como as manchetes do jornal, a postagem do amigo no Facebook, a foto de uma amiga no Instagram. Sempre, claro, com o amigo que está escalando no meio da via começando a “chamar o Elvis”.

Esta falta de atenção sempre gera vacas não dinamizadas, gritos desesperados do escalador e muito, muito estresse. Não raramente há um tornozelo rompido por conta deste vício.

5 – Ensinar a desequipar a via com a pessoa já em cima – Este tipo de inconsequência também é bastante normal. Identifica a total falta de comprometimento com o companheiro. Grita-se de como deve fazer, enquanto a pessoa lá em cima não tem ideia do que está fazendo.

Dar explicações a 20 metros de distância não é uma tarefa simples, nem brincadeira de criança. Cordas mal passadas por conta de algo que não entendeu direito acontecem sempre.

Foto: Eric Hengesbaugh | http://www.rockandice.com/

6 – Não reconhecer os perigos de um lugar natural – Insetos perigosos como marimbondos, abelhas, aranhas, vespas, etc, ou até mesmo de grandes animais como ursos, onças, gato do mato, ratazanas, etc. Em Yosemite, nos EUA, um amigo já passou apuro por conta de um urso que foi atrás de sua comida. Ignorar também locais como rios onde não é permitido nadar, rocha de má qualidade, etc.

7 – Não usar capacete – Neste item até me incluo (pois sou honesto nas minhas críticas). Não usar capacete é uma burrice do tamanho de um elefante. Com os modelos atuais que existem no mercado, pesando menos que um chapéu, é muito pouco prudente não usá-lo. Isso vale tanto para quem escala quanto para quem provê segurança. Por uma destas coisas da vida em Piedra Parada (local de uso obrigatório de capacete) resolvi suar um em uma vida de várias enfiadas.

Justamente na parada da terceira enfiada  caiu uma pedra do tamanho de uma bola de ping-pong e rachou meu capacete em dois. Caso não estivesse usando teria uma cicatriz e uma história horrorosa para contar. Atualmente não uso, vou confessar, e faço parte dos idiotas que andam por aí. Mas pelo menos seu usar o grigri, não bebo ou fumo, mas estou provocando a sorte, isso certeza.

Foto: http://petzl.com

8 – Se sabe de outra nos envie mensagem!!

Tradução autorizada de: http://rocanbolt.com

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Gonzo Rocanbolt é chileno, médico, escalador e indiscutivelmente uns dos mais completos autores de artigos sobre treinamento de escaladores existentes no mundo. Respeitado em todo o mundo é o organizador do Simpósio de Medicina de Montanha no Chile e palestrante de eventos de escalada no Chile, Argentina e Espanha

There are 17 comments

  1. Cassio Alvaro

    Mais uma materia ridicula sensasionalista traduzida do rocanbolt. Maconha nao tem a capacidade destrutiva do alcool, e são MUITOS outros fatores envolvidos que causam acidentes. Pelo amor de Jah, prezem pela integridade do blog e repensem antea de sair traduzindo qualquer POTOCA, sem eufemismos.

  2. Luis

    A partir desta noticia so posso querer que esta pessoa não sabe do que fala… 75% dos escaladores são fumadores de maconha e o facto de haver acidentes, não tem a haver com o consumo de maconha, tem sim a haver com a falta de atenção e o facilitar de certas situações… As drogas pesadas e alcool concordo plenamente, mas não julguem gato por lebre amigos…

  3. FERNANDO NASCIMENTO

    Eu soube de um escalador na Urca que na hora de rapelar em uma via nos Coloridos, não “meiou” a corda corretamente e esqueceu de fazer o nó de frade na ponta. A consequência foi desastrosa, pois uma das ponta da corda saiu do freio durante o rapel, o escalador caiu de uma altura considerável e se quebrou bastante.

    Foda é que eu já ví esse mesmo escalador, antes desse acidente que relatei acima, cair do meu lado no morro dos Cabritos. Foi uma queda razoável, onde ele machucou o braço. Essa queda que eu presenciei, poderia ter sido evitada se a pessoa que estava dando segurança não tivesse deixado uma barriga tão brande na corda. Ele caiu quando tentada clipar o terceiro grampo.

    Seu sei que acidentes acontecem, e as vezes, não tem como evitar, mas quando escalo, vejo as pessoas cometerem alguns erros de segurança são muito grosseiros.

  4. Cristina Bicalho

    – Outro motivo comum de acidente: prender-se na cadeirinha com um mosquetão e não com um nó. Conheço mais de uma pessoa que se acidentou pois o mosquetão abriu durante a escalada. Caso insista no uso do mosquetão, colocar 2 mosquetões invertidos.

    – Ia falar sobre checar o equipamento, mas vi no comentário acima. Eu já comecei uma escalada com um nó não finalisado e me dei conta durante um descanso (segurei a ponta da corda num reflexo). Já desci 300 metros de abismos com um maillon da cadeirinha aberto.

    – Nunca interromper alguém que está se equipando ou fazendo o seu nó. Ele pode partir escalar depois da conversa sem terminar o que estava fazendo.

    – Dar sempre um nó na ponta da corda em escalada de multiplas cordadas.

    – Ao recuperar a corda numa escalada de várias cordadas, pensar em relirar o nó e dar uma cadencia constante à corda para que ela não dê um nó em si mesma (já aconteceu comigo, por sorte estávamos com cordas gemeas).

  5. PQD MENDES

    Olá meu nome é Ronaldo MENDES.
    Em julho de 2016 fui escalada a via chaminé stop aqui no Rio,chegando na base ,eu e Thiago. Começamos a se equipar,logo em seguida chegou uma dupla ,demos bom dia a eles trocamos algumas ideias e tal.
    Em seguida ensaiam deles tirou cigarro de maconha se afastou um.pouco e acendeu e começará a fumar,eu e Thiago no aprendamos em sair da li o mais rápido possível,pós a base ficou toda em fumaçada, e os caras iriam escalar a via do largatão imagina só.

    Então digo eu ,muito bom este texto!!!

  6. Marcelo Augusto

    Acho que desrespeitar os horários é outra coisa que leva a acidentes. Começar uma via de muitas cordadas as 17hs, por exemplo é uma grande burrice. É necessário ter consciencia e previsão de quanto tempo se levará para escalar qualquer via e não simplesmente tornar a escalada com headlamp algo “radical”.
    Demorar na via e ter que escalar usando headlamp pode ser necessário, mas iniciar uma escalada para subir no escuro é um risco desnecessário. Depender de uma lanterna que não ilumina direito, pode falhar, cair ou acabar a pilha me parece algo somente para emergencias e não para que isso vire comum.

  7. Filipe

    uma vez o risco da escalada era cair depois de esticar 20m da última proteção, hoje é conversar enquanto da seg, a que nível chegamos rsrs. Acho que tá faltando conhecer um pouco mais sobre escalada tradicional. Pros desavisados, a escalada é uma atividade de risco e é preciso fazer um curso antes de qq avanço, iniciação a escalada, guia de cordada, auto resgate, artificial, big wall… só não pode deixar virar uma atividade de frouxos.

  8. Bruno Igor Estevez

    Boa parte desses erros são cometidos por escaladores que não passaram por uma formação adequada ou nem se quer fizeram um curso de escalada, seja ele iniciante ou não. Por isso vale ressaltar a importância de optar por um bom curso de escalada antes de se aventurar por aí. E ainda, para aqueles que preferem pechinchar o valor de um curso de escalada confiando sua vida nas mãos de um instrutor despreparado ou mal intencionado, as consequências podem ser ainda piores.
    Nem sempre essas condutas listadas no texto acontecem pelo escalador estar sob o efeito de substâncias como a maconha ou álcool. Imprudência, desatenção ou negligência são decorrentes da falta de consciência, irresponsabilidade e inconsequência do ser humano.
    A escalada apesar de ser um esporte de risco é considerado bastante seguro, essa segurança vai depender do praticante.
    A culpa não é indicada pelo uso de drogas, o agravante sim.
    O ambiente natural oferece diversos perigos e muitas vezes outros fatores podem influenciar muito mais do que um escalador sob efeito de drogas.

  9. Highliner

    A mais ou menos um mês atrás um amigo meu estava destraido dando SAG quando no mesmo tempo o escalador levou uma vaca e veio parar apenas no chão a um queda livre de 4metro mais ou menos, sem ferimentos,mas com dores durante alguns dias após a queda…

  10. Rodrigo Garcia

    Ótimo artigo.
    Acho que uma boa alternativa de capacete para escaladores esportivos de alto nível é o Petzl Sirocco que pesa pouco mais de 150g e é muito confortável, o único empecilho é o preço um pouco salgado.
    O uso errado do grigri é algo apavorante e o pior é que, por muitas vezes, justamente os escaladores mais experientes é que fazem os piores erros e são mais displicentes!
    Apesar de eu sempre usar capacete para escalar e dar segurança, também tenho que confessar o pecado de tagarelar na seg e reconheço o impacto que isto tem na segurança da escalada.

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