5 maneiras que homens podem ajudar a combater o sexismo nos lugares de escalada

Desde meados de 2015 muito se debateu a respeito de feminismo, sexismo e outros tipos de comportamentos que, cada um em certo grau, prejudicam o convívio entre homens e mulheres. Houve, deste então, várias discussões sobre o que é, e o que não é, feminismo e este artigo não tem a intensão de levantar a discussão de machismo no universo outdoor. Mesmo que para muitas pessoas pareça que em esportes de natureza haja um machismo pesado, não é tão rígido como em outros segmentos da sociedade. Muito disso pela abertura que os praticantes possuem com relação ao respeito às mulheres.

Importante antes de listar os conselhos que, na minha opinião, ajudariam a tornar o ambiente menos bélico é explicar o que é sexismo. Sexismo, também conhecido como discriminação de gênero, é o preconceito ou discriminação baseada no sexo ou gênero de uma pessoa. Não necessariamente somente de homens com mulheres, pois o preconceito de mulheres com homens também é sexismo. Apesar de ser um tipo de linha de pensamento que afetam os dois lados, as mulheres são as que mais sofrem deste tipo de comportamento.

Assim como qualquer tipo de preconceito é muito importante todos estarem dispostos a acabar com ele. Não é ofendendo alguém, nem mesmo radicalizando acreditando que somente por meio da força, é que algo deixará de acontecer e desaparecer. Na sociedade ainda existem muitos preconceitos e isso todos sabem. Cabe a nós combatermos nossos próprios preconceitos, da maneira mais civilizada possível, e ajudarmos de maneira madura as pessoas a nossa volta como amigos, filhos, parentes e conhecidos a entender o erro deste tipo de linha de pensamento.

Preconceito é um “juízo” preconcebido (idealizado ou planejado antecipadamente), manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória perante pessoas, culturas, lugares ou tradições consideradas diferentes ou “estranhas”. Evitar nos comportar agressivamente, sem fazer-se entender da importância de não ter preconceito, é essencial para que qualquer tipo seja suprimido. Os conselhos abaixo têm o objetivo claro de facilitar o convívio entre homens e mulheres em qualquer ambiente outdoor.

Pergunte pela opinião dela

Inegavelmente as chances das mulheres, seja em um local de escalada ou ginásio de escalada, possuem seu próprio estilo de escalada. Por isso situações comuns a todos acontece sempre : um pé escorrega, como devem ser feitos treinamentos, como utilizar um equipamento de escalada corretamente. Se alguém, homem ou mulher, não souber, pergunte à sua volta a alguém que pareça experiente (independente do sexo). Isso mostrará que você respeita o conhecimento da pessoa, independente de que sexo, cor, religião ou orientação sexual que ela tenha.

Mostrar respeito pela inteligência e caráter de qualquer pessoa é um passo muito importante para qualquer pessoa sinta-se bem em qualquer ambiente. Muitas vezes as pessoas evitam perguntar a uma mulher por achar que ela não tem o conhecimento técnico apropriado.

Esteja atento à linguajem que usa

Comunicar-se é muito importante para fazer-se entender. O uso de palavras pode tornar uma simples informação em um desrespeito total. Por isso no momento de dirigir-se a uma mulher (mas poderia ser qualquer pessoa) procure economizar nos elogios ou conselhos excessivos. Não a trate como uma desprovida de inteligência, nem como alguém que tenha a obrigação de saber todos os procedimentos os quais perguntou. Se alguém necessitar de informação seja atencioso, direto e sem explicar em excesso.

Mesmo conversando com os amigos, guarde os elogios a outras garotas para quando estiver em seu ambiente particular. Não fique elogiando os quadris, a abertura de pernas, o decote, a camiseta ou qualquer outro comentário constrangedor próximo à pessoas que não conhece. Saiba distinguir entre quem são as pessoas do seu círculo íntimo e outras que apenas tenha um tratamento diplomático e social. Se você quer puxar assunto para socializar, pergunte da via que ela quer experimentar e se ela deseja alguma dica.

Se for para elogiar alguma mulher atente-se ao fato de não focar nos adjetivos da sua aparência, mas sim na sua técnica, habilidade e força. Aponte de maneira diplomática algum erro que observou, ou procedimento errado que executou, durante a escalada.

Respeite e confie na escalada dela

Foto : Three Peak Films / The Circuit Climbing | http://threepeakfilms.com/

Para qualquer pessoa, independente se for mulher ou não, ser tratado como uma pessoa que necessita de ajuda extra (ou especial) para realizar algo é desmoralizante. Na escalada, assim como qualquer esporte outdoor, a capacidade física e limitações psicológicas devem ser superadas pela própria pessoa Portanto nunca force ninguém a pular etapas de aprendizado, amadurecimento e evolução. Cada pessoa, homem ou mulher, possui tempos diferentes de evoluir no esporte e isso deve ser respeitado.

Evite ficar citando que garota X, ou iniciante Y, realizou o que ela está tentando muito facilmente, ou até mesmo que a via ou movimento é obrigação dela conseguir. Na escalada, apesar de todos os “xerifões” de cada panelinha pensar diferente, cada um deve aprimorar a sua própria habilidade, independente do que qualquer pessoa acredite ser o ideal. Ninguém sabe mais da própria escalada, dos próprios medos e inseguranças do que a própria pessoa.

Se uma garota quer guiar uma via, por mais que você acredite que não conseguirá, limite-se a dar conselhos de como fazê-la. Você pode se surpreender com o que ela pode fazer e até se superar. Não a limite de fazer nada desde que, claro, ambos respeitem os procedimentos técnicos de segurança. Incentivar uma mulher, assim como qualquer um independente de cor, sexo, idade e orientação sexual, passa pelo momento o qual as pessoas mais próximas a ela acreditem em seu potencial e respeitem suas decisões.

Lembre-se de que todos possuem um dia ruim em que nada parece dar certo, portanto esteja atento a rompantes de falta de paciência e fúria ou indícios de desânimo diante do desafio. Deixe que a pessoa encontre ela mesma o caminho a seguir não a obrigando de nada.

Momentos de “dar o beta”

Foto : https://crimpgirl.files.wordpress.com

Pouquíssimas pessoas gostam de serem guiadas na escalada todo o tempo por um “Galvão Bueno”. Portanto pergunte no momento que dificuldade aparecer se ela gostaria de uma dica. Há pessoas que gostam, outras não, e isso vai muito além de uma efêmera perda de uma cadena à vista.

Algumas mulheres sente-se desvalorizadas por elas mesmas não conseguirem silêncio de “betas” no momento de escalar. Por ser uma pessoa com força, tamanho, temperamento, mentalidade diferente de qualquer outra (principalmente de quem está querendo ajudar) é necessário muita diplomacia para saber se ela quer, ou não, ajuda em um momento específico, ou até mesmo e ela gosta de um “Galvão Bueno“.

A única exceção para esta regra é sua segurança : uma perna atrás da corda, um z-clip, uma costurada errada (back-clip), sair totalmente da linha da via, etc. Mesmo neste momento muito cuidado com a sua abordagem : não grite, informe.

Converse

Foto : https://cloakunfurled.com

Sempre que houver uma situação que pareça sexismo : converse. Mesmo que não haja nenhuma mulher por perto. A reflexão em brainstormings de como deveria ter sido o comportamento de cada um em algum momento constrangedor, é fundamental para que todos amadureçam a ideia do que é desrespeito e preconceito.

Quando vir alguém fazer algo o qual acredite que não deveria, deixe para CONVERSAR com a pessoa e não ir tirar satisfações. No momento que a procura por respeito começar a virar uma caça às bruxas ambos os lados perdem, e o preconceito fica cada vez mais fortalecido.

Situações desconfortáveis acontecem de ambos os lados, por isso procure sempre ter uma conversa madura e racional começando com : “cara, isso não foi legal…”. Tenha em mente que ser educado(a) e respeitar as mulheres é porque elas merecem este respeito e não porque assim (pregando o feminismo sem acreditar em nada) vai conseguir “pegar mais mulher”.

Você homem, converse sempre com suas amigas sobre o assunto,  em como poderia você facilitar a convivência de cada uma delas com a escalada. Cuide primeiramente de como você trata e enxerga as pessoas e isso refletirá nas pessoas à sua volta.

Sobre o Autor

Natalia De Marco

Natalia De Marco

Argentina de nascimento e brasileira de coração, é apaixonada pela Patagônia e Serra da Mantiqueira.
Entusiasta de escalada, trekking e camping.
Tem como formação e profissão designer de produto e desenvolve produtos para esportes de natureza.

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